Meus dois avôs eram Raimundo...
Um só gostava de milho,
o outro de rodar o mundo!
Enquanto um armava arapuca,
o outro matava curicas,
nas matas da feitoria!
Um plantava filhos,
se for contar eram doze...
Do outro foram só onze!
Meus avôs eram birrentos,
um cantava à noite,
o outro sorria aos ventos...
Um bebia horrores...
O outro com seus lamentos,
e os dois com sofrimentos!
Um avô amava as flores,
o outro cachaça e dores...
E juntos mentiam à beça!
Enquanto um colhia vidas,
das vidas das maritacas...
O outro pedia o fumo!
Meus dois avôs eram brabos,
feito carneiros nos campos,
sendo que os dois eram mancos!
Um avô partiu bem cedo,
jovem de tudo ainda...
O outro bebeu mais tempo!
E quando chegou a partida,
deitou numa preguiçosa...
Ali descansou pra sempre!
Meus dois avôs eram Raimundo,
um iluminou nossas vidas...
O outro amou todo mundo!
Poeta Camilo Martins
Aqui, hoje, 12.10.2017
09h09min [Manhã]
Estilo: Livre (Poesia em Terceto)
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