domingo, 21 de dezembro de 2025

My Heaven

                             A Minha amiga Giovanna Vieira


Quando me dei conta, já estava envolvido,

E os sentimentos todos em partes, dividido!

Olhei pra todos os lados, menos para o meu,

Senti um coração bater bem forte, era o teu!


Sorri da própria sorte, mas, chorei de solidão,

Queria me encontrar em ti, e naquela escuridão,

Posto que minha vida estava em cinzas reduzida,

Escutava um fantasma, com frase não traduzida!


Na mata verde a espelhar, lá embaixo, teu olhar...

Pude ler no azul do céu, destes teus olhos lindos...

Que sempre em meu coração, serão bem vindos!


E ao sol se pôr e no horizonte outra vez se encantar,

Saberás por toda a vida, um dia, mesmo madrugada,

Que o coração bate por ti, em noite fria e enluarada!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 22.11.2012

21: 43 [Noite]

Estilo: Soneto

My God


Até quando

Ouvirei

Esse grito

Dolorido

Colorido

Fedido

Perdido

No infinito

Sem cor

Da minha

Massa

Cinzenta

Encefálica

Craniana

Que planeja

O impensável

(in)provável

Para por

Fim a esse

(Bendito mito)

Maldito

G r i t o...! (?)


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 13.01.09

My Dream...


                                (Ao meu amigo poeta Juliano Ribeiro Mendes)


Que sonho terrível eu tive esta noite, poesia,

Sonhei que deprimidamente tu assim morria!

Apeguei me assustado à sombra de tua solidão,

Chorei ali por horas... Lágrimas até a exaustão!


Isto não é sonho, é pesadelo horrendo de se ter...

Jamais em minha vida quero ver isto acontecer!

Minha luz se apagaria, estrela da manhã, és guia...

De caminho que só irei trilhar se te olhar, poesia!


Já tive muitas gotas de amarguras na minha taça...

De felicidade! Hoje quero que a simplicidade faça,

Da minha vida, uma vida de muita calma e maresia...


O povo olhando para mim possa dizer: Ali vai a poesia!

Sonho que não quero mais sonhar, infernize outro ser,

Se minha poesia morrer... Que razão terei para viver?!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 17.05.2014

18h44min [Noite]

Estilo: Soneto

My Day...


Não te importes se eu chorar... O que vai acontecer!

Chega te bem perto, quero os teus lindos olhos ver...

Bem sei que andei querendo fugir de mim mesmo,

Quis a vil solidão e no meu deserto... Andei a esmo!


Ah! Perdoa este infeliz e vem encontra lo novamente,

Será diferente ao estarmos outra vez frente a frente...

Mas não te demora, amor! Venha hoje, no meu dia!

Sozinho, a tarde é quente! A noite é sempre muito fria...


Luz da minha vida! Não me abandones, te imploro...

Pois se é manhã, tarde ou noite... Eu sempre choro!

Quero a paz que tua presença ao meu coração traz...


Uma suave brisa que à noitinha chega, a luz da ribalda,

E o palco da vida a nos iluminar! Quanta falta me faz!

Tu eras a viúva Porcina e eu, o triste Sinhorzinho Malta.


Aqui, hoje, 28.10.2014

Mussuca


Terra de negros, vida de cão,

Tempo difícil, não era vida não!

Lutar, correr, fugir e se esconder,

Pra não ser encontrado e morrer.


Quilombo dos reinos do fim do mundo,

Longe de tudo, num vale profundo!

Sem alegria ou sentimentos de felicidades,

Passando pela vida em todas as idades.


Laranjeiras infernais depois do rio,

Na fuga era ali, passando fome e frio,

Que o negro na mata fechada se escondia.


Podia ser noite alta ou no sol a pino do dia,

Olhando pra trás, longe, a família... E a saudade,

Era tudo o que levava, no bornal da maldade.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 21.06.09

Mundi flex


Oh! Encantamento que me estremece a alma,

Vinda varginal num desembarque louco...

Chega a este mundo com um choro mouco,

Perde o sossego, vai se a bela e doce calma...


Um vulcão de sangue entremente as pernas,

Côncavo em triângulos bermudais e difuso,

Mata se e se morre, por ele ficam se confuso!

Quando não se pensa as perdas são eternas.


Varginas grandes, pequenas, lindas e feias!

Muda o formato a essência é sempre a mesma,

É o canal por onde a vida gera se em cadeias.


Liquido gosmento, mesmo como o de lesma,

Que por mistério é uma viagem de prazer...

É vida gerando vida! Numa dor para nascer.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 17.07.2010

Muito tempo depois...

Tínhamos muito

O que contar

Das nossas historias

De amar, o olhar

O mar, o infinito...

O por do sol!


Queríamos dizer

Adeus, mas não

Tínhamos coragem

De nos separar...

Tínhamos medo

De nos perder!


Doce encantamento

Quem me dera ter

Novamente aquela

Oportunidade

Naquela ilha de

Um rio sereno...


E nos dois ali

Cercados de água

De mata, de areia

E de muita vontade

De nos tornar

Uma só criatura!


Céu por testemunha

Areia por colchão

Água purificadora...

Só nos dois a

Resistir aquela

Paixão avassaladora!


Meu amor...  - Ouvi

Bem baixinho...

- Como quem não

Queria nem chamar...

Olha o céu, olha o sol...

E hora de acordar!!!

Muito mais


Da minha vida és todo o meu ser!

Na virgindade da terra o plantio,

És a irrigação da roça que do rio,

Tens um desvio lindo de se ver...


Numa canção que vem de longe,

Encantando tudo ao seu alcance,

Em sensíveis ouvidos de romance,

Que ouço encantado como monge...


É assim, muito mais que a paixão,

Que me tocas e eu fico paralisado,

Absorto em tua silhueta, traspassado,


Pela beleza que reluz do teu corpo,

E estendo a mão de minha vil ilusão...

A esculpir te em pedra, perco o escopo.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 27.11.09

Muito além do amanhecer


Queria muito te encontrar,

                Resolvi que seria só teu!

Entender teu sorrir, teu amar,

                Era algo somente meu!


