terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Hands


Quando me dei por conta, já estava em teus braços,

E na contagem regressiva dos teus divinos passos...

Olhei-te, como quem olha o próprio céu iluminado,

E fiquei, ali, inerte, à luz da lua inteira, abraçado!


Ah, as folhas que eu colhia... Teu nome eu escrevia!

Depois, soltava todas nas águas do riacho, só eu lia!

Minhas mãos em teu rosto, na tua boca encantada,

Tal qual portal para o espaço sideral, feliz entrada!


A vida seguindo seu curso, como se fosse um rio...

E nos levando, posto que somos apenas matéria vil!

Eu sorria até, de tua cachoeira... Dos cachos, lindos!


Tudo era intenso, o amor, a força dos ventos vindos,

E a certeza que a felicidade pra sempre perduraria!

Só nunca imaginei que por tudo isso muito choraria.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 27.02.2013

06h35min [Manhã]

Estilo: Soneto

Hai – kais


É igual

O ignorante

Não e nada diferente

Do inoperante.

Votar?

Votar errado

E melhor morrer e

Nem ser enterrado.

O Ovo

Chora o Jacinto,

Estou comendo um

Quase pinto.

Na arena

O touro lambe a espada

Com o ouro que

Sai-lhe das veias.

Chora o velho

Lembrou-se tarde demais

Que sua velhinha

Passou-lhe pra traz.

No velório

Ri o defunto Salim, o louco

O primo comprou

E ele nunca deu o troco.

O teste do para raio

Falou acertadamente

Que um raio caia

na minha cabeça

O relâmpago e o trovão

Disse o relâmpago para o trovão


Eu risco daqui, você estoura daí

E fazemos juntos um furacao.

Na vela acesa

Voa em circulo a mariposa

Da vela acesa a mesa posta e num

Descuido mortal no fogo pousa.

Morte

Qual a diferença se tem dor ou não

Se o paciente perde a consciência

E vai sempre morrer do coração?

O doido de bicicleta

Rua abaixo com toda velocidade

Cruzou outra rua sem ver

Avistou toda a cidade

Menos a ponte

Resultado

Morrer.

Pernas gêmeas

O paciente diz para o medico

Esta perna está cansada

Ao que o médico responde como

se e da mesma idade da outra?

Tio Firmino na igreja

O pregador não veio até agora

Vou falar aqui umas besteirinhas

E assim logo vamos embora.(?)

No céu

Uma estrela pisca para outra estrela

O sol está nascendo, vamos só apagar

Cuidado com essa grande besteira

De ser estrela cadente.

Faltou a audiência

No tribunal o juiz pergunta pelo réu

E o advogado responde não veio


Porque morrel.

Disputa

Na disputa pela reserva

Brigam a raposa,

A serra e o sol.

Em vão

Na arvore canta

O passarinho e não

Embala ninguém.

O que fica

Enquanto os cavalos

Passam, o esterco

aduba o asfalto.

Pra onde vai

Todo rio corre

Pro mar... se não

Secar antes.

Adormecer

Boceja o sol cansado

Boa noite lua.

Bom trabalho!

Em formação

A areia formando a duna

Vamos lá enfileiradas

Uma a uma.

Canta por comida

Passarinho na gaiola

Não canta de emoção

Canta por uma esmola.

Vocação

O padre pro sacristão


Porque você e casado e eu não?

Coisas da vocação...

Sogra

Pastor faça uma oração

Se ela morrer

Dou um tostão.

Motivo

A arvore balança o galho

Pois o mesmo não pode

Balançar a arvore.

Porque

O vulcão só cospe lavas

Porque não pode

Engolir gelo.

Contrapartida

Enquanto o gato bebe

O leite, o rato desarma

A ratoeira... e morre.

Consequência

Tirando um bom

Cochilo, no ouvido

Me entra um grilo.

Aconteceu

Dormi lá em Santana

Uma baratinha

Roeu-me a pestana.

E dela...

A dona do meu coração

Quis ganhar dinheiro

Colocou placa de locação.


Essa e boa

A bíblia diz para o crente

Me tire do seu sovaco

Não sou desodorante!

E verdade

No cemitério tudo e belo!

Menos a realidade sob o tumulo,

Que ninguém quer.

E...

Faça chuva ou faça sol

Vou continuar mentindo

Que te amo!

Não e não!

Brincadeira de mau gosto

E dizer que agosto e mês

De desgosto!

Porco e porco!

O porco tomou banho

Na lama que eu

Vomitei! O porco!

Camuflagem

A cobra de dentro de

Um chifre, picava o animal

Que passava... E o dono.

O tempo voa

Sou homem fabricado em serie,

Mas fui entregue com prazo

De validade já vencido... Fui

Hacliplex




Há um Corpo Estranho

 

Penetro em teu corpo, em teu sonho,

Estou em tua vida, e na tua alma...

Feliz, alegre, extremamente tristonho,

Nus entrelaçamos... Em doce calma!


Não temos pressa, metarmofoseamus

Lentamente, francamente, friamente!

Só o tempo pode dizer se nus amamus,

E se há um corpo estranho eternamente.


Pra sempre... Em mim, em ti, em nós...

Nasci ou morri mais uma vez, logo após?!

E o eco repercutante responde ao grito...


Que do profundo do meu ser aflora aflito,

O que restou da nossa fusão intracorporal,

Além do corpo estranho e sobrenatural?!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 18.04.09

Há sempre uma Luz...


Não precisa chorar, se desesperar ou sofrer,

Há sempre uma luz a brilhar, brisa a correr!

O tempo passa e vai colocando tudo no lugar...

Calma, com paciência, é só em Deus esperar!


Às vezes vem a tempestade, mas tudo passa...

Há sempre uma luz que ilumina o caminho!

E tudo que te vier às mãos para fazer, faça!

Não se desespere, olhe a flor e não o espinho...


A tristeza pode até existir, mas use-a pouco...

Há sempre uma luz para te mostrar o rumo!

Quem não confia no Altíssimo é mesmo louco!


Na imensidão do escuro mundo, Ele é o plumo!

Sorria, tu não estás aqui por mero acaso, Dalva!

Há sempre uma luz, a de Jesus, único que salva.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 11.09.2017

10h02min [Manhã]

Estilo: Soneto

Há muito tempo...


À amiga Silma Almeida


Lembro

Existo

Faço

Acontecer

O que

Jamais

Pensei

Eu

Você

Um filme

Desenho

Na

Mente, o

Que não

Pude realizar

Lembro

Existo

Somente.

Traço os

Traços

Trágicos

Da

Vida

Da gente

Você, eu

Fui e

Não

Vi

Seu lugar

Aqui

Ali

Nos sete

Palmos...

A lápide...

Dentro

Você!

Fora

Lembranças

No átomo

Nós dois

No pó

O

Amor

De todos

Os

Tempos

Que

591

Se

Foi

Para

Nunca

Mais

Voltar

E

Eternamente

Ficar

Na

Memória

Da

Gente

Que fica

Com a

Lágrima

Fria, assim

Como fica

O coração

Com

Olhos fixos

Lá no

Horizonte

Para

rever-lhe

e nunca

mais

sonhar

em

vão,

pois

tudo

se vai...

Menos

Essa

Terrível

Lembrança

E

Lembro

Por

Isso

Existo

Dentro e

Fora

Do

Coração

Quente

Na

Vida

Fria

No

592

Sepulcral

Silêncio

Do

Universo

Sem

Luz

Sem

Cor

Sem

Brilho

Estelar...

Enfim

Sem

Você.

Queria

Eu

Saber,

Pelo menos,

Onde

Colocaram

O

Frio

Corpo seu

Para

Depositar

No mármore

Gelado

A flor

Que

Tanto

Pedia-me.

Sabendo

Lembrando

Que de

Nada

Irá

Adiantar

Tal

Gesto

Sufocante

Bárbaro

Humilhante

Tétrico.

Lembro

Vivo

Existo

Mas

Sofro

Assim

Mesmo.

Mudo

Sufocando

593

Dentro

Da alma

Todos

Os

Momentos

Meus

Seus

Nossos

Desencontrados

Confusos

Esquisitos

Mais

Meus

Do que

Seus

Lembro

Há muito

Tempo

Vivo

Por isso

Não

Esqueço

E guardo

Vivo

Na

Mente

Tudo e

Todos

Daqui

Da li

De lá

E isso

É

Muito

Bom...

Viver

Existir

Aqui

Neste

Planeta

Quente

Frio

Ardentemente

Estranho

Fraco

Forte

Mas

Amável

Ou

Não

Para

Combinar

594

Com

Seus

Habitantes

Nós

vós

Eles

E

tudo

se vai

ou

não

mas

lembro

por

isso

vivo

assim

desse

jeito

sorridente

ou

não

triste

ou

não

feliz

ou

não

e assim...

Adeus!!!!!

[Ou

Não.]

Hahaiquie...


Uma língua assim bem diferente, aprendi

Como o saudoso pastor Valquirio Sousa

Era só a gente encontrar com ele... E...

Já vinha logo, há-há-i-qui-e, hahaiquie!!


Depois ele um dia me contou

Que ia tomar banho com amigos

Nos igarapés pras banda do Para

Águas límpidas, frias, natureza bela!


