No vai e não vem
Há um desejo não
contido dentro de mim
De partir para a terra
dos desvalidos agora
Ir dessa vida infernal...
Por que não chega a hora?
Vida triste sem rumo,
sofrimento sem fim!
Vai a onda, mas nunca mais
volta o lindo e velho mar,
Bebo a água que bilhões
já beberam também
Respiro o ar que tantos
mortos já respiraram e além
Do mais com muita raiva,
e melhor morrer do que matar.
E ainda põe, querido diário...
Hoje foi um dia
Maravilhoso! Que mentira
absurda e horrenda
Enganar a quem, sem que
a si mesmo se ofenda?
Ah! O vai e não vem do vento
e da veleta que morria...
O vai e não vem do meu
amor, do ocaso do sol
Que teima em não se
esconder atrás do monte...
E eu que deveras esperei
ao som daquela fonte
Fico apenas a meditar nas
almas sofrendo no seol.
Poeta Camilo Martins
Aqui, hoje, 21.04.09
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