                Acordei na madrugada, chorei,

Horrores de uma noite que se foi,

Havia te perdido pra sempre, pensei,

                Eu morria, como um cansado boi...


Sonhos que não quero sonhar,

Por toda a minha eternidade...


                Que lindo este meu acordar,

                Ah! Amor, quanta felicidade!


Minha vida é apenas solidão,

                Sequidão de árido deserto!

Sem tua presença no coração,

                A morte vem a galope, é certo!


                Frio, arrepio, oh, dor sem fim...

Cruz que carregaria infinitamente,

                Não teria nenhum peso pra mim!

Sou teu dependente inteiramente...


                Certamente me chamarás de louco!

Não me amaste, eu que sempre te amei,

Contigo todas as noites... Eu sonhei...

                Gritei te, até ficar totalmente rouco!


Segue a vida, segue tua caminhada,

Conformei me com a decepção, visão

                Muito além do amanhecer! Nada

                Além de pura inocência... Ilusão!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 10.05.2013

21h06min [Noite]

Estilo:

Muito Aflito


Certa noite eu estava triste

Foi algo que nunca viste

Pois muito aflito me encontrava

Porque perdi quem eu amava.


Tudo foi então falado para mim,

Não quero mais você, e assim,

Grande foi a minha aflição,

Que me flechou o coração.


Vi a lua escurecer atroz

E falei lhe, lua estamos a sós,

Brilha então é o meu grito

Pois estou solitário e aflito.


Muito aflito posso estar,

Mas esta aflição irá passar,

Pois quero aqui viver em paz

Sem a aflição que você me traz.


(09/10/81)

Mudo...


Hoje eu sou apenas e tão somente, silêncio...

Na paz transcendental do universo sideral,

olho para a escuridão do espaço, fenomenal...

Na minha viagem vagalimínica me evidencio!


Assim, vagando silente, silenciosamente ando,

e a vida, apenas a me olhar fica, na imensidão

do meu eu apocalíptico... Nada mais, quando

a solidão invade é só silêncio, andar em vão...


Tudo hoje é silencio, luz, terra e o vento...

Silêncio no mar, nos rios e em cima do céu,

na escuridão, silencio, ouço o testamento...


Criatura, olhai a flor, abelhas sugam o mel...

A vida é silêncio e assim vive a natureza!

Silencio me, em singela e pura incerteza.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 19.04.2018

16:30 [Tarde]

Estilo: Soneto

Motivo


Viver em tua atmosfera, deusa do espaço sideral,

Imaginando o amor tão grande com que te amei...

Quanta loucura do meu coração, fostes tão mau!

Eu a suplicar teu beijo... Não, eu não te conquistei!


Viajando no infinito céu, olho te, vejo te sempre nua,

Dedicando te loas... Orbitando eternamente tua lua!

O que eu fiz meu Deus, porque fui amar tanto assim?

Pra lembrar dela, esqueço sempre mesmo até de mim!


Olhas me com olhar de piedade, como quem diz: Coitado!

Hoje para mim tu és fumaça, névoa que se foi, passou...

Já não tenho mais nenhum medo, não ando amedrontado!


A vida sempre mostra as razões, a espada que atravessou...

A alma dilacerada, o sangue naquelas lágrimas derramadas,

E o risco de morte, por ti, em todas aquelas malditas estradas!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 19.10.2018

20h08min [Noite]

Estilo: Soneto

Morte...


Morrer, enfim morrer

descanso meu, abrigo

de minha alma

que a vida toda

esperei sem medo

angustiado sim

um tanto fatigado

desta labuta triste

só com choro e pranto

devo louvar então

este dia santo

madrugada eterna

sono derradeiro

sem espinho ou dor

lágrima contida

no peito frio e

coração parado

para sempre e sempre

se pudesse ainda

diria muito obrigado

louvado seja este

grande dia, amém.

Morte

 Que mistério insuperável é a morte!

Estado inerte que a mente não reproduz.

Involuntariamente um brilho que reluz,

Invade e leva a alma fraca ou forte.


Como esse fenômeno traz tristeza!

E põe o homem em nostalgia.

Tira tudo o que se diz alegria...

E num segundo vai se toda a beleza.


Não há nem perguntas a fazer...

Pois nunca haverá respostas,

Para isso Deus nos vira as costas


Ele não quer mais riscos correr...

Quando do mistério da criação,

Ao revelar, veio a grande decepção.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 20.06.09

Moon [Lua]

                 [À memória da minha querida avó materna Luiza Camilo]


Eu era bem pequeno, quase nem me lembro,

Lembro me que à noite, pela fresta da janela,

Ficava a olhar um raio, era mês de setembro,

Eu sabia que aquele clarão era mesmo ela...


Às vezes, nem me lembro muito bem, eu sei,

Ficava todo arrepiado, olhando e escondendo

Meu rosto no lençol e em sonhos, mergulhei!

Em visão primaveril e angelical ficava vendo...


Infantil brincadeira, à noite, esconder me dela!

Eu pouco me lembro, era apenas uma criança,

Cheia de fé e carregada de muita esperança...


À noitinha, casa de mãe Iza, a água na gamela,

Refletia ela... E me via ali, alma virgem e nua...

Eu me lembro, sempre a amei... Magnífica Lua!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 15.11.2016

19h53min [Noite]

Estilo: Soneto

Monólogo O apaixonado

 Oh! O homem apaixonado, Deus,

Escravo da loucura!

Quanta devoção a inexistência!


O homem apaixonado com certeza,

Escravo da solidão!

Uma vida de pura e eterna incerteza!


O homem apaixonado é a vida inteira,

Escravo de si mesmo!

Uma vida introspecta sempre no vazio!


O homem apaixonado mesmo que não queira,

Escravo é da cegueira!


Pois nunca enxerga na sua frente a realidade!

O homem apaixonado tem ausência de amor,

Escravo da infelicidade!


Pois quem não ama nunca pode ser feliz.

O homem apaixonado é um doente terminal,

Escravo da morte, grande mal!

Passará deste mundo, sem saber o que é amar.


Pois a paixão é um câncer que destrói e mata!

Muito confundido com amor.

Mas que não passa de escravizador dos iludidos!

