domingo, 15 de dezembro de 2024

Enchentes do Rio

 Quando criança em Teresina,

Eu morava próximo ao rio,

E quando chovia era a sina,

Alagamento e ainda o frio.

 

Era pra ficar muito preocupado,

Mas, onde já se viu criança assim?

Eu amava as cheias e animado,

Corria para ver das coroas o fim.

 

Ficava encantado com tanta água!

Subia o cais e vinha até a avenida.

Eu pedia leva também minha mágoa,

Oh, rio Parnaíba, que vida sofrida!

 

Mas o melhor ainda estava por vir...

Já quando as casas a água invadia,

 

O coração de menino estava a pedir:

Leva os alagados para a minha escola!

Era para ficar sem aulas que eu pedia.

E ainda ajudava a juntar bolsa e sacola.

 

                              II

 

Coisa mesmo de menino que não estava

Nem aí, para a vida dos adultos, séria!

Para quem tinha muito não ligava,

E nem para quem estava na miséria.

 

Achava que o curso sendo interrompido,

Ficava por isso mesmo e nem imaginava,

Que o ano escolar iria ser mais comprido!

Tempo parado... Depois mais se cansava.

 

Oba! Oba! Não vai ter aulas, o rio encheu...

Fazia festa, porque dava pra brincar mais!

Mas a enchente, a aulas... Tudo já se perdeu

Com o tempo que não perdoa nada jamais.

 

Hoje olho pela janela da alma o passado,

E vejo refletido no espelho do pensamento,

O que ainda a água não levou e arrasado,

Vou ao rio Parnaíba, levado pelo vento!

 

E sinto mesmo que a saudade tem razão:

Aquele foi o tempo que vivi, de coração.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

My Heaven

                                    A Minha amiga Giovanna Vieira Quando me dei conta, já estava envolvido, E os sentimentos todos em partes...