domingo, 21 de dezembro de 2025

My Heaven

                             A Minha amiga Giovanna Vieira


Quando me dei conta, já estava envolvido,

E os sentimentos todos em partes, dividido!

Olhei pra todos os lados, menos para o meu,

Senti um coração bater bem forte, era o teu!


Sorri da própria sorte, mas, chorei de solidão,

Queria me encontrar em ti, e naquela escuridão,

Posto que minha vida estava em cinzas reduzida,

Escutava um fantasma, com frase não traduzida!


Na mata verde a espelhar, lá embaixo, teu olhar...

Pude ler no azul do céu, destes teus olhos lindos...

Que sempre em meu coração, serão bem vindos!


E ao sol se pôr e no horizonte outra vez se encantar,

Saberás por toda a vida, um dia, mesmo madrugada,

Que o coração bate por ti, em noite fria e enluarada!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 22.11.2012

21: 43 [Noite]

Estilo: Soneto

My God


Até quando

Ouvirei

Esse grito

Dolorido

Colorido

Fedido

Perdido

No infinito

Sem cor

Da minha

Massa

Cinzenta

Encefálica

Craniana

Que planeja

O impensável

(in)provável

Para por

Fim a esse

(Bendito mito)

Maldito

G r i t o...! (?)


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 13.01.09

My Dream...


                                (Ao meu amigo poeta Juliano Ribeiro Mendes)


Que sonho terrível eu tive esta noite, poesia,

Sonhei que deprimidamente tu assim morria!

Apeguei me assustado à sombra de tua solidão,

Chorei ali por horas... Lágrimas até a exaustão!


Isto não é sonho, é pesadelo horrendo de se ter...

Jamais em minha vida quero ver isto acontecer!

Minha luz se apagaria, estrela da manhã, és guia...

De caminho que só irei trilhar se te olhar, poesia!


Já tive muitas gotas de amarguras na minha taça...

De felicidade! Hoje quero que a simplicidade faça,

Da minha vida, uma vida de muita calma e maresia...


O povo olhando para mim possa dizer: Ali vai a poesia!

Sonho que não quero mais sonhar, infernize outro ser,

Se minha poesia morrer... Que razão terei para viver?!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 17.05.2014

18h44min [Noite]

Estilo: Soneto

My Day...


Não te importes se eu chorar... O que vai acontecer!

Chega te bem perto, quero os teus lindos olhos ver...

Bem sei que andei querendo fugir de mim mesmo,

Quis a vil solidão e no meu deserto... Andei a esmo!


Ah! Perdoa este infeliz e vem encontra lo novamente,

Será diferente ao estarmos outra vez frente a frente...

Mas não te demora, amor! Venha hoje, no meu dia!

Sozinho, a tarde é quente! A noite é sempre muito fria...


Luz da minha vida! Não me abandones, te imploro...

Pois se é manhã, tarde ou noite... Eu sempre choro!

Quero a paz que tua presença ao meu coração traz...


Uma suave brisa que à noitinha chega, a luz da ribalda,

E o palco da vida a nos iluminar! Quanta falta me faz!

Tu eras a viúva Porcina e eu, o triste Sinhorzinho Malta.


Aqui, hoje, 28.10.2014

Mussuca


Terra de negros, vida de cão,

Tempo difícil, não era vida não!

Lutar, correr, fugir e se esconder,

Pra não ser encontrado e morrer.


Quilombo dos reinos do fim do mundo,

Longe de tudo, num vale profundo!

Sem alegria ou sentimentos de felicidades,

Passando pela vida em todas as idades.


Laranjeiras infernais depois do rio,

Na fuga era ali, passando fome e frio,

Que o negro na mata fechada se escondia.


Podia ser noite alta ou no sol a pino do dia,

Olhando pra trás, longe, a família... E a saudade,

Era tudo o que levava, no bornal da maldade.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 21.06.09

Mundi flex


Oh! Encantamento que me estremece a alma,

Vinda varginal num desembarque louco...

Chega a este mundo com um choro mouco,

Perde o sossego, vai se a bela e doce calma...


Um vulcão de sangue entremente as pernas,

Côncavo em triângulos bermudais e difuso,

Mata se e se morre, por ele ficam se confuso!

