domingo, 6 de abril de 2025

Incerto coração (Ou o que escrevi naquela folha seca?)

 Algo que não lembro mais

Também já faz tanto tempo

No meio de um rio de águas

Fétidas chamado rio panelas.

A cidade era Belém de Maria

No interior Pernambucano

Eu tinha só uns quinze anos

Coração ainda em formação,

E a felicidade ainda por chegar.

Talvez algum sinal de paixão

Eu devo ter escrito na folha,

Pois para isso existiam razoes,

Claro que com muita ilusão,

E na mente muita confusão.

Sentimentos que iam e vinham

Vontades que não passavam

Beijos adormecidos, acalentados

Para muitas bocas sempre proibidas.

Nas ações dos verbos a jorrar.

O que será que escrevi na folha?

Folha sem vida de uma arvore viva,

Sentado nas pedras do rio fedido

Imagino a cena e sinto ainda a dor

No escorregão do lápis água a fora.

Desiludido e até desanimado fui

A desistir tentado sempre estive

Até que num vislumbre celestial

saltei da pedra e larguei a folha,

Que desceu nas águas rio abaixo.

E lá se foi a folha com seu conteúdo

Que não consigo até hoje lembrar

Também já se foram trinta anos

Não sei nem se ainda existe o rio,

E aquela escrita, nenhuma importância.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje 30.09.2008

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