Ao amigo e irmão Luiz Martins de Morais (Luiz Dicosa)
O que te dizer agora, meu amigo,
Quando mais um filho teu vai embora?
Verte tuas lágrimas, derrama teu pranto,
Não tenho palavras para ti nesta hora!
Não posso dizer-te: sinto muito! Jamais
Poderia, só sente quem passa por isso.
Estremeço só em pensar na tua dor! Assim...
Como pai, apenas imagino a dor da perda.
A vida, a lida, a ida... Tudo é mistério!
Quem sabe um dia em alto e bom som,
Ouvirás, do próprio criador, o motivo,
Da trágica partida do teu filho Gilson.
Na minha mente está a imagem incólume
Daquele garoto, loirinho, tranquilo e calmo!
No meu coração trago a mesma pergunta
Que o incomoda tanto: Por quê? Por quê?
Certamente não compreenderemos nunca!
Não aceitaremos nunca! Não fomos feitos
Para sofrer, chorar, morrer, não, isso não!
É a miséria do pecado que fez tudo isso.
Amigo Luiz e Maria Luiza, que eu amo tanto,
Não peço que entendam as perdas, até,
Porque isso é impossível, mas peço que, com,
Resignação e paciência suportem em Jesus.
A tristeza invadiu o meu ser também!
Mas sei que tu és muito forte, me lembro!
Fazes fogo com gravetos, tiras água da pedra,
Sobes a serra correndo e ainda cantas pra lua.
Certamente, amigo, tirarás forças, de onde...
Não tens para suportar mais este duro golpe!
Que dói, mas passa, fica a cicatriz, mas se vai...
Todos passamos e vamos rumo ao desconhecido.
Já percebeu que os bons vão mais cedo?
Por quê será? Há um segredo especial!
Que só o pai celestial poderá nos revelar.
E aí sim, perderemos pra sempre o medo!
Deus vos ama muito, posso crer, porque,
Só quem é amado tanto é provado assim.
Quisera eu estar aí para abraçar-vos e dizer
Isso pessoalmente... Chorar junto a vossa perda.
Buscamos respostas, procuramos encontrar...
Explicações, esquecendo do poder do alto,
Do Deus que perdeu seu próprio filho também!
E que deve ser o nosso confortador sempre!