Em que fundo de poço fui parar, rota cisterna...
Mendigar de ti uma simples e singela fotografia!
Meu coração em amorosa expectativa já ardia...
Jamais imaginei tal negação, de uma alma terna!
O que queres de mim, Deus, que eu morra então,
Revendo meus conceitos em negação de tudo?...
Por uma criatura que basta eu ver, me deixa mudo,
Mesmo eu longe sempre me aparece em visão?...
A luz dos meus olhos a segue a noite toda e de dia,
Incansavelmente pronuncio o seu nome e adormeço,
Em meu momento de lucidez grito que não a mereço!
Mas ali na lama do fundo do meu poço sem alegria,
Choro até secar minhas lágrimas, acordo em prantos,
E toda a realidade que neguei, sela os meus cantos.
Poeta Camilo Martins
Aqui, Hoje, 29.05.2016
09h14min [Noite]
Estilo: Soneto
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