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 20.03.11

domingo, 21 de setembro de 2025

Momentos...

Há momentos na vida

Que somos levados

A esquecer seriamente

Que Deus existe.


Quando eu suplico por

Um milagre e ele não

Simplesmente não

Acontece, então sou

Levado a implorar

Pela morte.


São muitas orações

Nada acontece

São muitas suplicas

Nada acontece

São muitos momentos

Desesperados, nada

Acontece. São muitos

Porquês, nada acontece,

São muitas dúvidas,

Nada acontece.


São tantas tristezas,

Nada acontece

São muitas lagrimas,

Nada acontece.

São tantos desacertos,

Nada acontece.


São muitas esperanças,

Nada acontece.

É muita confiança,

Mas nada acontece.


É muita paciência,

Mas nada acontece.

São tantas questões,

E nada acontece.


São tantas orações,

E nada acontece.

Tantos são os pedidos

E nada acontece.

São tantos agradecimentos,

Porque, se nada acontece.

Momentos

Oh! Quanta dor

Doída no fundo da alma

Qual pétala da flor

Que cai à luz da alva.


Dor que dói e trucida

Tudo o que se diz coração,

A mente vai em descida

Até o abismo da ilusão.


Oh! Momento de angústia,

Que vivo aqui, agora,

Oh! Luz que não alumia

Minha vida nesta hora.


Oh! Deus a quem sempre clamo,

Por quê esquecestes de mim?

E mesmo declarando que o amo

Desmaio, morro, não vivo, enfim...

Mix

Que fiquem, não somente, na humana mente,

apenas as palavras que o poeta escreveu...

Mas, principalmente, seu silêncio, semente,

para um novo florescer, vida que reviveu...


E seja o emblema de um lindo amanhecer!

Que fiquem, não só os sorrisos, e a alegria...

Mas, suas lágrimas, para reflexão do ser!

Da alma que chora, revigorando a energia...


Que fiquem, não apenas as imagens vistas,

mas, suas visões de felicidade não vivida...

Dribladas pelas habilidades dos artistas...


Enfim, que o deserto continue a dar flores...

E a semente não fique na areia escondida!

Como o poeta, a distribuir seus vis amores...


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 08.09.2013

Mitos

Se estás com dor de barriga,

Poe uma folha verde na virilha.

Cuidado com a vil intriga,

É lâmpada que nunca brilha...


Manga com leite, nem pensar...

Pode dar uma grande congestão.

E se não consegues amansar,

Não siga com cavalo na procissão.


Não tome banho com febre,

Se não podes até vir a morrer...

Se não corres como uma lebre,


A tartaruga sempre vai vencer!

Segues devagar, mas não desista,

Tendo um objetivo sempre à vista.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 11.12.09

Mistery

                    Ao amigo Aquino Tomaz


Pergunto a mim mesmo, louco, em alucinação,

De que universo surgiste, lindo e doce encanto?

Tiraste do teu mundo o prazer desta fascinação?

Inrrompeu-me cascata de lágrimas no meu canto.


Viva o planeta que te enviou! Deusa da beleza...

Salve, salve, santo buraco negro, que adentrastes!

Se minha alma não abraçasse a tua, que tristeza!

Mas o maior amor se revela, eu sei, nos contrastes.


Eternizarei teus belíssimos e perfeitos traços, amor,

Nos magistrais fractais Aquinianos! Onde o irreal,

Toma vida nas sensitivas mãos do artista e o clamor


Que se ouve desde a constelação de Órion, em coro...

Em uníssono! Fica, me envolve como aurora boreal!

Enxuga minha lágrima, para pra sempre meu choro.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 12.04.2012

20:35 [Noite]

Estilo: Soneto

Misteriosa...

De solidão

E visão do

Ser, sem ao

Menos, assim,

Compreender

A razão de ser.


Pensa em se

Morrer, mas

Não pode.

Pois não tem

Onde e nem

Como enterrar.


Vai na rede mesmo

Pau atravessado

E o grito também

Intalado na

Garganta do infiliz

Cantoria à fora.

Vai na esteira e


Quando chegar lá

Desce o corpo

Alma e coração

Mas fica, e na


Inteira solidão.

Entenda ou não

É assim mesmo

No planeta. No

Cosmo, no

Verso e anverso

Da história


E que história

Sem fim, ai meu

Deus quem me

Dera poder um

Dia, quem sabe

Compreender.


No infinito, o dito

Popular é que

É melhor ser do

Que está e o povo

Tem um governo

Que não governa

M I S T É R I O

Quando Estou Em Ti

Não Me Conheço

Quando Estás Em Mim

Te Desconheço


Somos O Mesmo, Tu E Eu

Eu Em Ti, Tu Em Mim

Nós Dois Um Só, Só Um

E Assim Nus Vemos


Somos Um Do Outro

Somos Um Pro Outro

Outra Vida E Sentimentos

Sentimentos Noutra Vida


Sem Você Não Existo

Não Há Vida E Pulsação

Há Tristeza E Depressão

Para Tudo, O Coração...


Não Há Explicação

Essa Linda Relação

Amor, Amor E Amor

Tudo É... Mistério

Miseraviu

Isperandu o tempo passa

Passandu o tempo se vai

Espiu toda essa massa

De gente boa qui cai


Mortos de cancasso

Qui não mais agüenta

E sem nenhum abraçu

Ó vida dura e nojenta!


É de dia e de noite essa luta

O miseraviu não discanssa

Vai mora longe numa gruta

Sem ter comida na panca.


E lonje di tudo para e pensa

O qui eu faço nessa vida

Só vida miseraviu e tensa.


Essa guerra triste na lida

Não vali a pena viver assim

Espero logo aqui o meu fim.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 01.04.09

Mirassol

Era aquela placa que eu via na estrada,

E ofuscava meu olhar que na confusão,

Quase causava uma tragédia na entrada!

Vinham pensamentos muitos em efusão.


Pois eu queria ver ali meu anjo, meu sol,

Que na minha vida sempre fez morada...

E naquele momento especial do arrebol,

Comecei pensar, a minha hora é chegada!


Mira coração, mira no sol da minha vida,

Essa mulher que durante toda a eternidade,

Vai ocupar a minha alma, ser muito querida.


