De que adianta
um invólucro bonito
se o conteúdo é podre?
De que adianta
a beleza se o coração
é perverso no verso?
De que adianta
a dor se no final
tudo se vai mesmo?
De que adianta
nascer na terra
se o sofrer é certo?
De que adianta
a vida inteira
se aos 70 ou 80 se morre?
De que adianta
a arrogância humana
quando tudo passa?
De que adianta
ser feliz com tanta
tragédia ao redor?
De que adianta
o olhar sereno
se a boca é maldita?
De que adianta
a igreja se o cristo
deve estar dentro de nós?
De que adianta
ser rico se para onde
vamos nada levamos?
De que adianta
ter, se não
partilhamos?
De que adianta
falar se não
vivemos?
De que adianta
a saúde se cedo
ou tarde a perdemos?
De que adianta
o fogo se nos
queimamos?
De que adianta
a água se nos
afogamos nela?
De que adianta
o prazer se depois
sentimos nojo?
De que adianta
a palavra se não
a cumprimos?
De que adianta
o grito se o eco
nos confunde?
De que adianta
o perfume se a flor
murcha e morre?
De que adianta
o sonho se não temos
como o realizar?
De que adianta
a pergunta se não
temos a resposta?
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