Não passo de um pobre desgraçado,
Que ousa desafiar a triste sorte,
Driblar inutilmente a tal da morte,
Sobre a própria sombra debruçado!
Se penso em mim, sou moribundo...
Pensando nela não passo de covarde!
Sem mais raios de sol ao cair da tarde,
Fecho-me, em meu obsoleto mundo.
Sou um fraco eu confesso, acredite!
Quero e não digo, digo e não falo...
Os pensamentos vão todos pelo ralo,
Na imensidão do meu desejo e apetite!
Lambendo os lábios, a língua é espinhos,
Imaginando tua carícia... Teus carinhos!
Poeta Camilo Marins
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