Algo que não lembro mais
Também já faz tanto tempo
No meio de um rio de águas
Fétidas chamado rio panelas.
A cidade era Belém de Maria
No interior Pernambucano
Eu tinha só uns quinze anos
Coração ainda em formação,
E a felicidade ainda por chegar.
Talvez algum sinal de paixão
Eu devo ter escrito na folha,
Pois para isso existiam razoes,
Claro que com muita ilusão,
E na mente muita confusão.
Sentimentos que iam e vinham
Vontades que não passavam
Beijos adormecidos, acalentados
Para muitas bocas sempre proibidas.
Nas ações dos verbos a jorrar.
O que será que escrevi na folha?
Folha sem vida de uma arvore viva,
Sentado nas pedras do rio fedido
Imagino a cena e sinto ainda a dor
No escorregão do lápis água a fora.
Desiludido e até desanimado fui
A desistir tentado sempre estive
Até que num vislumbre celestial
saltei da pedra e larguei a folha,
Que desceu nas águas rio abaixo.
E lá se foi a folha com seu conteúdo
Que não consigo até hoje lembrar
Também já se foram trinta anos
Não sei nem se ainda existe o rio,
E aquela escrita, nenhuma importância.
Poeta Camilo Martins
Aqui, hoje 30.09.2008
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