Quando não se pensa as perdas são eternas.


Varginas grandes, pequenas, lindas e feias!

Muda o formato a essência é sempre a mesma,

É o canal por onde a vida gera se em cadeias.


Liquido gosmento, mesmo como o de lesma,

Que por mistério é uma viagem de prazer...

É vida gerando vida! Numa dor para nascer.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 17.07.2010

Muito tempo depois...

Tínhamos muito

O que contar

Das nossas historias

De amar, o olhar

O mar, o infinito...

O por do sol!


Queríamos dizer

Adeus, mas não

Tínhamos coragem

De nos separar...

Tínhamos medo

De nos perder!


Doce encantamento

Quem me dera ter

Novamente aquela

Oportunidade

Naquela ilha de

Um rio sereno...


E nos dois ali

Cercados de água

De mata, de areia

E de muita vontade

De nos tornar

Uma só criatura!


Céu por testemunha

Areia por colchão

Água purificadora...

Só nos dois a

Resistir aquela

Paixão avassaladora!


Meu amor...  - Ouvi

Bem baixinho...

- Como quem não

Queria nem chamar...

Olha o céu, olha o sol...

E hora de acordar!!!

Muito mais


Da minha vida és todo o meu ser!

Na virgindade da terra o plantio,

És a irrigação da roça que do rio,

Tens um desvio lindo de se ver...


Numa canção que vem de longe,

Encantando tudo ao seu alcance,

Em sensíveis ouvidos de romance,

Que ouço encantado como monge...


É assim, muito mais que a paixão,

Que me tocas e eu fico paralisado,

Absorto em tua silhueta, traspassado,


Pela beleza que reluz do teu corpo,

E estendo a mão de minha vil ilusão...

A esculpir te em pedra, perco o escopo.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 27.11.09

Muito além do amanhecer


Queria muito te encontrar,

                Resolvi que seria só teu!

Entender teu sorrir, teu amar,

                Era algo somente meu!


                Acordei na madrugada, chorei,

Horrores de uma noite que se foi,

Havia te perdido pra sempre, pensei,

                Eu morria, como um cansado boi...


Sonhos que não quero sonhar,

Por toda a minha eternidade...


                Que lindo este meu acordar,

                Ah! Amor, quanta felicidade!


Minha vida é apenas solidão,

                Sequidão de árido deserto!

Sem tua presença no coração,

                A morte vem a galope, é certo!


                Frio, arrepio, oh, dor sem fim...

Cruz que carregaria infinitamente,

                Não teria nenhum peso pra mim!

Sou teu dependente inteiramente...


                Certamente me chamarás de louco!

Não me amaste, eu que sempre te amei,

Contigo todas as noites... Eu sonhei...

                Gritei te, até ficar totalmente rouco!


Segue a vida, segue tua caminhada,

Conformei me com a decepção, visão

                Muito além do amanhecer! Nada

                Além de pura inocência... Ilusão!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 10.05.2013

21h06min [Noite]

Estilo:

Muito Aflito


Certa noite eu estava triste

Foi algo que nunca viste

Pois muito aflito me encontrava

Porque perdi quem eu amava.


Tudo foi então falado para mim,

Não quero mais você, e assim,

Grande foi a minha aflição,

Que me flechou o coração.


Vi a lua escurecer atroz

E falei lhe, lua estamos a sós,

Brilha então é o meu grito

Pois estou solitário e aflito.


Muito aflito posso estar,

Mas esta aflição irá passar,

Pois quero aqui viver em paz

Sem a aflição que você me traz.


(09/10/81)

Mudo...


Hoje eu sou apenas e tão somente, silêncio...

Na paz transcendental do universo sideral,

olho para a escuridão do espaço, fenomenal...

Na minha viagem vagalimínica me evidencio!


Assim, vagando silente, silenciosamente ando,

e a vida, apenas a me olhar fica, na imensidão

do meu eu apocalíptico... Nada mais, quando

a solidão invade é só silêncio, andar em vão...


Tudo hoje é silencio, luz, terra e o vento...

Silêncio no mar, nos rios e em cima do céu,

na escuridão, silencio, ouço o testamento...