As ingazeiras com seus galhos

A arrastarem naquelas águas

Como tinham muito ingá, mas era

Lá em cima, eles tinham que subir.


Estavam quase a alcançar uma

Quando escapava e caia no chão

Um esperto que ficava lá embaixo

Logo gritava, e minha e não te dou!


E o que estava tirando reclamava

De la ha-ha-i-qui-e, hahaiquie...

Como quem dizia, claro que não

Essa eu tentei pegar com esforço!


Mas o danado que pegava saltava

Na água do igarapé e mergulhava

Fundo e se mandava e, claro logo

Depois voltava e começava outra vez...


E era um tal de há-há-i-qui-e, daqui

Hahaiquie dali e a confusão estava

Formada, ninguém entendia tanto

Ha-ha-i-qui-e... Hahaiquie, hahaiquie...


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 05.12.08

Há De Se Ter?!

 

Ah! Vida Minha

        Hás De Se Ter Saudade

Do Que Não Se Viveu?

        Como Pode Coração,

Pensar No Que Não Existiu?

        Só No Pensamento...

Sempre Vagando

        Só Fantasiando, Voando...

Depois Sofrendo.

        Como Hei De Ser

Vivendo Sem Rumo?

        Não Te Encontrei.

Pensei, Sonhei,

        Mas Não Viví.

Por Isso A Saudade.

        Mas Saudade De Quê?

Do Que Não Aconteceu?

        Não Foi Real?

Não, Saudade De Mim

        Do Tempo Em Que

Não Pensava Em Ti!

        Naquele Tempo

Eu Não Vivia

        Tu Vivias Em Mim.

Hoje Eu Quero

        Voltar A Viver

Dentro De Ti.

Guerreiro


(Singela homenagem ao amigo Professor Duilio Batisttoni Filho)


De semblante sereno, como rio manso,

é a vida deste homem, ele é professor!

Lutou pelo fim da ignorância e escritor,

conta como luta mesmo e sem descanso!


Que nessa paz do céu que te fez capaz,

prossigas na caminhada que te satisfaz

para registro nos livros a tua passagem

na terra, a boa e necessária mensagem!


És espírito de luz em muitos caminhos,

eles estão por aí de coração agradecido

tirastes deles as arestas e os espinhos,


deu conhecimento, o louvor é merecido!

Que a luz divina continue a tua vida iluminar

e por toda a eternidade tua estrela a brilhar.


Poeta Camilo Martins

04 de setembro de 2023

Guerras


Para que servem?

Implodir o amor

Explodir o ódio

Implodir a vida

Explodir a morte

Implodir alegria

Explodir a tristeza

Implodir o riso

Explodir a lagrima

Implodir o bem-estar

Explodir a dor

Implodir a amizade

Explodir o rancor

Implodir a razão

Explodir a raça humana

Implodir a capacidade

Explodir a miséria

Implodir a lealdade

Explodir a desonestidade

Implodir a emoção

Explodir a frieza

Implodir a esperança

Explodir a descrença

Implodir o coração

Explodir a fé

Implodir a ordem

Explodir o caos

Implodir o começo

Explodir o fim.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 05.01.09

Guadalupe


Por que te escondes tanto em ti mesmo assim princesa?

Parece até um rio de cantos negros a correr tão sereno...

Chorando as migalhas de gotas, à sombra da luz acesa!

Na agitação de um mundo cruel, mas também pequeno.


Deixa um pouco que outros te vejam e mergulhem em ti,

Na imensidão da tua graciosidade e do teu verdadeiro ser!

Conheço a essência do teu olhar e em bela visão eu já vi...

A nudez de tua alma, cheia de amor e calma no amanhecer!


Oh, Guadalupe! Sonho em noite de um turbilhão de águas,

Que passam cantando... Mas não levam as minhas mágoas!

E respondes em suspiros e soluços, como quem nada quer...


Não me atormentes mais! Quero um mundo meu somente!

Sou vaidosa, confesso, não quero uma casinha branca de sapé!

E procuro sim, um amor... Que possa durar assim eternamente.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 15.10.2011

Grito da Alma

 

Não é só esse maldito vazio que me incomoda,

É a lembrança do que fui, do que tive, amores!

A separação dos amigos de infância, a roda...

De brincadeiras mil, no teatro, como atores!


Os destinos que se tornaram tão diferentes...

De repente, me vi só, diante do meu pesadelo!

O sentimento de perda a consumir as mentes,

E as lágrimas tentando apagar, por puro zelo...


Mas o mundo é mesmo assim, uns piscando...

Para que outros se mantenham sempre acesos!

Mas o meu piscar, reflete a minha dor e voando,


Levo eu mesmo minha súplica ao Todo Poderoso,

Que na imensidão do céu ouve todos os desejos,

Do grito da alma aflita, pois é, a todos generoso!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 25.05.2012

15:21 [Tarde]

Estilo: Soneto

Grita minha Avó


Vovó

gritando

traz o sabiá

vai cantando

assobiando

de mansinho

tá no ninho

coitadinho

peladinhos

com frio

ou não

não vai

chorar

na distante

época

bela da

vida e que

verdadeiramente

de vive e vive-se

muito bem

e tudo ali

ficando

na memória

de quem

realmente

ama e isso

não tem

distância

futuro

só a morte

pode

apagar

pra sempre.

Grande amor

 


Gotas no Silêncio


Meia noite, lá fora chove

e aqui dentro também

água lá fora,

lágrimas aqui dentro.

No fundo do peito

nu profundo da alma.

Dentro do meu coração

são lágrimas de

desprezo

tristeza

dor

abandono

desesperança.

Há pouco me senti

como um pedaço de

ferro velho, enferrujado

nu fundo de uma

velha oficina,

nu poço fundo da vida.

Se é pra dizer o que

Sinto, sinto muito!

Onde errei??

O que eu fiz??

Onde estou??

O que fazer??

Amigos?? Ah! Se eu

os tivesse... Quem

Sabe estariam até

olhando-me com

dó, compaixão(?)

duvido. Mas...

Deus? Ah! se lembrasse

de mim...Talvez esteja

muito ocupado agora

com um de seus outros

bilhões de necessitados,

muito mais do que eu.

Então só me resta

nu silêncio

chorar... Lágrimas

Vão e não vem

qualquer resposta!

E nu silêncio eu...

Jesus! Rogai por nós.

Por mim. Chorai

também, nu silêncio

da pedra getsemânica

nu jardim das gotas...

Por um filho sofredor!

Gotas de silêncio

nu frio coração

do sangue que se

esvai e vai para

nunca mais

voltar...Em silêncio.

Sofro a dor que

ninguém vê, no

silêncio da vida

que diz, mas não é

e assim fico mudo...

E as gotas...e o se...

Vejo em mim também

as marcas da dor

infinita de nascer num

mundo desconhecido

parido, sofrido, sangrento

fedido! E... Fico silente!

Choro, embora não

resolva, eu choro

Jesus chorou, é bem

aventurado quem chora!

Choro então e as lágrimas

dizem tudo nu silêncio.

Choro nu canto da casa,

nu canto das aves,

nu canto do encanto,

nu desencanto do

mundo, nu silêncio da

vida, que só o choro canta.

Talvez até saiba que a vida

não é de se chorar é de se

viver... Mas mesmo assim

eu choro e as lágrimas vão

em silêncio inundar, no céu,

o coração de Deus! E então...


Camilo Martins Neto - aqui, hoje, 29.01.05

Gosto de...


Gosto de você meu amor

Gosto de amar também

Gosto de toda vida e a flor

Gosto de ter alguém


Este alguém que tanto gosto

Gosta de não pensar em gostar

E por isso o seu rosto

Nem sempre está a brilhar


De tanto gostar de você

Gosto de viver mais e mais

Pois gostar é te querer

E não deixarei de gostar jamais.

(25/05/82)

Gostaria...


Gostaria... de andar no mar,

Bem cedinho ao amanhecer

Lá no fundo mergulhar,

Então encontrar você.


Gostaria... de ver o sol sair

Duma floresta ou do monte

De ver os raios a cair

Na sua tão meiga fronte.


Gostaria... de estar sempre pertinho,

E, então, assim realizar,

O que pensei com carinho,

Este meu amor te dar.


Com isso então mui feliz

Tudo eu logo faria

Pois foi o que sempre quis

E como eu gostaria!...

(21/05/82)

Ghost

 

Estou cansado de ter saudade...

Pois na imensidão desta dor,

Esqueço de mim, de ti, amor...

Esta é a mais pura verdade!


Estou cansado de te perder...

E apenas o teu vulto pressentir,

Ficar para o coração a mentir...

Sabendo que nunca vou te ver!


Estou cansado de ficar cansado...

Em oração aqui, triste, ajoelhado,

E o pensamento vagando ao léu!


Querendo te ter na terra, santa...

Quando há tempos estás no céu,

Ah! Descansar, a vontade é tanta!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 20.11.2012

08:38 [Manhã]

Estilo: Soneto

Golden Eagle


Corri ao teu encontro, para te abraçar loucamente...

Fui um tolo, me perdi na imensidão dos sentimentos,

Cultivados ao longo dos anos de amor... Docemente!

