Na água, o brilho do amanhecer é
fácil de ver,
será que os pássaros pensam assim também?
Não. Pássaro não pensa... Ah, se eu fosse um passarinho,
ficaria com medo dos chumbos
e das
pedras, eles ferem e matam e eu não
queria morrer porque eu saberia
voar...
Sabendo voar eu não mendigaria o pão-deles-de-cada-dia
e sendo um mendigo? Não morreria de uma pedrada,
morreria de fome, desgosto e desprezo.
E imagine que todos só veem o rio
calmo, sereno e tranquilo... e as tantas pessoas
que já morreram afogadas nele??
Pra não dizer que não falei da
realidade. Qual?
A de quem mata um
passarinho que coma ele assado ou se cale
para sempre.
E no final mente, (como todos)
não fui eu quem matou
o coitadinho que cantava
alegremente, mas cantava porque não sabia gritar
a dor e xingar quem de direito
ou não, que direito? O de dar um telefonema antes de morrer
para a namorada.
(16/02/90 – São Paulo – SP)
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