Olhar profundo e sereno
cabelos pretos como a noite
rosto limpo como água
que brotou da nascente
na meiguice do corpo aveludado
e aquela roupa fina a deslizar
roçando os seios com ternura
depois do banho de perfumes belos
Depois a boca a murmurar baixinho
doces palavras como melodias
e os meus ouvidos a elas atentando
para depois seguir o seu caminho
E eu ficava atônito e perplexo
como podia aquela como por encanto
dominar-me inteiro como labareda
queimando o corpo e consumindo a alma?
Era magia, hipnotismo, algum encantamento
pois na velocidade do seu pensamento
eu pronto ali me entregava a tudo
fui servo, escravo, fui um moribundo
Enquanto outro a tinha por inteira
eu cá comigo maldizia em prantos
aquela sorte, febre derradeira
que maltratava e trazia a morte
Talvez por castas nos meus olhos
ou até mesmo a me olhar profundo
não visse mesmo assim tanto querer
que a fizesse entregar-se a tudo
Mas se entregava por palavras
quando comigo conversava
dizendo coisas lá do outro mundo
sabendo muito que eu a amava
E descobri depois que tudo isso
era o verde amor que me brotava
do fundo d’alma o mesmo suspirava
sufocando-se já em desespero
Prematuro amor, prematuro querer
e a cruel pretendida a isso perceber
aproveitou-se bem do desgraçado
que acorrentado aos seus pés estava
Maurícia, Maurícia! Grito teu nome
como forma de desabafar meu lamento
pois como te posso tirar da lembrança?
Depois de todo aquele sofrimento.
Tenho muitas queixas e ao mesmo tempo
sinto que não as devo ter
pois penso na doçura e na meiguice
na beleza por completo de Maurícia.
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