Ah! Tantas juras, te amo era a frase nos momentos!


Chovia, e, tentávamos contar os pingos e eu sereno,

Dizia que assim era nosso amor... Gotas de chuvas!

A linda canção do sabiá, lá longe... O céu ali moreno,

E as lembranças de tempos idos, as maçãs, as uvas...


Mas o tempo é águia veloz! No espaço sideral sem fim,

Leva todas as coisas boas da vida... O amor se foi, vai,

Ficam as memórias e a saudade, sofrimento é assim...


Sempre vem o choro, as lágrimas, quando a chuva cai!

Dourada águia que no céu voa, num lindo entardecer...

Me traz de volta à vida, não alimente meu enlouquecer.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 20.09.2014

13h24min [Tarde]

Estilo: Soneto

Goiabeira


Arrastando os galhos pelo chão,

Com aquelas frutas tão lindas,

Estava a goiabeira, lá no sertão!

Tão, tão,

Tão, tão...

Goiabas das brancas e vermelhas,

Não tinha nenhum bichinho sequer,

Eu me empanturrava subindo no pé!

Pé, pé,

Pé, pé...

Comia alegre, contente e sorridente,

Me engasgava, tossia e cuspia fora,

Um dia, a semente quebrou meu dente!

Dente, dente,

Dente, dente...

Daquela goiabeira querida, de outrora,

Só resta a saudade no meu triste peito,

Chego a sonhar com ela quando deito!

Deito, deito,

Deito, deito...

Sinto o cheiro, sinto o sabor, sinto muito!

Sinto até a solidão, queimando o coração,

E sinto que vou morrer, sem conformação.

Conformação, conformação,

Conformação, conformação...

Confor, confor,

Confor, confor...

Mação, mação,

Mação, mação...

Ação, ação,

Ação, ação...

Ção, ção,

Ção, ção...

Ão, ão,

Ão, ão...

O, o,

O, o...

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 07.10.09

God


Tudo o que eu tinha de amar eu já amei...

A solidão desgraçadamente me alcançou!

Passei a chorar como nunca na vida chorei...

Sem rumo sinto que o céu não me abençoou!


Viver sem prazer não é viver, isso sim eu sei...

Minha mágoa persiste e logo me enlouquece!

A vida assim não foi o que eu sempre pensei...

Morri, veja se enfim tu pensas que me esquece!


Ando de mim mesmo, com medo me escondendo,

Em introspecção profunda angustiosamente vivo...

Deus, onde foi parar minha paz que tanto preciso?


Amores de minha vida inteira que foram se perdendo,

E eu a esperar em vão algum momento de alegria...

Sem pesar os motivos da alma está assim... Tão fria!

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 28.06.2016

11h28min [Manhã]

Estilo: Soneto

God


Fui por toda vida sua canção mais que preferida,

Serei pra sempre seu fantasma amado e odiado!

Que a encontrou distante, diante do sol, ferida...

Deu-lhe fôlego, osso seco, sem vida, fui aliado!


Ah! Quantas vezes nos amamos à luz das estrelas,

Mas sempre me dizias: Olha, uma estrela cadente!

Um pensar sem nexo, vontades... Quis combate-las,

Em vão, eu vi sua alma se afastar, em fogo ardente!


Olhei, Deus, como em visão de puro néctar de amor,

Dissolver-se e entrar na atmosfera infinita, ao calor!

Fechei o peito às paixões e prometi nunca mais amar,


Para não sofrer a dor que hoje me dilacera o coração.

E na imensidão dos meus dias infernais, apenas a olhar,

Vejo como em espelho, tudo outra vez... Num clarão!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 26.03.2012

18:37 [Noite]

[Estilo: Soneto]

Gisleno Feitosa

 

Deus dá o dom e nós aceitamos e o desenvolvemos com gratidão,

Gisleno, quando o destino o encontrou disse: Serás um cirurgião!

E ele se tornou um dos melhores, cirurgia perfeita tem sua assinatura,

Mas, como ainda não bastasse, é um ícone também na literatura!


De terras cearenses, mas, disse Marcos Pacúvio, por Cícero citado:

“Pátria est ubicumque est bene”, pátria é onde você se sente bem!

Assim, este grande piauiense de Iguatu, no Ceará, está assentado,

Onde foi bem recebido por todos e é muito feliz assim com o que tem!


Além de poeta cordelista, contista, cronista, é um grande intelectual!

Acadêmico da mais alta categoria em renomadas instituições do Brasil,

Desde Barras, no Piauí, até São Paulo, a mais importante capital!


O mundo precisa de pessoas assim, que desenvolva neste céu azul anil,

Todo o seu potencial, e deixe para as futuras gerações e pra humanidade,

Tudo o que foi extraído do âmago, da alma, com toda a sua capacidade.

Gemer pela natureza

 (O estilo é Gemedeira)


Vou gemer sozinho meu bem,

Sem ter alguém pra me ajudar,

Falando o valor que tem

A natureza, céu, terra e mar...

Ai, ai, ui, ui.

Se não cuidar, vai acabar!

Tremores por toda parte,

Secas, cheias e inundação,

Ainda pinta-se, como arte,

Louvando a destruição...

Ai, ai, ui, ui.

Que povo sem coração!

Onça não se vê mais no mato,

Papagaio é coisa bem rara,

Que bichos desaparecem é fato,

O que dizer então da arara,

Ai, ai, ui, ui.

Roberto Carlos já falara!

Os rios estão desaparecendo,

Árvores não tem mais na margem,

Os mares todos sofrendo...

Causando muito estiagem,

Ai, ai, ui, ui.

Estamos lascados, é sacanagem!

Um vulcão que entra em erupção,

Um tsunami matando gente,

O homem ficando sem opção,

Sendo chamado de sobrevivente,

Ai, ai, ui, ui.

Que gemedeira mais envolvente!

Lutemos pela natureza urgente!

Na base da boa preservação,

Colocando sempre na mente,

Que não há outra salvação,

Ai, ai, ui, ui.

Vamos plantar essa semente!

Para desfrutar vida boa agora,

Enquanto dá tempo ainda...

Temos que, urgente, sem demora,

Toda colaboração é bem vinda,

Ai, ai, ui, ui.

Buscar Jesus, a luz da aurora!

Gazal dos Loucos


Sou andarilho, não louco! (A)

Nem posso cantar, estou rouco. (A)

Querem o meu sangue, a vida? (B)

Posso dar, isto é bem pouco! (A)

Covardes! Atirem-me a pedra, (C)

Ouço passos, não sou mouco, (A)

Nem sou Madalena, a pecadora! (D)

Raça de víboras, ovo choco, (A)

Jazem na podridão da ferida! (E)

E da lama faz seu lar, és porco! (A)

Não, não sou louco, criatura! (F)

Sou artista, pintor... Eu ouço, (A)

O aplauso efusivo da multidão! (G)

Mas vós me preparais arcabouço... (A)

Loucos não têm alma... E eu?! (H)

Já nem eu sei mais, tampouco. (A)

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje,22.03.2012

11:39 [Manhã]


[Estilo: Poesia em Gazal ou Gazel] Gazal ou Gazel é um poema de forma fixa de

origem Árabe, cujo início data do século VII. A temática do Gazal é o amor, o sentimento

humano e também o lado místico da vida. Poeta maior, que se dedicou à composição do Gazal

foi Hafiz. A composição do Gazal é estruturada em dísticos (até 15 dísticos) e as rimas são

organizadas da seguinte maneira:

AA // BA // CA // DA // EA // FA // GA

Gansos à Deriva


Perdido eu, em oceano imenso...

Sinto a forte dor do meu amigo,

Pobre vida cheia de castigo!

A vida não é como eu penso.


Sou tal qual gansos à deriva,

Tenho dentro de mim solidão,

Um enorme mar, alma viva,

Tristeza profunda no coração.


Vendo a banalização da vida,

Sem valor, toda retorcida...

Não mais rumo, nem porto!


Ser assim sente-se morto,

Gansos à deriva, mar aberto,

Sente sempre a morte perto!!

Poeta Camilo Martins

Gaiola


A gaiola é uma prisão,

Não prende gente...

Mas um pássaro eu vi.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 23.03.2012

11:13


[Estilo: Poesia em Redondilha – Com terceto] Redondilha menor É a poesia escrita

com versos de cinco sílabas poéticas.


Gaiola

O homem não me surpreende,

A prisão era só pra gente,

Mas põem pássaros também.

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 23.03.2012

11:18


[Estilo: Poesia em Redondilha – Com terceto] Redondilha maior É a poesia escrita

em versos de sete sílabas poéticas.

Fui lá visitar papai...

 

Fui visitar papai, memória falha,

Numa terra estranha pra mim...

Tinha uma casinha de palha,

Um pé de caju e muito capim.


Santa Maria das vassouras,

Que nome mais esquisito,

Era uma cerâmica dos Mouras,

Abandonada e haja mosquito!


Ali papai ficava dias e noites,

Ouvindo sons de sapos e grilos,

E o vento com seus açoites...


Eu fui lá visitar meu velho pai,

Atravessando pastos, rios e trilhos...

Aquela imagem da mente não sai!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje,

Frio...


