Ali, com olhar fixo em um cenotáfio, terras distantes...
Longe do tempo em que, feliz, tinha a sua iluminação!
Guerra cruel entre o real e o imaginário, de Cervantes!
Um sofredor dom Quixote, no peito, a doce obstinação...
Pobre poeta, tomba jovem, sem nenhum reconhecimento,
corpo e coração não identificados, a alma pena recolhida!
Um anônimo na multidão, sem anotar data de nascimento,
posto que apenas existiu, era um ser, de pura vida renhida!
Descreve todos, escreve tudo, sem ao menos ser o descrito,
a inscrição no túmulo desconhecido: “De si mesmo adstrito”
ligado apenas a si, só e sempre em profunda introspecção...
Poetas não nascem, eles surgem, são de outra dimensão!
Não precisam de um lugar para repousar os restos mortais,
são eternos nos corações, imortais, ao passarem os portais.
Poeta Camilo Martins
Aqui, hoje, 07.04.2022
17h40min [Tarde]
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