Pois desde meu nascimento na maternidade,

Teria sido separada para mim, pro meu amor,

Por isso sofro, choro e suporto toda a dor...


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 23.10.09

19:56 hs

Minhas Matas


Queridas matas como me matas

De tanta saudade e pesar

Tens tantas coisas em ti

Que outras matas estão a matar


Pássaros raros de rara beleza

Que outras matas a desejar

Passam os anos e envelhecem

E nem um deles elas conhecem


Posso vê-los de um por um

Pulando os galhos no pensamento

Só tenho grande quebrantamento

Do coração na recordação


Fico a pensar hora dia e noite

E tento colocar em versos

Meios tortos tanto a beleza como

A solidão da mata virgem vento a soprar


Mas a distância grande inimiga

Me deixa alegre e entristecido

Lembro da mata me vem satisfação

Não mais posso vê-la corta o coração.

Minha Vó

Toda vez para eu dormir

Minha vó me ninava

Contando estórias bonitas

Da lua e da estrela D’alva


Contava de lobisomem

Falava que os guaxinins

Passavam perto da lata

Para eu dormir logo senão me assombrava


Cantava uma musiquinha

Que eu nunca esquecerei

“Constância minha Constância

Não chore como eu chorei ...”


E de manhã logo cedinho

Naquele lindo amanhecer

Estava pronto o café

Mas eu saia correndo não queria nem saber


Minha vó muito jeitosa

Vinha logo me adular

E me ajeitava com carinho

Para eu me alimentar


Na preguiçosa ia sentar

Mas mal sabia o porvir

A arte que eu fizera

Para ela no chão cair


Até tirando mamão

O braço ela quebrou

Mas desta vez não fui eu

Quem alguma arte aprontou


Depois foi-se embora

Para a terra dos desvalidos

Minha vozinha querida

Fiquei com soluços contidos


Minha vó foi na infância

Tudo o que a gente eterniza

Quando cresce e não esquece

E não esquecerei mãeiza.

Minha Terra II

 Quando pensei que minha terra era minha

estava sonhando acordado e não sabia

pois não era feliz e pensava ser

dentro do mais completo ilusionismo.


Profundamente triste fui embora

para não sentir desgostos maiores

e, no entanto, a vida me dizia que

o maior desgosto eu já havia tido.


Foi ter ido a terra que me pariu

e a desgraça maior eu tinha feito

e agora partido de desilusão

a mesma terra me vomitava.


De vida a vida prefiro a morte

de desgraça a desgraça prefiro

ser feliz mesmo sem graça

feito até mesmo um Judas


Não desfrutei das belezas da minha terra

porque a terra não era minha e agora

depois do depois e dos momentos felizes

fiquei careca e levado da breca


Estava amargo no estômago da minha terra

incomodando a todos os órgãos internos

e então vomitar para não morrer eu ou

os órgãos de minha querida terra.


Camilo Netto

Desgostos da minha terra – 17/11/89

Minha Terra

 Um dia caminhando

Pela estrada da vida

Tomei o rumo de volta

Para a terra que eu amava

O meu lugar, o meu cantinho


Aí então, meu compadre

Eu imaginei tudo... irei

E lá serei feliz, sim... serei

Feliz...?? Mas fui...


E a vida brincando comigo

Ainda me disse: a tua

Estrela, meu menino, está

Brilhando lá naquele cantinho


Vai, vai ser feliz, vai,

E eu novamente: ser feliz

Não, não é? Será que eu

Vou conseguir? Vou?


Finalmente cheguei lá...

Nenhuma feita... rostos

Tristes, desiludidos, infelizes

As mesmas coisas velhas.

Minha Grota

                                                Ao meu primo Edivar Pereira Lima


Lá no fim da rua

Ruazinha de chão

Poeirenta que só


Lá estava minha grota

Tinha um sabiá

Um bem-te-vi


Tinha um pé de priquiteiro

Onde as pipiras vinham

Todo dia para comer


Frutas vermelhas e pretas

Naquele pé de priquiteiro

Lá no final da minha grota


Como eu amava aquela grota

Nos dias de chuva então...

A água barrenta, barrenta...


E eu lá tomando banho de chuva

E de água que corria da grota

Êta! Só sendo coisa de menino!


E menino travesso pra valer

Que ia no fim da grota...

No pé do priquiteiro


Estilingue em mãos, pedrinhas...

Só para jogar nas pipiras

No bem-te-vi e no sabiá!


Não acertava uma sequer

Pontaria não tinha nenhuma!

Mas era feliz, naquela grota.

Minha Flor

Querida de minha alma

Desde que te conheci

Na vida veio doce calma


E que tenho hoje junto a ti.

Sei que um dia ao te perder

Todo encanto da vida


Vai por certo perecer

Por isso te amo hoje, querida.

E difícil até mesmo pensar


E se eu fosse o primeiro a ir?

Sinto mais medo em te deixar

Oh! Não posso pensar em partir.


Vamos deixar que o destino

Trace os rumos, meu e teu

Quem sabe até ao bater o sino


E Jesus dizer que assim valeu

Partamos juntos na maior paz

Para não nos separarmos jamais.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 08.01.09

Minha estrela está lá (?)

 A estrela brilhava, brilha...

assim fui mas não me dei

levei a vida sem rumo

tentando o quê, não sei.


Hora triste, hora desgostoso

tinha tudo e não queria nada

a minha terra que tudo dava

não mais me amava.


Sonhei tanto e com tristeza

vi o fim sem ver o começo

e de tudo o que senti

não me lembro se a conheço.


Vivi sem saber e com medo

de voltar a ser o que sempre fui

nada.

antes tarde do que sempre.


Camilo Netto

Agricolândia

1989

Minha Culpa

Perdoe-me! A culpa foi toda minha.

Olhei-te assim com olhos diferentes,

O que se passou em nossas mentes?!

Na minha, sim, muita maldade tinha...


Mas fui traído por minhas palavras...

Que eu não deveria nunca ter dito.

Ainda hoje eu penso, não acredito!

Meus lábios deveriam ter travas.


Foi minha culpa, sim, em confesso.