É madrugada, nada me aquece a alma cansada,

Olho-te intensamente, e louco me alucino mais...

Quantas manhãs de névoa, vida assim, gelada!

Aqui, na solidão do meu eu, instintos animais...


Mergulho em ti, para esquentar o corpo gélido,

Pura insensatez, sem beijos, sem carícias, sem...

Apenas o desejo mórbido no meu ato intrépido!

Nem mesmo uma busca sincera ou desejo tem...


Nasce o sol e a frigidez é cada vez mais intensa,

Até que se vai, feito a mesma névoa que se desfez!

Abro os olhos, pra ver o amanhecer que se pensa,


Havia chegado... Tudo sonho! E mais uma vez...

Sigo o caminho, do começo... Tentativa frustrada,

Porque o frio é terrível, por toda a madrugada!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 29.07.2013

09h01min [Manhã]

Estilo: Soneto

Frio...

 

É madrugada, nada me aquece a alma cansada,

Olho-te intensamente, e louco me alucino mais...

Quantas manhãs de névoa, vida assim, gelada!

Aqui, na solidão do meu eu, instintos animais...


Mergulho em ti, para esquentar o corpo gélido,

Pura insensatez, sem beijos, sem carícias, sem...

Apenas o desejo mórbido no meu ato intrépido!

Nem mesmo uma busca sincera ou desejo tem...


Nasce o sol e a frigidez é cada vez mais intensa,

Até que se vai, feito a mesma névoa que se desfez!

Abro os olhos, pra ver o amanhecer que se pensa,


Havia chegado... Tudo sonho! E mais uma vez...

Sigo o caminho, do começo... Tentativa frustrada,

Porque o frio é terrível, por toda a madrugada!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 29.07.2013

09h01min [Manhã]

Estilo: Soneto

Frio...


Noutros tempos, teu rio era menos tempestuoso,

Nadei em ti, amor, em águas tranquilas e mansas...

Temperatura amena, sob um brilho, majestoso!

Me aliviava as tensões, alimentava me esperanças.


Não houve um dia em que em ti não me deleitava!

O mergulho em ti, era tudo em minha pobre vida,

Por horas ficava pensando em ti, quando me deitava!

Rio da minha alma, mesmo longe, depois da partida.


Lá estavas tu, em meu sonho! Deslizando em leito...

Eterno. E eu em qualquer parte do universo infinito,

Juntando à tua água, a que rola dos olhos, no peito!


Onde foi, amor, que tudo mudou? Este é o meu grito!

A qual oceano fostes se ajuntar, que águas estranhas?!

Não encontro teu delta, estou louco! Vem, me banhas...


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 09.06.2012

20:07 [Noite]

Estilo: Soneto

Friends

 

[À Socorrinha Holanda dos meus tempos de

garoto no bairro matinha e na memória pra sempre]


É claro que é um grande mistério este lindo amor...

Porque do nada ele desabrocha feito uma bela flor!

Relâmpagos e trovões, depois, luz de um alvorecer,

A paz que tua beleza me transmite, eu nunca vou ter!


Amigo não se guarda no peito, amigo se curte, se ama,

Sorrir do nada, do tudo, passeia, se tem ou não fama...

É pra toda vida, daqui até a eternidade, espaço e solidão!

Infinitamente fica ali, num cantinho, no fundo do coração!


É, amigo é algo precioso, valioso, na vida é necessário...

Os homens não são ilhas, não vivem só, amigo é incensário!

Fica ali aceso, velando nas aflições e sorrindo na alegria...


A vida é assim, cheia de surpresas boas, não deve ser fria!

É pra ser cada dia diferente! Quero amigo assim, sem medos,

Dizer o que quiser e sentir! E ele guardar todos os segredos.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 13.04.2016

07h39min [Manhã]

Estilo:

Fricote


Quando eu me dei conta, tu já estavas ali, ao lado,

Só tínhamos futuro, não havia sombra do passado!

Pensei que ficaríamos juntos para todo sempre sim,

Te teria por inteira a vida toda, somente pra mim...


Procuro hoje em cada estrela que contamos juntos,

Onde está o enigma das palavras daqueles defuntos,

Zumbis, mortos vivos... Eles disseram com certeza,

Que o amor se ia pra sempre na água, na correnteza!


Qual o amor, o meu, o teu, o nosso? Santo Deus acuda!

Eu sei que o crente penitente o Senhor é quem cuida...

Tira me desse sonho mau que transtorna minha alma,


Quero a paz de espírito que oferecestes, e ainda a calma,

Que no deserto destes ao povo, apesar da pura rebeldia!

Ter a felicidade, que sei, eu pecador, não mereço, um dia.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 19.10.2012

19:41 [Noite]

Estilo: Soneto

Francisco Valdeci de Sousa Cavalcante

 

De notável saber e intelectualidade assim, deveras impactante,

Conheci há tempos esta nobre criatura, de São João da Parnaíba,

Com um brilho diferenciado a se notar, esse é Valdeci Cavalcante!

Um homem que sabe valorizar o seu estado natal, de baixo a riba!


Incentivador da cultura piauiense, tens a alma de um desbravador,

O sangue que corre nas tuas veias é de um grande administrador!

A história, é certo, se encarregará de contar os teus nobres feitos,

O legado estará na galeria dos benfeitores, fixando teus conceitos!


A gratidão é algo que permeia os bondosos e agradecidos corações,

Certamente este sentimento ficará para sempre nas futuras gerações,

Com muitos louvores por tuas belas realizações, em todos os setores,


Somente se destacam, fazem diferença na terra, pessoas de valores!

Que tu sejas sempre esse Hércules do Piauí, do Brasil e do mundo,

Na essência da força, do desejo de um viver feliz, amorável e profundo.

Force

  [Cantiga para Norma Suely]


Minha mãozinha escorregava lentamente à sua...

E corríamos feito loucos noite à dentro na rua!

Sem pensar, entrávamos naquela densa floresta,

Ouvíamos vozes... As cantigas de uma seresta!


O arrepio no corpo e na alma, o frio, adrenalina!

Nós perdidos nos pensamentos, e, nas fantasias...

Teu grito de terror, e eu, a acalmar-te, menina!

Aos poucos o cansaço... As rezas e as avemarias...


Faz parte de uma imaginação de antigamente...

Coisas que sem querem, a gente guarda na mente!

E depois se arrepende, por causa do sofrimento...


Na infância, é tão pouco aquele feliz momento,

Que passa feito relâmpago, que clareia e se vai...

Hoje, apenas choro triste e conto lágrima que cai.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 31.07.2013

21h20min [Noite]

Estilo: Soneto

Force


[Cantiga para Norma Suely]


Minha mãozinha escorregava lentamente à sua...

E corríamos feito loucos noite à dentro na rua!

Sem pensar, entrávamos naquela densa floresta,

Ouvíamos vozes... As cantigas de uma seresta!


O arrepio no corpo e na alma, o frio, adrenalina!

Nós perdidos nos pensamentos, e, nas fantasias...

Teu grito de terror, e eu, a acalmar-te, menina!

Aos poucos o cansaço... As rezas e as avemarias...


Faz parte de uma imaginação de antigamente...

Coisas que sem querem, a gente guarda na mente!

E depois se arrepende, por causa do sofrimento...


Na infância, é tão pouco aquele feliz momento,

Que passa feito relâmpago, que clareia e se vai...

Hoje, apenas choro triste e conto lágrima que cai.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 31.07.2013

21h20min [Noite]

Estilo: Soneto

Fonte de Luz


À minha amiga Leila Olandini


Oh! Alma inerte

Admirar-te quero,

No íntimo, o peito,

A vida toda espera.

Fagulha de luz,

De todas as estrelas,

Fonte de amor

De todas as paixões.

Na busca louca

Da loucura intensa,

Mergulho em ti

Para poder rever-me.

Grito! O mundo é surdo!

No ar a voz a tremular,

O vento urge bravo

No pestanejar da noite.

O olhar se perde fácil,

E num piscar se vai

O pensamento ao léu,

Cortando véu e céu...

A iluminar se detém,

A própria fonte de luz,

Ofuscada com o brilho

Que vem dos olhos dela.

Poeta Camilo Martins

Folha seca


Eu vi uma folha seca na estrada

E a carregá-la, um forte vento,

Ia para todos os lados sossegada,

Meditei um pouco, fiquei atento,


Folha seca, pelo vento carregada,

Sem vida, amor, triste essa sina!

Sem nenhum porto para a chegada,

E o vento logo ao fogo lhe destina.


Eu sou tal qual aquela folha seca,

Caindo do galho verde e frondoso,

Não senti da manhã a brisa fresca,


Mas jogado ao léu, o Deus bondoso,

Na Sua infinita, boa e bendita graça,

Livrou-me do fogo daquela sarça.

Foi sem querer...

 Perdoe-me o tempo e mesmo a circunstância,

Fui muito espontâneo, em tudo que você ouviu...

Mas, os meus lábios a tremer, você não viu!!

Perdi-me um pouco nas palavras e na distância!


Não sei se era o dia e a hora de tudo lhe dizer,

Mas tanto tempo se passou e sempre guardei,

Esse sentimento bom de quem na vida só amei.

