sábado, 3 de agosto de 2024

A Tarrafa

Em saudosa memória de Dona Tinoca

(Pescadora no rio Parnaíba nos meus tempos de

Menino, morando na matinha, em Teresina/Piauí)


Lança o pescador, esperançoso, sua tarrafa,

Naquele remansoso rio, de cristalinas águas,

Que leva, em correnteza, suas tristes mágoas,

Na solidão, grita, mas, seu pobre mundo abafa!

 

Ah, se por sorte pescasse sua própria felicidade!

Mas, a tarrafa traz apenas o que o rio lhe oferece,

Na imensidão dos desejos queremos é mais idade!

Mas para viver assim, como quem sempre padece?

 

Não! Isto não é viver, é morrer dia a dia, pescador!

Tarrafa tem que trazer ao menos esperança, amor,

Saciar a fome infeliz, que nos judia, corpo e mente!

 

Na essência das águas, correndo em rio docemente,

Um tarrafeiro solitário, pescador de sonho e ilusão...

Nada pesca, volta pra casa... E, vazio, vai o coração.

 

 

Camilo Martins

Aqui, hoje, 29.08.2021

09h56min [Manhã]

Estilo: Soneto


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