Eu via descer naquelas águas
Capins canaranas em montões
Descia água suja dos grotões
Paus podres e muitas tabuas
Na cheia do rio descia objetos
E cobras, lagartos e muçuns
Palmeiras bonitas de tucuns
Das cidades e vilas os dejetos.
Coitado, eu pensava, era do lugar
Para onde tudo isso com a água ia
Nem o mar com certeza aguentaria
E ao receber, quem sabe, iria vomitar.
Sou tal qual esse mar, estou enojado
Do que recebo no mundo, deste lado.
Poeta Camilo Martins
Aqui, hoje, 29.01.09
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