Aramle, eu notei seu embaraço... Foi sem querer!


Estar ali bem perto de você, só nós dois, foi assim,

Mais que maravilhoso... Transportei minha alma,

A um tempo que foi fantástico e mágico pra mim.


Perdi a noção, a razão! Ver-lhe sorrindo... Sua calma,

Mil perdões, querida! São essas coisas que o destino,

Com suas falácias apronta e nos tira o sonho de menino.

II

Como você mesmo disse, são três décadas já passadas,

A vida nos traçou trilhos paralelos só por brincadeira...

Separou-nos sem piedade, em longas e tristes estradas!

Aquela sua primeira partida, para uma terra estrangeira...


Frustrou sim todos os meus prováveis futuros planos,

Nada mais me surpreende desde que homem me tornei,

Pois, minha vida tem sido assim, cheia de desenganos!

Já nem sei mais se vivo ou se algum dia ainda viverei.


Mas lhe juro, foi sem querer! Queria eu que não fosse,

Pois é tudo verdade de dentro do meu sofrido peito...

Sem nenhuma pretensão... Não é cantada, meu doce!


Jamais faria isso. Graças a Deus, não tenho esse defeito.

Esquece, por favor! Tudo o que nesta tarde lhe falei...

Basta apenas lembrar, por toda minha vida lhe amarei.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 16.07.09

Foi no Jardim

 Foi no Jardim

Nas gotas

Daquele bosque

Oh, santa dor

Iluminada e triste

Grossas gotas

Que por mim

Amor existe.


Oh, expressão

De angustia

Dor que ecoa

Por toda a

Eternidade

Em toda extensão

Do espaço sideral.

Nas profundezas

Daquela triste

Rocha

Pobre jardim

A contemplar

Tal cena

Serena... O fim.

Nas oliveiras

De orvalho

Intenso

O universo

Tenso a

Esperar Deus,

Vencedor!


No soprar

Do vento

A sussurrar

Baixinho

Silente fronte

A iluminar o

O véu, o céu.

O padecer

O sofrer

Sem merecer

O coroar a noite

Com espinhos

Coroa sem valor...

Somente a dor.


Oh, jardim

De madrugada

O temporal de

Sentimentos mil

Do coração

Gelado viu, um

Inocente a padecer.

Enquanto todos

Dormiam

Conversa Ele

Com o pai do céu,

Suplicando passar

dEle o cálice

Mais que cruel.


Por mim

Por você

Por todos nos...

Na vida que viveu

O amor que me

Valeu preciosa

Salvação ao céu.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 19.10.08

Foi lá...

 Não sei,

Talvez,

Quem sabe?

Na rua

A culpa

Foi tua.

Quem sabe?

Talvez,

Não sei.

Na verdade

Estavas

Toda nua.

Talvez,

Não sei,

Quem sabe?

Vapores,

E a carne

Fria e crua.

Quem sabe?

Talvez,

Não sei.

No deserto?

África...

Ou Papua?

Não sei,

Quem sabe?

Talvez.

Ah! Lembrei...

Foi num canto

Frio e escuro...

Que talvez,

Não sei,

Quem sabe?

Lambi, molhei,

553

Mergulhei, lavei

A alma e fiquei

Não sei,

Talvez,

Quem sabe?

Sem voz,

Sem luz e

Sem calma.

E talvez,

Quem sabe?

Não sei.

Tu foste,

Eu fui,

Nós fomos...

Não sei,

Talvez,

Quem sabe?

Num grito de

Puro prazer

De cacatua...

Quem sabe?

Não sei,

Talvez.

Estive contigo

Escondido na

Esquina da lua.

Camilo Martins

Aqui, hoje, 20.12.07

Foi embora, mas voltou


E lá se foi o meu amor

Procurar braços diferentes

Longe de quem nunca o enganou

Mas sempre lhe deu presentes


Seguiu, foi estrada afora

Caminhou muito até cansar

E não encontrou, pois foi embora

O amor que estava a procurar


Mas um dia pelo tempo passado

E por motivo de força maior

Meu amor quase atrasado

Não procurou mais um amor pior.


Estava eu a andar perto do rio

Intranquilo e um tanto preocupado

Quando um belo e conhecido assovio

Me deixou feliz e animado.


Era o meu amor que voltava

Aos braços de quem sempre a amou

Agora alegre e feliz estava

Pois tinha de volta o seu calor.


(31/08/82)

Foi Assim


Ela pediu pra eu ir embora,

Eu sofri!

Me deu mesmo aquele fora...

Eu sorri!

Disse que estraguei o seu dia!

Eu chorei!

Isso eu nunca, jamais ousaria.

Eu jurei!

Fiquei comigo mesmo a imaginar,

Eu morri?

Andei meio sem rumo e a pensar,

Eu me perdi!

E se ela disser um dia, despercebida,

Eu magoado!

Você estragou toda a minha vida?

Eu to voado!

Talvez tenha feito muita coisa errada,

Eu sei!

Mas eu nunca me arrependo de nada...

Eu amei!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 07.06.2012

20:07 [Noite]

Foi ali que nasci

  A todos que amam sua terra natal (apesar dos pesares)


Naquela casa ali,

        foi lá que nasci

No lugar chamado

        cidade baixa

Na casa de adobe cru

        rebocada, bem pintada

Foi lá que nasci

        naquela casinha ali

Ao lado da igreja

        a primeira do lugar

Ali bem pertinho

        daquele pé de juá

Ah, igreja da matriz

        com seu sino a tocar

Quanta saudade me dá

        recordar é chorar

Lágrimas caindo

        memória voando alto

Vai de volta até lá

        naquela casa de barro

O que é a vida, agora

        aqui tão distante

Daquela casa querida

        e do tempo que se foi

A casa ainda está lá

        eu tenho certeza disso

Vou novamente voltar

        pra tirar essa tristeza

Ou até quem sabe

        com os olhos

Cheios de dor

        fazer brotar mais

Feitoria dos Leal

        a casa era da minha vó

Da mãe do meu pai José

        querida mãe Egídia

São tolas recordações...

        para que as ter agora?

Nada mais mudarei!

        é, e nada é para sempre.

Foge de Mim

 Foge de mim minha alma em pensamento

Pelos mundos perdidos do universo

Nas galáxias e nebulosas do verso

Espalhando pelo espaço um sentimento.


Sentimento que de mim fugiu em prantos

A seguir uma estrela solitária

Em viagem interplanetária

Encantada como por sereia com os cantos.


Perdidamente apaixonado e louco, em vão

Não vê o futuro, cego de paixão

E se vai... Só pela emoção!


Foge de mim a esperança, fica no coração,

Um poço profundo e frio

De lagrimas formando um rio...


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 01.05.09

Flypper


Quando vislumbro na memória aquele pôr do sol...

Amor, foi lindo! Era um dourado diferente demais!

Os raios refletiam no teu vestido a cor do girassol,

À beirinha do rio Parnaíba, de frente para o cais!


Depois de um dia quente... Aquela brisa mansa...

Visões de um entardecer que me acompanham!

Perdão, querida! A canoa... A coroa... A transa!

Resquícios de um amor, lobos que me abocanham!


E nessa constelação de pensamentos me alucino...

Tudo já se foi, como imagens perdidas ao vento!

Ficou comigo apenas tristeza, choro e o lamento.


E vivo assim, feliz da vida, como se fosse menino!

Não divido minha solidão, nem minhas lembranças,

Apenas as alegrias e daquele tempo, as esperanças!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 10.10.2012

8:19 [Manhã]

Estilo: Soneto

Flores


Não sei porque me atraem as flores,

Se eu fosse um beija flor, saberia,

Que certamente seriam suas cores!

Os aromas, seus formatos, a alegria.

Nascer cada dia transmitindo amores!

Celestes dons que me acompanham,

Fazei me como essas flores lindas...

Que viajantes cansados apanham,

E cantam, dançam, dão boas-vindas!

Vão espalhando as pétalas nas ruas,

Enquanto as mulheres se banham...

Nos ofurôs perfumados, todas nuas!


Poeta Camilo Martins/Odinéia Martins

Aqui, hoje, 22.03.2012

20:10 [Noite]


[Estilo: Poesia em dueto] Na poesia, o dueto é uma composição feita por duas pessoas

tratando do mesmo assunto (tema), geralmente em forma de diálogo. Embora seja

desaconselhável e até condenado por muitos poetas, um mesmo autor pode compor seu dueto

em momentos diferentes, mas nunca usando o mesmo nome e sim um pseudônimo ou

heterônimo.

Flor...


(A minha querida prima e amiga Essony Ney Araújo)

Há décadas meus lábios queriam encontrar os teus!

Andei por tantos caminhos, ao léu, estrelas e sóis...

Suportei as farpas e os espinhos, segredos só meus!


Ah, quantas lágrimas de saudades e nós ali a sós...

Em dia de sol e brisa mansa te encontro na minha rua,

Manhã dessas que a gente nem imagina mais viver...

Percebi vindo sorridente em minha direção, alma nua,


Felicidade que brilhava por toda parte e eu louco pra ver!

Me abraçastes como no princípio da nossa adolescente vida...

