domingo, 15 de dezembro de 2024

Este Chão

  

Grandes gotas vão se cristalizando ao cair,

Solo infértil, luz sem clarear a amplidão...

No peito somente o ribombar do trovão!

E ainda choro, mesmo depois do sol sair...

 

É um bem ti vi que canta, um sanhaço que voa,

Um vinvin na varanda e uma xorró no quintal...

E na memória as visões de minha terra natal!

Para aprofundar ainda mais minha dor, à toa...

 

Aí, que dor doída, meu Deus! Que solidão pai!

Amados mestres que já se foram, socorro daí...

A um coração que se derrete em prantos agora,

 

Sentindo enfim que já chegou mesmo sua hora!

Pois este chão que pisa não é o seu e a vida...

Há tempos, foi sim, tristemente, mais que abatida.

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 15.05.2012

10:37 [Manhã]

Estilo: Soneto

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