Não me arrependo, faço outra vez!

Isso tudo multiplicando por três...


Só da boca pra fora, perdão eu peço...

Guardo na memória teu lindo sorriso!

Morro de amor e ódio se for preciso.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 05.07.2010

Minha Busca

 Busco tua face

Na bifurcação

Da perfeição

No anverso do

Espelho...

Busco tua face

No brilho da

Luz que

Ilumina a

Estrela cadente.

Busco tua face

No reflexo

Da água do

Lago que

Reluz a luz

Do horizonte.

Busco tua face

Na curva do

Rio, que

Permeia a

Estrada.

Busco tua face

Na queda da

Cachoeira

Que contorna

O corpo da

Mata...

Busco tua face

No infinito

Do eco que

Vai e não vem.

Busco tua face

No espaço

Sideral que

Reúne todas

As faces.

Busco tua face

Na introspecção...

Busco tua face

Dentro de mim

Busco tua face

Na minha alma.

Calma minhas

Imagens.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 15.12.2008

Mingau Maranhense

                     À saudosa memória da vendedora de mingau

                maranhense do meu tempo de criança em Teresina,

                                    dona Maria do Pina.


Todas as noites estava ali, debaixo da luz do poste,

Na rua padre Acelino Portela, dona Maria do Pina!

Alguns chamavam de mungunzá e tem quem goste

De chamar de chá de burro, é gostoso e coisa fina...


Aqui no Sudeste chamamos de canjica essa iguaria...

Mas, só lembro que quando menino, ali na matinha,

Juntava garrafa, ferro velho e tudo quanto era latinha,

Pra vender e comprar o gostoso mingau de dona Maria!


Vendido no copo, com coco ralado e canela por cima...

Eu me deliciava ali com cada colherada que ia pra boca!

Que saudade do mingau maranhense de Maria do Pina!


Dou risadas, às vezes, pensando mesmo, que vida louca!

Eu até salivando, pensando na maravilha daquele mingau,

Que o tempo levou... Mas, na memória ficou... Menos mal.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 11.09.2021

10h53min [Manhã]

Estilo: Soneto

Milton Borges


Essa terra do sol do equador, em que pertence a minha vida,

Tem a genialidade de produzir seres extraordinários assim!

Com a capacidade tão criativa, coração e alma agradecida,

E uma imaginação e inspiração crescente sempre, sem fim!


Assim é Milton Borges, coração de leão e a alma de cordeiro!

Forte, valente, tranquilo e calmo nos seus contos e romances!

Retratastes a nossa Teresina pacata de outrora, és verdadeiro,

Fiel à visão de mundo, hoje, os meninos têm poucas chances!


A violência que se alastrou é estarrecedora, e tu assim a retratas,

De peito aberto e coração partido, desta triste realidade urbana...

Não mais a meninada pegando bigu nas carroças, pega de piratas!


Nadar no rio Parnaíba, saltar da ponte velha, surubim de barbatana!

És um gênio, em medicina e como literato, união perfeita e celestial,

Vai nessa tua força, Sansão das letras e mostra todo o teu potencial.

Micro Amor


Não Pare, Não Pense, Viva Primeiro

Não Pense, Mas Pare, Sono Derradeiro

É No Amor, No Amar, Sem Parar De Pensar

Que Estás E Estou Sempre A Lamentar.


Não Amor, Sim Amar, Não À Emoção

Sempre Amei Com Amor E Com O Coração

Pois A Fonte É Tão Pequena A Jorrar De Dor

A Felicidade A Esperar O Toque Do Amor.


Vem, Vai, Vive E Por Favor Me Faz Feliz

É Tudo O Que Te Peço, Isso Eu Sempre Quís

Não Se Cansa, Não Me Cansa, Teu Encanto

Por Tudo Isso E Por Isso Eu Te Amo Tanto.


Mas É Pouco, É Muito Pequeno Esse Teu Amar

Sinto Dor, Sinto Pena, Vivo A Lamentar

Micro Amor, Micro Paixão, Macro Ilusão

Se É Assim, Meu Amor, O Pensamento É Vão.


Já Pedí, Já Gritei E Por Tudo Já Implorei

Penso Até Que Assim Logo Morrerei

Meu Amor, Micro Amor, Não Quero Mais Não

Vou Embora Pra Bem Longe Desse Coração.

Mhobungha

 Tristemente corre o tempo assim

E lentamente vou morrendo então

No caminho que me leva ao fim

Plantando lagrimas pelo chão.


Chutando as pedras da desilusão

Sentindo o ódio que a vida fez

Sabedor do destino e da fusão

Entre o mal, o cansaço e a altivez.


Mhobungha nunca mais eu verei

Vil escolha, triste a consequência

Essa dor que coroe a consciência

Fruto colhido que jamais comerei


Mhobungha e a derradeira sorte

Encontro certo da alma com a morte.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 30.04.09

Mhemhórhiah

 Vai para as alturas

Ou para as baixuras...

Num prognóstico

Bem sombrio...

Levando às costas

O peso desses anos,

Quase já agnóstico,

De uma vitória

Na batalha final.

Pensamentos não

Compartilhados.

Vai apagando os

Registros da memória,

Como alguém que

Come o pão embolorado,

Mas esquece e volta

A comer novamente.

Mas não tem nenhum

Dentro da viola...

Tudo se acabou!

Nem tem mais viola,

Nem saco, só a fome.

Comeu o pão, a viola

E o saco... Ainda lambeu

Os dedos cheios de terra.

Perdeu a memória,

Saiu da estória e caiu no

Esquecimento total.

E o esconderam debaixo

Da terra, a sete palmos!

Pra nunca mais voltar.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 07.10.09

Meus Sentimentos

                             Ao amigo e irmão Luiz Martins de Morais (Luiz Dicosa)


O que te dizer agora, meu amigo,

Quando mais um filho teu vai embora?

Verte tuas lágrimas, derrama teu pranto,

Não tenho palavras para ti nesta hora!


Não posso dizer-te: sinto muito! Jamais

Poderia, só sente quem passa por isso.

Estremeço só em pensar na tua dor! Assim...

Como pai, apenas imagino a dor da perda.