E meus pensamentos viajaram a mil no tempo e no espaço!

A memória procurou até aquele sonho adormecido, querida...


Quando, finalmente, teus lábios tocaram os meus, um traço

Rompeu-se! E o sonhado momento mágico aconteceu e reviveu...

Meu ser foi transformado e sinto hoje a luz que em mim renasceu.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 30.05.2017

21h03min [Noite]

Estilo: Soneto

Flor Lunar


Olhei ainda há pouco a lua, amor,

Nesta noite tão taful e singela...

Não vi mais nela a minha flor,

Que de lá me olhava da janela!


Cor de sangue estava a lua,

Parecia chorar de tanta dor...

Nem me viu de alma toda nua!

A morrer por teu desprezo, amor.


Se foi com o tempo a flor lunar,

Assim minguando e desapareceu...

Ah! Se conhecesses o meu amar!


Eu sei amor, que nunca conheceu!

A lua chora, eu choro e tu sorri...

Há muito que para ti eu já morri.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 23.04.2015

21h57min [Noite]

Estilo:

Flor do Nada


E eu que pensava nas flores

como se jamais fossem

representar o dilacerar da vida.


Mas frustrei-me piedosamente

Pois é exatamente assim

Nasce bonita e radiante


cresce e vive bela e frondosa

Depois vai murchando


e se tornando desprezível

cai pétalas, folhas...


Até que finalmente e por

infelicidade das borboletas

se entrega totalmente ao nada


E se vai para não mais perfumar

a própria vida...

Flor do Deserto


Onde estás que não te vejo mais?

Flor que enfeitavas a minha vida,

Luz do meu caminho, onde estais?

Minha alma secou desde a partida!


De uma simples lágrima não passo,

Que nunca cai e nem corre pro mar...

Pisando em pedras, ando descalço,

À procura de mim mesmo, pra amar.


No meu peito ardente aquela mágoa,

Que não sara, nem desaparece e vai

Infernizar outra vida! Sangue esvai...


Felicidade na correnteza como água,

E me afundo em desesperado pranto,

Fica cego, surdo e mudo o meu canto!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 30.10.09

09:38 hs

Flor


Flor linda em botão,

Floresce na manhã,

Flamejante ao sol,

Fremindo no arrebol.

Formando um talismã,

Florindo todo o chão.

Formosa, perfumada,

Fazia inveja ao dia!

Florescia radiante...

Fornecia a sua amada,

Faceta bela e irradia,

Focos como diamante!

Fama de uma estrela,

Fazendo se mui jeitosa,

Faz me pensar em te la,

Fiz pra você esta prosa!

Findo o dia, vem a noite,

Feliz assim vai dormir...

Falando ao vento, açoite,

Fico bem aqui, a sorrir!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 21.03.2012

11:12 [Manhã]


[Estilo: Poesia em Tautograma] * Significado: (A mesma letra). * Título: Obrigatório. *

Rima: Livre. * Métrica: Livre. * Momento: Passado, presente, futuro. * Tema: Livre. *

Estrutura: Rima, métrica e ritmo são livres. * Característica: É um tipo de poesia em que

todas as palavras começam com a mesma letra.

Flex


Sim, de repente, teu corpo estava ali, inerte...

Na mansidão da madrugada, pássaros da noite,

Eu, alheio ao vento, seu malvado e doce açoite!

A voz mansa da lua em sinfonia me adverte...


Busquei a quietude do deserto para refletir e amar,

A paz que eu quero ter está no teu jeito de olhar...

E a luz que imagino buscar surge do teu coração!

Vermelha, azul, toda ofuscante... Convite à ação...


Penso... Eu tinha certeza que eras tu! Imaginei?...

Ao meu lado! Doce ilusão que me comove a alma!

Na dor da decepção, gelei... Chão que se foi, chorei!


Sou desgraçado... Esbarro sempre no mesmo trauma!

Volto às cinzas do passado, nas moendas da saudade,

Que teimam em me trucidar, desde a minha mocidade...

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 13.03.2015

19h51min [Noite]

Estilo: Soneto

Fleuma

 Há um mistério que invade minha alma por momentos,

Na eterna loucania dos corpos ardendo em movimentos

Frenéticos e ciberneticamente arquitetados numa janela...

Onde as visões do pensamento se encontram dentro dela.


O sangue corre e as veias todas se estufam em frenesi,

Correm rios de ouro avermelhados e flutuam sem sentir...

Que nesta guerra dos glóbulos brancos com vermelhos,

Não há vítimas ou vitimados, só testemunhas, os espelhos!


Consumação de paixões! Que se diz amor, mas é loucura,

E faz girar todo átomo do corpo em feliz e doce aventura,

Para muitas vezes morrer de desgosto e arrependimento!


Preço alto a pagar por poucos minutos de prazer, ao vento...

E a sofrer as consequências, sem querer, pela eternidade,

Sem ter conhecido na vida, qual a verdadeira felicidade.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 09.07.09

Final (Mente)

 Na água, o brilho do amanhecer é

fácil de ver,

será que os pássaros pensam assim também?

Não. Pássaro não pensa... Ah, se eu fosse um passarinho,

ficaria com medo dos chumbos

e das

pedras, eles ferem e matam e eu não

queria morrer porque eu saberia

voar...

Sabendo voar eu não mendigaria o pão-deles-de-cada-dia

e sendo um mendigo? Não morreria de uma pedrada,

morreria de fome, desgosto e desprezo.

E imagine que todos só veem o rio

calmo, sereno e tranquilo... e as tantas pessoas

que já morreram afogadas nele??

Pra não dizer que não falei da

realidade. Qual?

A de quem mata um

passarinho que coma ele assado ou se cale

para sempre.

E no final mente, (como todos)

não fui eu quem matou

o coitadinho que cantava

alegremente, mas cantava porque não sabia gritar

a dor e xingar quem de direito

ou não, que direito? O de dar um telefonema antes de morrer

para a namorada.

(16/02/90 – São Paulo – SP)

Fim...


lampejos,

                Vis desejos!

Solidão,

               Na amplidão!

Deserto,

              Mundo incerto!

No sepulcro,

               O invólucro!

Sem vida,

                O mármore lapida!

Se foi a dor,

                 Também o amor!

Escuridão,

                  plantado no chão!

Sem flores,

                   Adeus, amores!

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 20.08.2011

Filha


Por que fostes crescer assim tão depressa...

Flor de minha primavera, de puro amor!

Te amar para sempre é minha promessa,

A um Deus que a nós todos sabe dá valor.


Esse galopar do tempo, como um trovão...

E foi-se já a viver a tua vida, o ciclo sem fim!

Ficou apenas aquele espaço no coração...

Mas o que se pode fazer? A vida é assim!


Hoje, já estás a me apresentar a Isabela...

Fruto do teu amor, em tua linda primavera!

E que o mesmo Deus, abençoe tu ela...


Pois sem Ele, nossa vida é uma vã quimera.

Estás tão feliz... E a Isabela está também!

Que seja feliz, filha, pai, mãe, todos, amém.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 09.01.2013

12:12 [Tarde]

Estilo: Soneto

Fênix


Só agora, amor, hoje mesmo foi que compreendi...

Na luz de um silencio, na negação de ouvir tua voz!

E na solidão de nós dois, vou eternizar tudo que vivi.

Esquecerei assim pra sempre o que se refere a nós...


Peço perdão por ter te aborrecido ou mesmo um fardo!

Éramos quase meninos... Mas o tempo passa, enfim,

Estamos no entardecer da vida, a flor virou um cardo.

Tens razão, como dizes: Esquecer é o melhor pra mim!


Sentirei falta dos meus fantasmas... Sim eu confesso!

Mas não é a imensidão do mar que o torna tão lindo...

É a incerteza das ondas que vem e logo se vão indo!


E assim é a existência neste nosso infinito universo...

Mas, fica em paz, jamais te importunarei outra vez,

Prometo do fundo da alma, minha fênix... [Talvez!]


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 17.01.2015

15h11min [Tarde]

Estilo: Soneto

Feliz?

Como posso dizer que sou feliz
Se a garota que eu amo não me quis?
Como posso então falar,
Se fui proibido de amar?

Feliz, serei quando ela aceitar,
Um convite belo, pra nós amar.
Serei então muito feliz,
Pois isso é o que sempre quis.

Mas dizer que feliz eu sou,
É diferente de como estou.
Estou alegre e sorridente,
E talvez até um pouco contente.

Como dizer que estou feliz,
Se não tenho o que sempre quis,
Um dia serei, pois, estou a sonhar,
Que com você um dia irei me casar.

(09/05/82)

Felicidade...


“Felicidade, felicidade onde moras”?

Vejo muitos por ti clamar

Noite e dia sem parar

Te procuram crianças, jovens e senhoras.


Felicidade, não escutas o clamor,

De pessoas que estão a sofrer,

E que de tanto pedirem estão a morrer?

Felicidade dar-lhes teu calor.


Felicidade, o mundo está a desejar,

Mas tapas sempre os ouvidos,

Até pra muitos mais queridos,

Tardando assim eles até achar.


Felicidade, como és buscada...

Por todo povo e toda nação,

Eles te buscam de coração,

Mas não podes ser encontrada...


