Quando criança em Teresina,
Eu morava próximo ao rio,
E quando chovia era a sina,
Alagamento e ainda o frio.
Era pra ficar muito preocupado,
Mas, onde já se viu criança assim?
Eu amava as cheias e animado,
Corria para ver das coroas o fim.
Ficava encantado com tanta água!
Subia o cais e vinha até a avenida.
Eu pedia leva também minha mágoa,
Oh, rio Parnaíba, que vida sofrida!
Mas o melhor ainda estava por vir...
Já quando as casas a água invadia,
O coração de menino estava a pedir:
Leva os alagados para a minha escola!
Era para ficar sem aulas que eu pedia.
E ainda ajudava a juntar bolsa e sacola.
II
Coisa mesmo de menino que não estava
Nem aí, para a vida dos adultos, séria!
Para quem tinha muito não ligava,
E nem para quem estava na miséria.
Achava que o curso sendo interrompido,
Ficava por isso mesmo e nem imaginava,
Que o ano escolar iria ser mais comprido!
Tempo parado... Depois mais se cansava.
Oba! Oba! Não vai ter aulas, o rio encheu...
Fazia festa, porque dava pra brincar mais!
Mas a enchente, a aulas... Tudo já se perdeu
Com o tempo que não perdoa nada jamais.
Hoje olho pela janela da alma o passado,
E vejo refletido no espelho do pensamento,
O que ainda a água não levou e arrasado,
Vou ao rio Parnaíba, levado pelo vento!
E sinto mesmo que a saudade tem razão:
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