Esta estrada era muito temida
E terrível para mim e ao mesmo
Tempo eu a amava muito!
Tinha a casa do seu Antônio Maltide,
A casa da dona loura e do seu
Candido com muitos filhos.
Lembro quando menino que
Fui lá com a minha avó Luiza
Para sepultar um recém nascido
De dona loura que faleceu e
Ela enterrou debaixo de um pé
De laranja dentro de uma caixinha.
Passava na casa de minha tia
Morena ou tia Bilar para alguns,
Na frente da casa um grande e
Velho pé de figueira, ao lado
Um curral com muitas vacas...
Tinha um grande quintal com
Muitas frutas, mamão, goiaba,
Laranja, magas... Eu subia
Naquelas árvores e era o
Máximo sempre para mim.
A casa do seu Luiz Melancia
Pai do saudoso Pedim Melancia.
Depois a casa do tal Vicentão,
Esse era assassino e cruel,
Matou minha tia Teresinha,
Irmã mais nova de meu pai,
Covardemente, com várias facadas,
Eu ainda era muito pequeno.
E mais à frente à casa do seu Inácio,
Caçador dos melhores, meu amigo!
Finalmente a mata com muitos
Pássaros, outra estrada cruzando
Que saia da estrada dos macacos
E ia para a baixa e ao lado o açude
Que levava o nome do dito cujo
Que mesmo preso pelo crime
Causava-me arrepios só em
Passar em frente à casa dele.
Por isso essa estrada era assim
Terrível e amada ao mesmo
Tempo, quando eu era criança.
Adios
Despedi-me como se fosse assim a última vez,
Sentimento que não iria te ver nunca mais!
No remanso insólito de tua pura embriaguez,
Fui um louco confiante à beira daquele cais!
Com aquele sol já dando lugar a lua cheia,
Uma canoa singrando as águas claras do rio...
E eu a espiar tua silhueta refletida e a teia
Na qual me envolvi... Sem saída, eu sorrio!
Hoje, ao olhar o passado que reflete na mente,
Como o rio, a água, a canoa, a lua... Lá estás...
Por anos derramo a mesma lágrima docemente!
Dizer aquele adeus, foi mesmo que morrer, aliás,
Assim, cada vez que recordo vejo que estou morto,
Por estar em ti completo e profundamente absorto.
Poeta Camilo Martins
Aqui, hoje 14.09.2014
19h09min [Noite]
Estilo: Soneto
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