Felicidade, eu te procurei também

Mas não foi como os outros em vão

Pois para mim tu abristes a mão

E para sempre contigo estarei, amém!

(09/05/82)

Felicidade é tudo

 

(Cordel)

[Ao poeta cordelista e amigo Dr. Francisco de Almeida]


Se viver já é muito difícil nesse mundo,

Imagine uma vida assim só de tristeza...

Onde tudo é maldade e afeta a natureza,

Traz desgraça, dor, angustia e solidão...

A gente vê tudo virando pó e se acabando,

Vai embora sorriso que tinha e alegria...

Transformando os sonhos em ilusão!

É pesadelo meu Deus, muita agonia...

Se tivesse felicidade em gota eu compraria,

Nem que custasse mais de um bilhão!


Criancinhas vivendo com pais em um monturo,

Outras mais pedindo esmolas em sinaleiros,

Mais um tanto revirando latas em lixeiros...

Sem mesmo ver na frente da vida o tal futuro,

Autoridades fechando os olhos pra não ver,

Apenas discutindo com seu alto escalão,

Quem vai lá ocupar a melhor posição!

Que desgraça essa tal politicagem fria,

Se tivesse felicidade em gota eu compraria,

Nem que custasse mais de um bilhão!


Terremotos atingindo o mundo todo,

E uma praga de corona vírus desgraçada,

Inundações que assolam nosso planeta...

Mas pensar que é o fim é puro engodo,

Mas deixa a nossa alma sim despedaçada,

Com vontade de se esconder numa gaveta!

Esperando esse mal passar num furacão,

Enquanto ali por uma brecha se espia...

Se tivesse felicidade em gota eu compraria,


Nem que custasse mais de um bilhão!

Mas quando se nasce aqui não se escolhe,

O nosso destino é o que já está traçado...

A vida é assim, feito um barco navegando,

Se vem tempestade, chuva e você se molhe,

Não fique pensando que és um desgraçado...

Como o navio que as águas vai singrando,

Se entregue e se arrisque nessa emoção,

Pois Deus tem cuidado de tudo quanto cria!

Se tivesse felicidade em gota eu compraria,

Nem que custasse mais de um bilhão!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 19.01.2021

16h43min [Tarde]

Estilo: Cordel/Décima/Quatro estrofes

Mote: Se tivesse felicidade em gota eu compraria,

Nem que custasse mais de um bilhão

Fechando os Olhos



Fechando os olhos

Eu vejo...

A infância,

A criança...

Dentro e

Fora de mim.

Fechando os olhos

Eu vejo...

A casa que

moramos

No fundo da igreja

Adventista,

Na rua Areolino

De Abreu

Mil quinhentos

E dez,

No centro de

Teresina.

Fechando os olhos

Eu vejo...

A nossa casa,

Na rua padre Acelino

Portela numero

Cento e dez, no

Bairro matinha.

Fechando os olhos

Eu vejo...

Todos os meus

Amigos de infância

E outros mais.

Fechando os olhos

Eu vejo...

O Pirajá,

As escolas que

Eu estudei menino.

Fechando os olhos

Eu vejo...

O rio Parnaíba

Com suas

Embarcações,

E eu na beira

Pescando pataca.

Fechando os olhos

Eu vejo...

A felicidade...

Dentro e agora

Mais fora de mim!

Fechando os olhos

Eu vejo...

Que tudo passa,

Num abrir

E fechar de

Olhos...

Tão depressa

Que quando

Eu...

Fechando

Os olhos... Ao

Abrir... Não vejo

Mais nada.

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 12.01.09

Fear


[Medo]

Tu partias... Estavas tão longe, à distância,

Tu vias... Minhas lágrimas, tenho certeza...

Corrias... E nem me davas adeus, na ânsia

Sorrias... Nervosa, não refletia tua beleza...


Aonde vais, amor, com tanta pressa? Pedra,

Tu cais! Machucar-te-ás, por que faz assim?...

São triviais, o teu carinho que nunca medra!

No caís, à beira rio... O teu olhar pra mim...


Não tens coração, zombastes da minha dor,

Quando vens e me tira deste horrível sonho?

Homens! - Dizes, e me negas a desejada flor!


Ah! Deus, este pesadelo, de perca, é medonho!

Meus sentimentos feridos, minha alma tão aflita...

Só teus anjos, Senhor, dão socorro ao que grita.

Poeta Camilo Martins


Aqui, hoje, 20.04.2013

09h32min [Manhã]

Estilo: Soneto

Fazer o que?


Minha mulher

Reclama

Olhando pro

Tempo – droga,

Está chovendo

E eu tenho os

Lençóis pra

Estender...

E eu retruco

Isso não é nada

E eu que com

Chuva ou sol

Tenho a vida

Pra entender...(?)

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 17.12.08

Faz tempo...

 Ah! Quanto tempo já faz, meu Deus do céu,

Desde que beijei meu pai pela última vez...

Quanto tempo ainda me resta assim em filéo,

E o meu filhinho me beijará sem insensatez!


Selando o fim de uma angustia, de uma dor,

De uma vida atribulada, mesmo sem felicidade...

Que dirão todos ao meu redor, falarão de amor?

Ou apenas que fui sonhador em plena mocidade!?


Não posso mais beijar papai, há tempos se foi!

Filhinho, beija hoje teu papai, enquanto ele vive...

Nem que velhinho esteja, como um cansado boi!


Papai, que saudade do teu cheiro, teus abraços...

Quantas vezes, papai, em teus braços eu estive!

Hoje, a luz dos teus olhos alumiam meus passos!

Poeta Camilo Martins


Aqui, hoje, 13.08.2015

15h57min [Tarde]

Estilo: Soneto

Faz de conta

 Faz de conta que não nos conhecemos,

Faz de conta...

Faz de conta que nunca nos encontramos,

Faz de conta...

Faz de conta que nunca viajamos juntos...

Faz de conta...

Faz de conta que não te tirei do teu poço de solidão...

Faz de conta...

Faz de conta que não passeamos de mãos dadas...

Faz de conta...

Faz de conta que nunca nos beijamos ardentemente...

Faz de conta...

Faz de conta que não nos abraçamos ternamente...

Faz de conta...

Faz de conta que nunca te dei um só presente...

Faz de conta...

Faz de conta que não te mandei cestas e flores...

Faz de conta...

Faz de conta que nunca transamos intensamente...

Faz de conta...

Faz de conta que nunca chorei por ti...

Faz de conta...

Faz de conta que nunca me magoastes tanto na vida...

Faz de conta...

Faz de conta que nunca implorei para ficares só comigo...

Faz de conta...

Faz de conta que tu nunca me amastes...

Faz de conta...

Faz de conta que eu nunca te amei desesperadamente...

Faz de conta...

Faz de conta hoje mesmo, que eu morri...

Faz de conta...

Faz de conta que não me trocastes por outro...

Faz de conta...

Faz de conta que eu não te odeio por isso...

Faz de conta...

Faz de conta que tu és muito feliz e serás...

Faz de conta.

Fast


[Veloz]

[Ao amigo poeta José Henrique de Oliveira Freitas

nos seus 90 anos]


Quando pensamos que não, já se foram os sonhos...

Os passos ficaram lentos... A visão se embasou!

Quando vemos, olhamos ao passado e tristonhos,

Gritamos com voz que não sai... Juventude passou!


Quando olhamos, já é hora de, em solidão, partir...

E com dor, de nós mesmos, tristes, nos despedir!

Passamos a vida brigando com nossos fantasmas,

Sempre a nos atormentar... Vidas além, pasmas...


Começamos a respirar, quando nascemos e então,

Passamos a vida assim, pensando no dia do expirar!

Alegrias, tristezas, lutas, dores, enfim, é tudo em vão.


Lá adiante está a morte, sorridente, a nos espreitar...

Veloz passa o tempo, veloz a vida, veloz a existência!

Viver é vaidade, ilusão... Se Deus na vida é ausência.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 30.05.2015

22h45min [Noite]

Estilo: Soneto

Fardão


Não esquenta o corpo,

Somente aquece o ego.

Até parece que jaz, morto...

Tecido imortal assaz carrego.


Desenhos lúgubres de louros...

Parece até que a humanidade,

Vive banhada desses ouros,

Desprezando toda humildade.


Cuidado ao falar comigo mortal,

Não vês no meu corpo o fardão?

Não sou deste mundo teu igual,

Já superei Sócrates e o tal Platão.


E descobre-se depois, inconformado,

Que o bom título adquirido de imortal,

E que não tem onde morrer e ser enterrado


Pobre poeta, jovem, sofrendo desse mal,

Que os mais velhos viveram a proclamar,

Doença antiga, má e que não quer sarar.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 29.11.08

Falsos Olhos Verdes

 

Lembranças de Porecatu – Paraná

Eunice, a morena dos falsos olhos verdes


Muitas tentações ali aconteceram todos os dias,

Nas curvas daquelas estradas por vezes me perdi,

Aqueles falsos olhos verdes queriam ser os guias...

De todos os meus passos, mas eu jamais permiti.


Um tal Natal, louco e alucinado, queria se matar,

E eu era que tinha que impedir as suas loucuras,

Tentações para do meu objetivo ali me desviar,

E esquecer os necessitados e as almas mais puras!


