És uma louca! Por que me tratas assim, louca?!
Loba devoradora de almas desavisadas e nuas,
Tens a beleza das bromélias e a voz tão rouca!
Lembro, todas as minhas atenções eram tuas...
E a primavera inteira era só um começo azul,
Lá do céu, floreando a minha vida por inteiro!
Eras meu rumo, estrela, como o cruzeiro do sul,
Marcavas todos meus dias de janeiro a janeiro!
Na minha solidão, te implorava abrigo, afago...
Hoje, de um bom veneno, quero apenas um trago!
Posto que toda a minha vida se foi ao te ver assim,
Grito! Como quem está perdido em pleno deserto...
Não enxergo mais um começo e nem mesmo fim!
Angustiado, de terrível pesadelo, amor, eu desperto.
Poeta Camilo Martins
Aqui, hoje, 16.10.2012
18:22 [Noite]
Estilo: Soneto
Nenhum comentário:
Postar um comentário