Sou andarilho, não louco! (A)
Nem posso cantar, estou rouco. (A)
Querem o meu sangue, a vida? (B)
Posso dar, isto é bem pouco! (A)
Covardes! Atirem-me a pedra, (C)
Ouço passos, não sou mouco, (A)
Nem sou Madalena, a pecadora! (D)
Raça de víboras, ovo choco, (A)
Jazem na podridão da ferida! (E)
E da lama faz seu lar, és porco! (A)
Não, não sou louco, criatura! (F)
Sou artista, pintor... Eu ouço, (A)
O aplauso efusivo da multidão! (G)
Mas vós me preparais arcabouço... (A)
Loucos não têm alma... E eu?! (H)
Já nem eu sei mais, tampouco. (A)
Poeta Camilo Martins
Aqui, hoje,22.03.2012
11:39 [Manhã]
[Estilo: Poesia em Gazal ou Gazel] Gazal ou Gazel é um poema de forma fixa de
origem Árabe, cujo início data do século VII. A temática do Gazal é o amor, o sentimento
humano e também o lado místico da vida. Poeta maior, que se dedicou à composição do Gazal
foi Hafiz. A composição do Gazal é estruturada em dísticos (até 15 dísticos) e as rimas são
organizadas da seguinte maneira:
AA // BA // CA // DA // EA // FA // GA
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