domingo, 24 de maio de 2026

Na Cheia do Rio

 

Eu via descer naquelas águas

Capins canaranas em montões

Descia água suja dos grotões

Paus podres e muitas tabuas


Na cheia do rio descia objetos

E cobras, lagartos e muçuns

Palmeiras bonitas de tucuns

Das cidades e vilas os dejetos.


Coitado, eu pensava, era do lugar

Para onde tudo isso com a água ia

Nem o mar com certeza aguentaria


E ao receber, quem sabe, iria vomitar.

Sou tal qual esse mar, estou enojado

Do que recebo no mundo, deste lado.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 29.01.09

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