quinta-feira, 8 de agosto de 2024

Casa Igreja

 Era a casa de tia Antônia

Casinha bonita e risonha

De dia era sua casinha

A noite uma igrejinha.


Casa de chão batido

Sem armário embutido

Uma forquilha comprida

Segurava a colmeeira partida.


Os bancos eram de tora,

De dia ficavam lá fora,

Nos cultos serviam de assento.

A cobertura, de palha ao vento.


Pertinho ficava uma lamparina,

A sala toda ficava clarinha,

E assim o pregador lia bem,

Explicando a bíblia também.


Esse pregador era o tio Elias.

Às vezes em noites bem frias,

Ficávamos a ouvir quietinhos,

Nos colos das tias quentinhos...


Eu sempre adormecia ao ouvir

As estórias de um lindo porvir,

Que tio Elias tão bem contava!

Aquilo era certo, me embalava.


Hoje a casa igreja não existe mais,

Tudo mudou! Mas eu, jamais!

Terei sempre na minha lembrança,

Essa doce e bela cena da infância.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 03.06.09 


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