domingo, 15 de dezembro de 2024

edaduaS a erpmeS

 

(é lembrando que se morre)

 

                          Ah! aquelas matas, como podem

estarem tão vivas na memória?

                          Por mais que eu não as queira,

as imagens passam uma a uma.

 

 

Que tortura, meu Deus, para mim

                          toda a minha vida, viver assim

tão longe de tudo e de todos...

                          e com o coração tão perto.

 

                          É muito, pra mim, eu bem sei

morrerei, certamente, infeliz

                          se não voltar a viver ali

respirar aquele ar, subir a serra...

 

Abraçar a minha gente feliz,

                          rever os pássaros com seus cantos!

amar de novo o pó que pisei

                          o açude em que eu mergulhei.

 

                          As palmeiras que me encostei,

as lagoas que eu tanto pesquei...

                          Os amigos que sempre amei

as casas de palha, os ranchos...

 

As roças queimadas pra plantar!

                          o aroma gostoso do melão,

o perfume do milho e do arroz,

                          a chuva linda a cair suave.

 

                          Oh! Deus bendito, não me deixe

morrer tão longe! E, se eu morrer,

                          que nunca morra aquele lugar

que é muito especial pra mim.

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 15.01.09

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