domingo, 6 de abril de 2025

Lá Vem...


Vem A Noite Com Seus Açoites

Vem Chicotadas Sem Fim

Ferindo O Céu E A Terra

Não Posso Ter Dó De Mim


Vem O Vento E A Chuva

Vem Tempestade E A Dor

Relâmpagos E Trovões

Desafeto E Desamor


Lá Vem A Maldita Da Ferida

Que Teima Em Não Mais Sarar

Das Entranhas Do Menino

De Tão Fraco Está A Cair


Lá Vem A Fome No Sertão

Sem Calango Nem Rolinha

Sem Nenhum Grão De Feijão


Lá Vem...Vem...Vem A Morte.

Lá Vem Então A Procissão

Gritando Rezas Sem Fim

Não Se Entende Seu Lamento


Quando A Morte Vem É Assim

Lá Vem Solidão E Mais Tristeza

Sete Palmos Pra Baixo Do Chão

Sem Açoites, Chuva Ou Sol


Descansando Só No Sertão.

Eu Não Queria, Ninguém Quer

Mas Vem Os Dois Palmos De Lenho

Pode Pedir, Pode Chorar

Implorando Ou Não, Sim, Vem.

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