domingo, 6 de abril de 2025

Ingratidão


Recebi aquela carta como quem amaria pra toda vida,

A li, como quem jamais iria amar outra pessoa assim...

Num turbilhão de meus sentimentos, na triste partida,

Foste tu que perdão viestes, arrependida, pedir a mim!


Chorei, como quem enterra a própria alma, imaculada,

E pendurei minha esperança à sombra de um cajueiro!

Foi ali, às margens do açude, com lágrima acumulada...

Que derramei todo pranto e joguei a carta num bueiro!


De desgraças, meu coração já estava cheio! Não mais...

Pensei, deixar transbordar com noticia tão traiçoeira!

Não me querer e por isso eu morrer, nunca... Jamais!


Derramei todo o meu amor... Mas foi coisa passageira!

Senti a ingratidão, como quem sofre assim injustamente,

Mas justiça é sempre de Deus, que tudo vê, secretamente.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 24.05.2014

21h52min [Noite]

Estilo: Soneto

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