A vida, a lida, a ida... Tudo é mistério!

Quem sabe um dia em alto e bom som,

Ouvirás, do próprio criador, o motivo,

Da trágica partida do teu filho Gilson.


Na minha mente está a imagem incólume

Daquele garoto, loirinho, tranquilo e calmo!

No meu coração trago a mesma pergunta

Que o incomoda tanto: Por quê? Por quê?


Certamente não compreenderemos nunca!

Não aceitaremos nunca! Não fomos feitos

Para sofrer, chorar, morrer, não, isso não!

É a miséria do pecado que fez tudo isso.


Amigo Luiz e Maria Luiza, que eu amo tanto,

Não peço que entendam as perdas, até,

Porque isso é impossível, mas peço que, com,

Resignação e paciência suportem em Jesus.


A tristeza invadiu o meu ser também!

Mas sei que tu és muito forte, me lembro!

Fazes fogo com gravetos, tiras água da pedra,

Sobes a serra correndo e ainda cantas pra lua.


Certamente, amigo, tirarás forças, de onde...

Não tens para suportar mais este duro golpe!

Que dói, mas passa, fica a cicatriz, mas se vai...

Todos passamos e vamos rumo ao desconhecido.


Já percebeu que os bons vão mais cedo?

Por quê será? Há um segredo especial!

Que só o pai celestial poderá nos revelar.

E aí sim, perderemos pra sempre o medo!


Deus vos ama muito, posso crer, porque,

Só quem é amado tanto é provado assim.

Quisera eu estar aí para abraçar-vos e dizer

Isso pessoalmente... Chorar junto a vossa perda.


Buscamos respostas, procuramos encontrar...

Explicações, esquecendo do poder do alto,

Do Deus que perdeu seu próprio filho também!

E que deve ser o nosso confortador sempre!

Meus Rios De Lágrimas

 Rio Parnaíba Correndo

Rio Poty Escorregando

Lentamente Vão Levando

Nas Águas Os Meus Lamentos


Rio De Janeiro A Janeiro

Nas Chuvas Ou No Verão

Rio Negro E Solimões

Lá Vão Lágrimas De Montão


No Rio Que Passa Ligeiro

Volumoso Do Amazonas

Quanto Mais Água Ghegando

É Mais Pranto Carregando


Vai De Lucas Do Rio Verde

Ao Araguaia Lá Vai, Longe

São Tantos Rio Da Vida

Que A Gente Nem Sabe Falar


Rio De Pedra, Rio Das Cobras

Rio Ai Meu São Francisco

Rio Das Mortes, Transbordando

De Tantas Vidas Que Choram

Meus Avôs

 Meus dois avôs eram Raimundo...

Um só gostava de milho,

o outro de rodar o mundo!


Enquanto um armava arapuca,

o outro matava curicas,

nas matas da feitoria!


Um plantava filhos,

se for contar eram doze...

Do outro foram só onze!


Meus avôs eram birrentos,

um cantava à noite,

o outro sorria aos ventos...


Um bebia horrores...

O outro com seus lamentos,

e os dois com sofrimentos!


Um avô amava as flores,

o outro cachaça e dores...

E juntos mentiam à beça!


Enquanto um colhia vidas,

das vidas das maritacas...

O outro pedia o fumo!


Meus dois avôs eram brabos,

feito carneiros nos campos,

sendo que os dois eram mancos!


Um avô partiu bem cedo,

jovem de tudo ainda...

O outro bebeu mais tempo!


E quando chegou a partida,

deitou numa preguiçosa...

Ali descansou pra sempre!


Meus dois avôs eram Raimundo,

um iluminou nossas vidas...

O outro amou todo mundo!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 12.10.2017

09h09min [Manhã]

Estilo: Livre (Poesia em Terceto)

Meu Suspirar

 Suspiro sempre à tardinha olhando o sol,

Sentindo no ar aquele mesmo cheirinho,

Que sentia correndo num terreirinho...

Do tempo de menino, ao lado do paiol!


Suspiro sempre à tardinha, vendo a chuva,

No ar um gosto de barro e águas nas grotas

Descendo sem parar e entrando nas botas,

Molhando meus pés de criança e uma luva...


Suspiro à tardinha olhando aquelas roças,

Por uma pequena brecha da minha memória,

Vejo até hoje, velhos, meninos e as moças...


Ah! Suspiro e suspirarei toda a minha vida!

Não posso apagar do pensamento a história...

Levarei para a sepultura até a paixão escondida...


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 16.07.2010

Meu rio, minha vida

 Era cedo, era manhã na minha vida

Eu ia para o rio Parnaíba pescar

Minha mãe e a Rosa em sua lida

Muita roupa nas pedras a lavar.


E eu ali, esperando com vontade

De um bom peixe eu fisgar

Admirando já em tenra idade

As belezas daquele lugar.


Guardo na mente aquela cena,

Minha prima Rosa, morena

Admirada, eufórica ficou

Ao ver o peixe sabão, ela gritou!


Foi o primeiro peixe que eu pesquei

De tanto alegre eu quase o larguei...

Da infância que eu recorde assim

Fui feliz, aquilo foi tudo pra mim.


Como consegue a mente ainda infante

Trazer agora imagem tão distante?

Só pra alegrar mesmo um triste coração,

E que na mente fica as coisas que se vão...


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 13.11.08

Meu primo Edvar

                                                 [Edvar Pereira Lima + 02.12.12]


Notei o dia mais triste hoje, mas não podia imaginar,

Que era porque tinhas partido, assim sem combinar!

E a notícia me chega sorrateira, e, com profunda dor,

Recebo-a sem querer... Sabias que eu te tinha amor!


Nossa infância em meio aos nossos, na antiga feitoria...

Ah! Ainda tenho comigo, tu na porteira de tio Antonino,

Lembranças agora que são só minha... Numa fotografia!

Nossas brincadeiras, caçadas... Essas coisas de menino!


Escrevo com muita dor no coração e as lágrimas teimosas

Vão caindo! Como eu quis te ver, meu amigo! Muitas vezes,

Lembro de ti, de mim, de nós dois! Das cadeiras preguiçosas...


