segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Caminho assim

 

Chego à entrada da minha terra máter, feliz,

Olhando tudo e cheirando o chão feito calango...

Havia dez anos eu parti, virei um vil candango!

E todo esse tempo não pude fazer o que quis.

 

Há na memória, sempre, a vista linda da serra,

O cheiro que vinha das minhas matas queridas...

Ao longe ouvia bezerros e umas vacas paridas!

O choro em brisa mansa que o coração encerra.

 

Hoje caminho assim, como um rude rio que divide...

De um lado está uma tristeza eterna da partida!

E do outro uma solidão, amarga, do fruto da vide.

 

Uma única certeza: Todo dia uma lágrima é vertida.

Não quero que seja utopia ou uma simples ilusão,

Sepultem aqui o meu corpo, e lá enterrem o coração.

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 19.02.2012

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