Não esquenta o corpo,
Somente aquece o ego.
Até parece que jaz, morto...
Tecido imortal assaz carrego.
Desenhos lúgubres de louros...
Parece até que a humanidade,
Vive banhada desses ouros,
Desprezando toda humildade.
Cuidado ao falar comigo mortal,
Não vês no meu corpo o fardão?
Não sou deste mundo teu igual,
Já superei Sócrates e o tal Platão.
E descobre-se depois, inconformado,
Que o bom título adquirido de imortal,
E que não tem onde morrer e ser enterrado
Pobre poeta, jovem, sofrendo desse mal,
Que os mais velhos viveram a proclamar,
Doença antiga, má e que não quer sarar.
Poeta Camilo Martins
Aqui, hoje, 29.11.08
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