terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Fardão


Não esquenta o corpo,

Somente aquece o ego.

Até parece que jaz, morto...

Tecido imortal assaz carrego.


Desenhos lúgubres de louros...

Parece até que a humanidade,

Vive banhada desses ouros,

Desprezando toda humildade.


Cuidado ao falar comigo mortal,

Não vês no meu corpo o fardão?

Não sou deste mundo teu igual,

Já superei Sócrates e o tal Platão.


E descobre-se depois, inconformado,

Que o bom título adquirido de imortal,

E que não tem onde morrer e ser enterrado


Pobre poeta, jovem, sofrendo desse mal,

Que os mais velhos viveram a proclamar,

Doença antiga, má e que não quer sarar.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 29.11.08

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