terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Gazal dos Loucos


Sou andarilho, não louco! (A)

Nem posso cantar, estou rouco. (A)

Querem o meu sangue, a vida? (B)

Posso dar, isto é bem pouco! (A)

Covardes! Atirem-me a pedra, (C)

Ouço passos, não sou mouco, (A)

Nem sou Madalena, a pecadora! (D)

Raça de víboras, ovo choco, (A)

Jazem na podridão da ferida! (E)

E da lama faz seu lar, és porco! (A)

Não, não sou louco, criatura! (F)

Sou artista, pintor... Eu ouço, (A)

O aplauso efusivo da multidão! (G)

Mas vós me preparais arcabouço... (A)

Loucos não têm alma... E eu?! (H)

Já nem eu sei mais, tampouco. (A)

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje,22.03.2012

11:39 [Manhã]


[Estilo: Poesia em Gazal ou Gazel] Gazal ou Gazel é um poema de forma fixa de

origem Árabe, cujo início data do século VII. A temática do Gazal é o amor, o sentimento

humano e também o lado místico da vida. Poeta maior, que se dedicou à composição do Gazal

foi Hafiz. A composição do Gazal é estruturada em dísticos (até 15 dísticos) e as rimas são

organizadas da seguinte maneira:

AA // BA // CA // DA // EA // FA // GA

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