sábado, 3 de agosto de 2024

Amor Verde

 

Olhar profundo e sereno

cabelos pretos como a noite

rosto limpo como água

que brotou da nascente

 

na meiguice do corpo aveludado

e aquela roupa fina a deslizar

roçando os seios com ternura

depois do banho de perfumes belos

 

Depois a boca a murmurar baixinho

doces palavras como melodias

e os meus ouvidos a elas atentando

para depois seguir o seu caminho

 

E eu ficava atônito e perplexo

como podia aquela como por encanto

dominar-me inteiro como labareda

queimando o corpo e consumindo a alma?

 

Era magia, hipnotismo, algum encantamento

pois na velocidade do seu pensamento

eu pronto ali me entregava a tudo

fui servo, escravo, fui um moribundo

 

Enquanto outro a tinha por inteira

eu cá comigo maldizia em prantos

aquela sorte, febre derradeira

que maltratava e trazia a morte

 

Talvez por castas nos meus olhos

ou até mesmo a me olhar profundo

não visse mesmo assim tanto querer

que a fizesse entregar-se a tudo

 

Mas se entregava por palavras

quando comigo conversava

dizendo coisas lá do outro mundo

sabendo muito que eu a amava

 

E descobri depois que tudo isso

era o verde amor que me brotava

do fundo d’alma o mesmo suspirava

sufocando-se já em desespero

 

Prematuro amor, prematuro querer

e a cruel pretendida a isso perceber

aproveitou-se bem do desgraçado

que acorrentado aos seus pés estava

 

Maurícia, Maurícia! Grito teu nome

como forma de desabafar meu lamento

pois como te posso tirar da lembrança?

Depois de todo aquele sofrimento.

 

Tenho muitas queixas e ao mesmo tempo

sinto que não as devo ter

pois penso na doçura e na meiguice

na beleza por completo de Maurícia.

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