Criatura, olhai a flor, abelhas sugam o mel...

A vida é silêncio e assim vive a natureza!

Silencio me, em singela e pura incerteza.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 19.04.2018

16:30 [Tarde]

Estilo: Soneto

Motivo


Viver em tua atmosfera, deusa do espaço sideral,

Imaginando o amor tão grande com que te amei...

Quanta loucura do meu coração, fostes tão mau!

Eu a suplicar teu beijo... Não, eu não te conquistei!


Viajando no infinito céu, olho te, vejo te sempre nua,

Dedicando te loas... Orbitando eternamente tua lua!

O que eu fiz meu Deus, porque fui amar tanto assim?

Pra lembrar dela, esqueço sempre mesmo até de mim!


Olhas me com olhar de piedade, como quem diz: Coitado!

Hoje para mim tu és fumaça, névoa que se foi, passou...

Já não tenho mais nenhum medo, não ando amedrontado!


A vida sempre mostra as razões, a espada que atravessou...

A alma dilacerada, o sangue naquelas lágrimas derramadas,

E o risco de morte, por ti, em todas aquelas malditas estradas!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 19.10.2018

20h08min [Noite]

Estilo: Soneto

Morte...


Morrer, enfim morrer

descanso meu, abrigo

de minha alma

que a vida toda

esperei sem medo

angustiado sim

um tanto fatigado

desta labuta triste

só com choro e pranto

devo louvar então

este dia santo

madrugada eterna

sono derradeiro

sem espinho ou dor

lágrima contida

no peito frio e

coração parado

para sempre e sempre

se pudesse ainda

diria muito obrigado

louvado seja este

grande dia, amém.

Morte

 Que mistério insuperável é a morte!

Estado inerte que a mente não reproduz.

Involuntariamente um brilho que reluz,

Invade e leva a alma fraca ou forte.


Como esse fenômeno traz tristeza!

E põe o homem em nostalgia.

Tira tudo o que se diz alegria...

E num segundo vai se toda a beleza.


Não há nem perguntas a fazer...

Pois nunca haverá respostas,

Para isso Deus nos vira as costas


Ele não quer mais riscos correr...

Quando do mistério da criação,

Ao revelar, veio a grande decepção.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 20.06.09

Moon [Lua]

                 [À memória da minha querida avó materna Luiza Camilo]


Eu era bem pequeno, quase nem me lembro,

Lembro me que à noite, pela fresta da janela,

Ficava a olhar um raio, era mês de setembro,

Eu sabia que aquele clarão era mesmo ela...


Às vezes, nem me lembro muito bem, eu sei,

Ficava todo arrepiado, olhando e escondendo

Meu rosto no lençol e em sonhos, mergulhei!

Em visão primaveril e angelical ficava vendo...


Infantil brincadeira, à noite, esconder me dela!

Eu pouco me lembro, era apenas uma criança,

Cheia de fé e carregada de muita esperança...


À noitinha, casa de mãe Iza, a água na gamela,

Refletia ela... E me via ali, alma virgem e nua...

Eu me lembro, sempre a amei... Magnífica Lua!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 15.11.2016

19h53min [Noite]

Estilo: Soneto

Monólogo O apaixonado

 Oh! O homem apaixonado, Deus,

Escravo da loucura!

Quanta devoção a inexistência!


O homem apaixonado com certeza,

Escravo da solidão!

Uma vida de pura e eterna incerteza!


O homem apaixonado é a vida inteira,

Escravo de si mesmo!

Uma vida introspecta sempre no vazio!


O homem apaixonado mesmo que não queira,

Escravo é da cegueira!


Pois nunca enxerga na sua frente a realidade!

O homem apaixonado tem ausência de amor,

Escravo da infelicidade!


Pois quem não ama nunca pode ser feliz.

O homem apaixonado é um doente terminal,

Escravo da morte, grande mal!

Passará deste mundo, sem saber o que é amar.


Pois a paixão é um câncer que destrói e mata!

Muito confundido com amor.

Mas que não passa de escravizador dos iludidos!

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 20.03.11

My Heaven

                                    A Minha amiga Giovanna Vieira Quando me dei conta, já estava envolvido, E os sentimentos todos em partes...