Coitadinha de mãeIza! Por mim eu ficava dias e até meses...

Éramos crianças, cheias de felicidade e esperança, e, brincar,

Era como se fosse só o que tínhamos na vida e a vida, amar.


                                                II


Hoje posso dizer que morri um pouco também, pois um tanto

De mim se foi para o além! Queria, sim, que não fosse verdade,

Tua partida tão inesperada, triste e trágica, para a eternidade!

Crescemos, tu partistes, eu para um lado e tu pra outro canto...


Não nos vimos mais, apenas nos falamos... A tua voz aqui ecoa,

Ao meu ouvido, e te ouço dizer... “Em breve nos veremos, primo”,

Mas, agora, não mais será possível! A tua alma hoje se foi, voa!

E me dizias o porquê das mudanças: “Pedra tem que criar limo!...


Eras assim, intempestivo, afoito! Curei-te uma ferida na perna...

Que não mostravas a ninguém, já estava a grengrenar, verdade,

Confiastes a mim, por nossa pura, leal, amorável e doce amizade.


É justo que descanses em paz na casa de teus pais e a vida eterna,

Ou não... Fique por conta de Deus que a todos julga e determina...

Eu só tenho a lamentar, irmão, infelizmente essa é de todos a sina.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 03.12.2012

19:37 [Noite]

Meu Piauí

 Quando lembro da saudade

Que eu sentia de ti

Longe desta liberdade

Que tenho sempre aqui


És realmente “terra querida”

Provei isto aqui voltando

Tens aqui a guarida

E estás sempre encantando.


E como és terra de encanto

Preferi aqui viver

Esquecendo assim o pranto

Da saudade de você.


“Pertence-te a minha vida

Foi aqui que a ganhei

Tenho a alma rendida

A tudo que aqui encontrei


As belezas naturais

Como o rio Parnaíba

E os belos carnaubais

Que vemos de baixo arriba


Sete cidades quem pode esquecer?

Obras dos dedos de Deus

Que fez no meu Piauí nascer

Este encanto dos olhos meus.


Deste os tempos que idos são

Até hoje oh Piauí

Tens homens de bom coração

Que lutam sempre por ti


E nesta luta vamos seguindo

Com teu nome proclamando

A tudo resistindo

E feliz sempre cantando

Meu Piauí... Meu Piaui...

(18/04/84)

Meu Pensamento

 Penso sempre na beleza e no amor,

E como pôde Jesus suportar aquela dor,

Na fragrância que tem o vento,

É este o meu bom pensamento.


Quando penso então em Cristo

E seu sacrifício, nunca visto.

O meu pensamento logo voa

E a voz de Jesus em mim ecoa.


Pensando estou e também a voar

Nas asas do vento vou até o meu lar

Pensei e cheguei e fiquei a sorrir

Pois estava voando e quase cai.


Meu pensamento é vasto e grandioso

Não posso prolonga-lo pois é maravilhoso

Aqui eu vou ficar, para que eu possa pensar

No valor do pensamento pra depois então contar.

(07/10/81)

Meu Pedido

 O que fazer neste mundo de aflição?

Ajoelhando-me faço uma oração.

Mas como se eu não tenho fé?

Então pensando fico de pé.


Senhor eis a minha petição:

Dá-me por teu amor a salvação.

Que farei para a conseguir?

Anseio esta terra do porvir!


Senhor ouve-me por tua bondade,

Quero oh Deus amor e felicidade.

Ajuda-me a ser bondoso e leal,

Para que eu seja um ser real.


Deus há de me responder

Pois com a resposta irei vencer.

Quando enfim Jesus me falar

Ficarei fiel até vê-lo voltar.


(03/10/81)

Meu pé de Taturubá

Eu sempre o via ali mesmo

alto, frondoso e frutífero


    e eu brincava de subir nele

    para tirar o gostoso taturubá


Que linda lembrança eu trago

que belos momentos aqueles


    quando as férias chegavam

    e com meus primos eu brincava


E o desejo era sempre o mesmo

de ir lá ao meu pé de taturubá


    Nele eu não tinha medo de cair

    pois os seus galhos me sustentavam


 Era pura fantasia que eu imaginava

que o pé de taturubá de mim muito gostava


    Mas eu cá comigo dizia baixinho

    eu é que te amo mesmo sozinho


Ia lá onde ele morava para nada

não tinha fruto, não era tempo


    mas eu corria como uma fada

    pra subir nele e tomar vento


Se tô com saudade? Nem me pergunte

pode o tempo voltar atrás?


Pois se puder leve-me de volta

quero o meu pé de taturubá

Meu Pai...

 O meu pai um dia me falou

Que toda esperança tem valor

E há de se pesar na balança

O peso maior que é o amor.


O meu pai um dia me disse

Bem baixinho no ouvido

Que para se ter essa esperança

Filho, eu nunca duvido.


O meu pai um dia me segredou

Que a vida e um mistério

Para eu não procurar entender

O que a vida caprichosa reservou.


O meu pai um dia já sem voz

Olhou-me ternamente e me chamou

Fui até ele e com muita ternura

Eu me abaixei e ele me beijou.


O meu pai me ensinou então

Que sem palavras e que se diz

Tudo o que na vida se precisa ter

E deixar batendo forte o coração.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 11.10.08

Meu Jardim Secreto

 Sempre fui aquele que tu nunca imaginaste,

Desapareci na névoa de tua ilusão tristíssima,

Em segredo eu te disse, mas não acreditaste.

Teu coração é de pedra preciosa raríssima...


Na minha estrada, de lágrimas e decepções,

Amei-te à distância, com muito medo de amar!

Lia, de longe, cada gesto teu e as interpretações,

Eram como se me dissessem: Vai se decepcionar.


Tentei de todas as formas rever meu conceito,

Na esperança da conquista do coração, do amor,

Ai, quem me dera, não ter hoje a dor nesse peito!


Por te deixar partir, minha bela, minha terna flor.

Mas, jurei para mim mesmo, como se fosse decreto,

Um dia, na eternidade, tirar te do meu jardim secreto.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 05.06.2012

18:43 [Noite]

Estilo: Soneto

Meu irmão

 G rato sou a Deus por ti

R ico pra mim

E tudo enfim

osto de você assim

O ntem, hoje e sempre

R eceberas meu amor

I nfinito como o sol

O u o lindo arrebol.