Eu preocupado com um primo em Alvorada do Sul,

Trouxera do Nordeste e me comprometi em sustentar,

E ele por sua vez, trabalhar para a igreja e me ajudar...


As boas intenções em céu pra mim, não muito azul...

Desfecho triste e todos nós perdemos, nos separando...

Triste destino! E os falsos olhos verdes fui ignorando!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 06.08.09

Falei...

 Falei de mim,

Mas ela não disse de nós!

Falei de amor,

Mas ouvi de solidão!

Falei de carinho,

Ela sorriu sarcasticamente!

Falei de beijos,

Ela me mostrou os espinhos!

Falei então da flor,

Ela suspirou!

Falei de felicidade,

Vi lágrimas em seus olhos!

Falei do mar azul,

Ela me mostrou a tempestade!

Falei das montanhas,

Ela apontou para a lua!

Falei assim da vida,

Ela ficou silente!

Falei de tudo,

Ela não disse mais nada...

Falei,

Fale,

Fal,

Fa,

F.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 22.01.2015

18h38min [Noite]

Estilo: Versos livres

Falar de Saudade


Não posso tirar da

Memória estas lembranças,

Tudo o que posso falar

É da saudade!


Jamais poderei esquecer

A linda terra onde vivi feliz

Tudo o que posso falar

É da saudade!


E quem me vê forte e contente

Não sabe a dor do meu peito

Pois tudo o que posso falar

É da saudade!

O meu céu? É muito mais azul

Que este céu aqui do sul.

E o que eu posso falar...

É da saudade!


E ainda vejo indelével todo

O verde das matas, como posso

Esquecer? Tudo o que falo

É da saudade!


Quer fazer-me esquecer?

É só matar-me, pois assim

Deixarei de falar (não de sentir)

Esta saudade!


Assim mesmo, ah! Saudade!

É uma terrível realidade...

Não posso deixar de ver

Como uma visão esta verdade.

Face


Será que te perdi outra vez, em pleno fim de primavera?

Minha mente ainda está em ebulição... Sem nexo, sem chão!

Perder-te novamente, amor?! Não... Por favor, isso não!!

Mas, sangrastes sim meu coração... Felicidade, vã quimera!


Passou a manhã, foi-se a tarde... E eu a ouvir apenas o vento!

Pensei nos teus beijos e no calor do teu peito... Teus passos,

Senti até, Deus, como se fosse verdadeiro, dela... Os abraços!

Foi-se uma lágrima, duas, muitas... Longe... A um riacho lento.


Depois ouvi, não distante, o som delas chegando ao mar...

Ensurdecedor encontro... Como o nosso, que não aconteceu!

Apenas a minha frustração, mágoa, triste... No meu retornar!


Hoje, sinto somente a metade de mim, a outra... Morreu!

Fui predestinado! Nasci pra sofrer este mal que é a saudade...

E me prender nas correntes do desamor... Sem felicidade!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 16.09.2013

13h20min [Tarde]

Estilo: Soneto

Extinto...

 Esta minha vida é mesmo um mistério...

Pensei em ser leão feroz, sou cordeiro!

Raivoso, quis ser um destruidor morteiro...

Não passo de umas partículas de minério!


Queria ser fogo ardente, terrível, destruidor,

Destruiria a maldade e a minha própria dor!

Sou brasa sem mais calor, apenas um tição...

Que nem mais alumia um só triste coração!


E se em tempos antigos já fui tempestade...

Hoje morro só de pensar em ser maldade!

Verdadeiramente, vivo de solidão em solidão...


De temido vulcão ativo, em plena erupção,

Ando como fumaça presa assim em labirinto,

Choroso, cabisbaixo, lamentavelmente extinto.

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 02.09.2018

17h20min [Tarde]

Estilo: Soneto

Expiação


Por que eu fui contigo esta noite sonhar,

Oh, deusa dos meus pesadelos medonhos,

Não basta o dia e ainda vens nos sonhos...

E com a mesma solidão das noites de luar?!


Inconformismo é o meu puro sentimento...

Fui cair, mesmo em sonhos, em teus braços!

E lembrar tua boca, dos beijos e abraços...

Covardia do destino, morri nesse momento!


Quis virar a página, sem sonhos ou lembranças,

Riscar da memória aquela noite desventurada,

Sim, nós éramos ainda mesmo quase crianças!


Ficarei a expiar por toda a minha vida o nada?

Se não nos uniu nos dias lindos de outrora a vida,

Vai nos unir agora, já bem próximo da partida?...


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 25.11.2015

12h42min [Tarde]

Estilo: Soneto

Exílio (in)voluntário

 De longe penso, mui tristonho

hora o rio, hora as verdes matas

Suspiro, olho, e só um sonho

E no reflexo da água me retratas.


Quero voltar, sim, tudo ali rever

Sentir do poder que o tempo tem

De mudar as coisas sem prever

Como ondas do mar no vai e vem.


Sei que o brilho dos olhos tirara,

Da minha bela feitoria de criança...

E tudo aquilo que antes eu amara,

Se irá até o doce raio de esperança.


Mas não importa, imaginei um dia,

Nunca precisar crescer, ser, saber...

Hoje me torço e contorço de agonia

Em pensar que no fundo eu já sabia...


Triste sina o viver assim tão distante,

E por anos a fio não poder voltar!

Afagando minhas magoas de amante,

Continuo aqui sonhando e a te amar.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 24.11.08

Everest

 Monte do terror, desafio dos tolos de ideais nefastos,

Katmandu, cidade nepalesa, diz se mãe do universo!

Atraindo a muitos para os teus precipícios vastos...

Que em tempestades traiçoeiras ficam ali submerso!


Hipotermia, grito de dor, desilusão de uma vida inteira,

Quantos projetos jogados fora, e a mente vaga insana...

Oxigênio, socorro! Ninguém acode na hora derradeira!

Avisos, mortos ao redor! O monte, a ninguém engana...


Deus! Porque insistimos tanto no que é assim, diferente?

O que leva um ser humano a querer o mal, tendo o bem?

E um eco, lá na geleira, repercute em mais um acidente!


É mais do que um mistério o que na mente o homem tem.

Deixar o conforto do seu lar, o amor da família e mais...

Para subir... Ao encontro da morte e não retornar jamais!

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 03.02.2012

Euzeni Dantas

 De belíssimo e doce coração amarantino, és tu, Euzeni,

A flor mais cheirosa dos jardins literários do nosso Piauí!

Tens tua história regada pelas águas belas do Parnaíba,

E estás a brilhar, nesse sol do equador, de baixo à riba!


A espontaneidade do sorriso largo e tua alegria contagiante,

Faz se ver desde a estrela d’alva, espelhando-se no horizonte!

A vida é feita mesmo desses mistérios, na vida do viajante...

De seres angelicais que nos fazem viver bebendo de sua fonte!


Assim são os que buscam a tua sapiência de mestra no ensinar!

Satisfazer a inteligência do outro é mergulhar na tua capacidade,

Sorvendo de ti a sabedoria, no dever de caracteres aperfeiçoar!


Amor, eis o segredo em ti, da busca intensa de tanta felicidade,

A vida nos é dada para esses desafios, deixar um grande legado,

É o que estás a fazer na literatura, com coração assim apaixonado.

sábado, 15 de fevereiro de 2025

Eu Vou Subir...

 Subir a montanha

A escada

A varanda

Subir a estranha.

Subir a serra

A terra

A lua

Subir a nua.

Subir a estrada

A rua

A tua

Subir a amada.

Subir na vida

A lida

O navio

Subir o rio.

Subir a canoa

A proa

O barco

Subir o arco.

Subir a corda

A beleza

A Teresa

Subir a moda.

Subir a América

O pele

O olé

Subir o Osama.

Subir as rampas

O palácio

Os pampas

Subir o aço.

Subir, subir, 

subir Sumir, sumir, sumir 

Morrer, morrer, morrer 

Subir, sumir e morrer....

Eu Vou Me Arrepender

Sim Eu Sei Que Vou Me Arrepender
Por Você Meu Girassol De Amor
Irei, Eu Sei, Sempre Assim Sofrer
Por Ter Na Pétala Ferido A Flor

Não Sei Se Chegarei A Me Morrer
Morrer Sem Dor Sempre É Demais 
Primeiro Vou Me Arrepender
Depois Não Nos Veremos Mais

Tu Sabes, Eu Sei, Eles Sabem, 
Todos Sabem Quando Eu Então (Se) Me Arrepender
É Bom Que Tu Te Arrependas Meu Bem
 Pois Da Verdade Todos Vão Saber

Ninguém Se Arrepende Por Nada Por Tudo
 Eu Vou Me Arrepender 
Te Conheci Como Uma Linda Fada 
Hoje Não Tens Mais Nenhum Poder

Ai Que Dor De Coração Meu Bem 
Arrependimento Dói Tanto Assim? 
Paz, Paz, Para Poder Sentir 
O Bem A Morte Que Devagar Já Vem.

My Heaven

                                    A Minha amiga Giovanna Vieira Quando me dei conta, já estava envolvido, E os sentimentos todos em partes...