Em saudosa memória de
Dona Tinoca
(Pescadora no rio
Parnaíba nos meus tempos de
Menino, morando na
matinha, em Teresina/Piauí)
Lança o pescador, esperançoso, sua tarrafa,
Naquele remansoso rio, de cristalinas águas,
Que leva, em correnteza, suas tristes mágoas,
Na solidão, grita, mas, seu pobre mundo abafa!
Ah, se por sorte pescasse sua própria felicidade!
Mas, a tarrafa traz apenas o que o rio lhe oferece,
Na imensidão dos desejos queremos é mais idade!
Mas para viver assim, como quem sempre padece?
Não! Isto não é viver, é morrer dia a dia, pescador!
Tarrafa tem que trazer ao menos esperança, amor,
Saciar a fome infeliz, que nos judia, corpo e mente!
Na essência das águas, correndo em rio docemente,
Um tarrafeiro solitário, pescador de sonho e ilusão...
Nada pesca, volta pra casa... E, vazio, vai o coração.
Camilo Martins
Aqui, hoje, 29.08.2021
09h56min [Manhã]
Estilo: Soneto
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