domingo, 15 de dezembro de 2024

Estalactite

 

Estaca perversa que perfura o meu verso,

E sangra minha alma, coberta de dor,

Pingo a pingo, gota maior do meu amor.

Oh! Buraco negro no coração do universo.

 

Extrema beleza de flor no teto dependurada,

A enfeitar no âmago da vida o interior...

De um ser que vela dia e noite ao sabor

Do vento da tristeza de uma vida atormentada.

 

Vês que eu sou assim, desse jeito, estalactite...

Cresce dentro de mim essa amargura imensa,

E me derrete com tal dor que por ser intensa

 

Tudo se vai, como fumaça, e eu fico tão triste!

Mas continuo... Choro... E lagrimas se vão...

E vejo, não distante, outro ser em formação.

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 10.05.09

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