sábado, 3 de agosto de 2024

A Velha Figueira

 

Estava sempre ali, velha e frondosa,

Na entrada da porteira da velha casa,

Grande figueira, sombra bondosa,

Refrescante alivio do sol em brasa.

 

E eu sempre a admirar a figueira!

Centenária arvore, repouso das aves.

A balançar ao vento bem fagueira,

Eu a ouvir os cantos, doces, suaves...

 

Os animais embaixo, ali dormiam,

No murmúrio lindo do entardecer.

Na raiz lagartas tantas que fremiam...

Desapareciam logo ao anoitecer.

 

Ah! A figueira, a porteira, a casaria...

De pessoas queridas que eu guardo,

E amo sempre, muito, aquela calmaria,

E ter no coração nunca será um fardo.

 

Minha querida tia morena e tio Antonino...

Prima Luiza (Lulu) e querida prima Teresa,

Que naquele meu bom tempo de menino,

Achava tudo deslumbrante, uma beleza!

 

Hoje recordo triste, me vem tudo a mente...

Talvez a figueira, não sei, ainda esteja lá,

Só os meus sonhos, os tenho docemente,

Indeléveis, eternamente, comigo vou levar.

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 29.11.08  

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