terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Final (Mente)

 Na água, o brilho do amanhecer é

fácil de ver,

será que os pássaros pensam assim também?

Não. Pássaro não pensa... Ah, se eu fosse um passarinho,

ficaria com medo dos chumbos

e das

pedras, eles ferem e matam e eu não

queria morrer porque eu saberia

voar...

Sabendo voar eu não mendigaria o pão-deles-de-cada-dia

e sendo um mendigo? Não morreria de uma pedrada,

morreria de fome, desgosto e desprezo.

E imagine que todos só veem o rio

calmo, sereno e tranquilo... e as tantas pessoas

que já morreram afogadas nele??

Pra não dizer que não falei da

realidade. Qual?

A de quem mata um

passarinho que coma ele assado ou se cale

para sempre.

E no final mente, (como todos)

não fui eu quem matou

o coitadinho que cantava

alegremente, mas cantava porque não sabia gritar

a dor e xingar quem de direito

ou não, que direito? O de dar um telefonema antes de morrer

para a namorada.

(16/02/90 – São Paulo – SP)

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