Amigo preste atenção
no que eu vou lhe dizer
Verso a verso vou contar
o atrevido que fui
o cão sempre a futucar
com a vara curta do Rui.
Um dia pelo baixão
na Feitoria a caçar
corre aqui corre acolá
vi um bicho grande mexer
era de 20 metros uma cobra
eu disse vou essa comer.
A bicha olhou pra mim
com o olhar muito voraz
querendo dizer com isso
que era muito sagaz
e se eu com ela bulisse
me botava logo pra traz.
Mas eu com minha espingarda
tão velha e enferrujada
olhei de rabo de ôi
dizendo espera danada
te espremo como piôi
e hoje te como assada.
Fiquei logo atrás dela
esperando ocasião
que ela se descuidasse
pra passar-lhe o facão
ficando assim no ponto
de tiro no coração.
Com isso ela se mexeu
eu disse: já vai correr?
Não faça essa covardia
espere para morrer
pois hoje chegou o dia
de sua carne eu comer.
Andou cinco metros espirrou
saiu fogo saiu carvão
eu disse nossa senhora
não é cobra é um dragão
com certeza nessa hora
quase morro do coração
Mas mesmo assim enfrentei
carreguei a espingarda
com medo eu não fiquei
só meio desajustado
e por São Jorge gritei
querendo ser ajudado.
A ajuda recebi
naquele instante ligeiro
surgiu de onde não sei
um caboco muito valente
que valor a ele não dei
pois era fêi e sem dente.
Mas olhou para mim e me disse
vai matar a bicha ou não vai?
Se não vai me diga logo
deixe que acabo com isso
traga lenha e acenda o fogo
que agora eu faço o serviço.
Pensei comigo então
o cabra é mesmo bom
mas enganado estava
e quando olhei vi o tom
pois numa perna pulava
era o manezim da otava.
Não disse nada, mas vi
que esse de nada servia
e deixei o desgraçado
que com a cobra bulia
ser logo abucanhado
com toda sua valentia.
Nessa hora a perspicaz
serpente se remexia
deu-lhe uma dor de barriga
que o diacho do Manezin
de um peido já saia
gritando Virgem Maria.
E olhando vi um sujeito
baixote e bem engraçado
dizendo eu já vi tudo
não fique tão preocupado
quero é ficar surdo e mudo
se essa não matar deitado.
Fique só é reparando
o que é que vou fazer
não é nada de ruim
só quero vê ela morrer
torcendo-lhe o fucim
ou não sou mais Dedezin.
Nisso dizendo o tal
foi para a frente da bicha
fungando e fazendo careta
enraivecendo mais a dita
que não tinha como meta
mas fez dele logo marmita.
Mas como ele gostava
de carregar um torrado
pela guela o derramava
quando ia sendo engolido
e ligeiro e envolvido
pelo nariz foi espirrado.
Saiu benzendo e gritando
dessa saí em paz
vou disso me exemplando
e disse que corre e já traz
outros que são mais capaz
e jurou, mentir nunca mais.
Chegou três moços iguais
dizendo cada um deles
não fujo disso jamais
pegamos foi uma onça
cada um por uma perna
deixamos só os traçai.
Mas moços por nossa senhora
disse eu já chateado
a cobra já tá zangada
vejam só se isso é hora
de contar istória de onça
que há tempos foi assada.
Cumpade essa cobrinha
não passa de uma minhoca
vou pegá-la pelo rabo
e quebrar-lhe toda a espinha
e hoje mesmo me acabo
de comê-la com farinha.
Isso disse um galego
um de nome Chico Vaqueiro
mas a cobra já o olhava
dizendo vem cá meu nêgo
que com a raiva que tô
agora lhe engulo inteiro.
Os três ficaram olhando
esse que não tava na conta
mas foi chegando ligeiro
ninguém nem deu confiança
e no acontecido inteiro
rápida se foi a esperança.
Ainda apareceu por lá
sem que nenhum percebesse
um senhor de Jesuíno
dizendo de merecesse
essa Graça de Jesus
matava-a pelo poder da Divina Santa Cruz.
Fiquei olhando e disse
agora mesmo vou ver
o preto tem mesmo fé
essa feia vai morrer
ou mais istória vai ter
e o nego vira um café.
Mas foi como pensei
os três ficaram a olhar
o cabra ser devorado
gritando por Geová
que estava na ocasião
na casa do seu Chicão.
Um moreno mané pandeiro
que era o mais afobado
com um facão de 2 metro
andando meio ligeiro
fungava e bodejava
que nem um pade chiqueiro.
Disse amigo Abel
venha
aqui com sua careca
não trema muito irmão
veja se não desmuiéca
vamos matar esse monstro
seja cobra seja dragão.
Mané pandeiro veja bem
para mim não interessa
o sexo desse animal
a istória é que não cessa
e se não chegar ao final
Vou virar só o mingau.
Cione pulou de lado
disse não pode assim
já não posso ficar calado
resolvo já a questão
se o rifle tá intalado
atiro com um canhão.
A infernal situação
tornando-se enfadonha
para a cobra e para mim
naquela luta medonha
falei logo bem baixim
vão-se embora pamonha.
Finalmente fiquei só
lutei e a tal já fanhosa
disse tenho até dó
pois eu nova e fogoza
só quem em mim dá um nó
é um tal de Lluis Dicosa.
Fui chama o tal sujeito
conversador e ligeiro
caminhamos cem légua
para a bixa encontrar
encontrando eu disse égua
o Luís vai te matar.
O caboco olhou de lado
fez um
risco no chão
dizendo-se iluminado
pela força de Sansão
hoje nesse roçado
nós vamos comer dragão.
E quando olhamos com espanto
e sentimento e pesar
a cretina de medo
começou logo a rezar
e já contando o segredo
para o seu coro espichar.
Quando pensamos que não
ouvimos um barulhão
eu disse Luís Dicosa
será que isso é trovão
ele disse deixe de prosa
não está vendo no chão?
Pois era mesmo a tal
que no chão estava a dar
o seu último suspiro
sem mais poder levantar
e nós as faca amolando
para o seu coro tirar.
Eu disse Luís me conte
qual é o segredo que tem
que atrás daquele monte
sempre pode haver também
e tenho que ir na fonte
tirar água pra meu bem.
Ele disse amigo não tem
comigo segredo nenhum
a bicha tava enfesada
como engoliu mais de um
de congestão a coitada
estirou toda a ossada.
Assim finda a istória
agora vou fica quieto
refrescando a memória
pois eu sou Camilo Netto
se futucar vai ter mais
que não fica ninguém perto.
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