sábado, 3 de agosto de 2024

Açude do Vicentão

 

Esta estrada era muito temida

E terrível para mim e ao mesmo

Tempo eu a amava muito!

Tinha a casa do seu Antônio Maltide,

A casa da dona loura e do seu

Candido com muitos filhos.

Lembro quando menino que

Fui lá com a minha avó Luiza

Para sepultar um recém nascido

De dona loura que faleceu e

Ela enterrou debaixo de um pé

De laranja dentro de uma caixinha.

Passava na casa de minha tia

Morena ou tia Bilar para alguns,

Na frente da casa um grande e

Velho pé de figueira, ao lado

Um curral com muitas vacas...

Tinha um grande quintal com

Muitas frutas, mamão, goiaba,

Laranja, magas... Eu subia

Naquelas árvores e era o

Máximo sempre para mim.

A casa do seu Luiz Melancia

Pai do saudoso Pedim Melancia.

Depois a casa do tal Vicentão,

Esse era assassino e cruel,

Matou minha tia Teresinha,

Irmã mais nova de meu pai,

Covardemente, com várias facadas,

Eu ainda era muito pequeno.

E mais à frente à casa do seu Inácio,

Caçador dos melhores, meu amigo!

Finalmente a mata com muitos

Pássaros, outra estrada cruzando

Que saia da estrada dos macacos

E ia para a baixa e ao lado o açude

Que levava o nome do dito cujo

Que mesmo preso pelo crime

Causava-me arrepios só em

Passar em frente à casa dele.

Por isso essa estrada era assim

Terrível e amada ao mesmo

Tempo, quando eu era criança.

 


 

Adios

 

Despedi-me como se fosse assim a última vez,

Sentimento que não iria te ver nunca mais!

No remanso insólito de tua pura embriaguez,

Fui um louco confiante à beira daquele cais!

 

Com aquele sol já dando lugar a lua cheia,

Uma canoa singrando as águas claras do rio...

E eu a espiar tua silhueta refletida e a teia

Na qual me envolvi... Sem saída, eu sorrio!

 

Hoje, ao olhar o passado que reflete na mente,

Como o rio, a água, a canoa, a lua... Lá estás...

Por anos derramo a mesma lágrima docemente!

 

Dizer aquele adeus, foi mesmo que morrer, aliás,

Assim, cada vez que recordo vejo que estou morto,

Por estar em ti completo e profundamente absorto.

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje 14.09.2014

19h09min [Noite]

Estilo: Soneto

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