terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Exílio (in)voluntário

 De longe penso, mui tristonho

hora o rio, hora as verdes matas

Suspiro, olho, e só um sonho

E no reflexo da água me retratas.


Quero voltar, sim, tudo ali rever

Sentir do poder que o tempo tem

De mudar as coisas sem prever

Como ondas do mar no vai e vem.


Sei que o brilho dos olhos tirara,

Da minha bela feitoria de criança...

E tudo aquilo que antes eu amara,

Se irá até o doce raio de esperança.


Mas não importa, imaginei um dia,

Nunca precisar crescer, ser, saber...

Hoje me torço e contorço de agonia

Em pensar que no fundo eu já sabia...


Triste sina o viver assim tão distante,

E por anos a fio não poder voltar!

Afagando minhas magoas de amante,

Continuo aqui sonhando e a te amar.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 24.11.08

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