Era uma mata verde e bonita
Pois bonita e verde sempre é
Quando não há esta poluição... infinita
Só verdor, ar puro, água limpa
Mas chora a mata em desespero
Num grito alarmante um desabafo
Porque me maltratam tanto?
Eu que só faço o bem...
Grito, sim grito para o mundo me ouvir
E tomar uma decisão
Se não ligam mais para mim eu vou
Me suicidar, e adeus ao mundo vou dar
Responde o rio que corre calmo e
Sereno, eu também digo o mesmo se
Continuam em mim jogando estes
Lixos, esgotos e produtos químicos eu
Também me suicido.
Por que já não posso mais... esta
Água que vocês veem em mim
Ah, não imaginam nem o que contém
E dito isto suspirou e deu uma pausa
Para um outro amigo falar.
Foi aí que desabafou em lágrimas
Uma nuvenzinha que chegava... cansada
Ela disse: Amigos venho agora da
Cidade vejam como estou sufocada... preta
De fumaça... de poeiras...
E dito isto também não pôde mais
Continuar e soluçando calou-se...
Cabisbaixo apareceu como que de repente
Um pinheiro... já envelhecido precocemente
Pelas químicas e pelo tempo...
Disse ele: Meus amigos... o tempo muda
As coisas, os homens... Ah, estes não
Conhecem o bem a vida em si.
Estão se auto destruindo a cada dia...
Há alguns anos atrás eu conhecia
Todos os animais, porque eles passavam
Por debaixo de mim, repousavam em minhas
Sombras... Hoje, ah, hoje não se vê mais
Aqueles lindos animais ... Aquelas aves que
Tão alegres bebiam da sua água rio
Percorria toda a sua extensão mata
Pousavam em minhas galhas ... e como eu
Achava lindo tudo aquilo...
Hoje estou morrendo, morro de desgosto
Pela esta vida que temos... só poluição
Poluentes... Já não é possível mais
Viver! Com este ar... Com esta água...
Homens... Homens não vê o que fazem
Primeiro o machado... Agora serras elétricas...
Como, como podemos suportar...
Adeus... Adeus porque não aguento
Mais... Parem o mundo e volte
Atrás... pois assim nada restará aqui.
E desmanchando-se em lágrimas ali
Morreu...
Camilo Netto – 31/05/
Nenhum comentário:
Postar um comentário