L embro de nós menino

I menso e o facinio

M eu defensor...

A migo nas tristezas.


M ais que um simples irmão

A tento a minha dor do coração

R elembro hoje nossas aventuras

T antas historias e momentos felizes

I nfância de sonhos mil

N os anos sem fim da vida

S erei grato por você ser meu irmão.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 01.12.08

Meu Desejo

 Sinto um desejo de falar

Mas tenho emoção

E o que estou a pensar

É de dentro do coração


Agora na despedida do ano

Quando tudo fica atrás

Só lembranças vamos levando

Sem esquecermo-nos jamais


Meu desejo de hoje em diante

É conseguir ser bem feliz

E também ser sempre amante

Do futuro bom pais.


(19/11/81)

Meu Coração

 O coração de quem ama é forte,

Suportando até a própria morte,

Mesmo levando um grande corte,

Ele ganha as vezes por ser forte!


Assim é o meu coração

Tão puro, tão belo, que faz canção.

Beleza sem fim é o dela, como uma flor

Jovial, alegre, que desabrochando dá o amor.

Sua face tão meiga oh princesa!


Imagino até o seu olhar!

Logo fico a meditar, na tua beleza.

Mas que encanto, que emoção,

Amor eu sei que existe, dentro do seu coração.


Caminhando pela estrada sozinho,

Apareço sempre a contemplar,

Minha princesinha querida que triste está a pensar


Hipócritas zombam, dizendo

Logo fico sonhando e depois a murmurar

Oh! Ingrata por que não queres me aceitar?


(25/07/81)

Meu Brejinho

                                                 Ao primo Ivan Mendes Lima


Ah! Meu brejinho querido

Que o tempo já secou


Onde eu ia todo dia

Ouvindo sapos e gias


Pegar peixinhos dourados

Coloridos e malhados


Meu brejinho cheiroso

Com flores de toda cor


Passarinhos a beber

Água pura e fresquinha


No meu brejinho de sonho

Na minha vida de amores


Naquele brejinho eu vivia

Naquela vida eu sonhava!


Êta coisa gostosa! É ser menino

Menino levado da breca, lélé...


Pois ali no brejinho feliz

Toda felicidade era vivida


Hoje só tenho na vida a dor

Da saudade do meu brejinho.


Que secou lá no sertão, mas que

Nunca secará no pensamento.


Nunca secará na paixão lá do

Fundo do meu triste coração.

Meu Amor

 É o sol

É a lua

É o meu amor


É a flor

É o fruto

É o meu amor


É o nascer

É a vida

É o meu amor


É o trem veloz

É a chegada

É o meu amor


É vinho bom

É um amigo

É o meu amor


É a paz

É abrigo

É o meu amor


O espaço

A galáxia

É o meu amor


Pássaro voando

Liberdade

É o meu amor


Terra fértil

Chuvas no tempo

É o meu amor


Rio corrente

Lago azul

É o meu amor


Borboletas a voar

Primavera linda

É o meu amor


É o encontro

Procissão de águas

É o meu amor

Meu Amigo - És vencedor

 R emar no rio deste velho mundo

E navegar nas águas desta vida velha

N ao e tão fácil como pensam muitos

E Manuel que o diga, Jesus Cristo! 


M enino eras há bem pouco tempo

O utro dia mesmo fui teu professor

R ecebias de mim as tuas lições

E reconheço hoje já tua vitória!

N a tua luta tenho a lição pra mim.

O ntem passou depressa, a vida e assim!


M esmo chorando o tempo não para,

E o sofrimento e o combustível da lida.

U ns desistem... Aos fracos, a derrota.


A lém do infinito há descanso, há paz!

M eus olhos te veem neste bom lugar.

I ncomparável com o que acontece aqui!

G rande alegria vem depois da tempestade.

O amanhã brilhara eternamente, outra vez!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 27.10.08

Metamorfose

                                                                 À minha amada esposa Odinéia Martins


Eu já fui uma linda flor... Mas não tinha o perfume!

Quando fui flor, não tinha das flores esse costume...

Já fui uma lagarta... Não consegui ser uma borboleta!

Quando eu fui lagarta... Vivia triste ali, numa sarjeta...


Eu já fui um passarinho... Mas nunca cheguei a voar!

Quando fui um passarinho, ficava no ninho a chorar...

Já fui um lampião a gás... Mas não alumiei o mundo!

Quando eu fui lampião, ficava lá, num poço profundo...


Eu já fui até eu mesmo... Sem saber o que era viver!

Quando fui eu mesmo, a minha vida se resumia a você...

Daí me fiz de estrada para encontrar essa tal felicidade!


Então eu fui você... Um fenômeno raríssimo de acontecer!

Quando me ocorreu esta linda metamorfose, uma raridade...

Descobri que nós dois éramos um... Pra toda a eternidade!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 03.11.2016

15h40min [Tarde]

Estilo: Soneto

Mercado Velho

 Eu ia pela rua João Cabral

Passava debaixo do pontilhão

Aquela rua de paralelepípedo

Quase cortando de norte a sul

A minha capital, Teresina.


Antes de chegar ao velho mercado

Está o armazém Paraíba, loja bem

Antiga, do meu amigo João Claudino

Fernandes, homem simples, humilde

Que apesar de rico, recebia a todos...


Mercado velho, velho mercado

Onde aconteciam as feiras livres

Todos os dias o mesmo inferno

Barcos ancorando no rio Parnaíba

Trazendo de tudo e de todo lado.


Barracas, lojas e o supermercado

Do nobre e velho amigo Raul Lopes

Na esquina estava a quitanda dos

Nossos vizinhos, Felipe e Dorita

Que tinham umas filhas lindas...


A mistura de cheiros eu nunca gostei

Era peixe, carne, temperos dos mais

Diversos, frangos e porcos, bolsas

De couros de boi e o cheiro das frutas

Tudo, tudinho misturado aos outros...


Com uns onze ou doze anos eu estive

Ali naquele mercado velho, trabalhando

Vendia pintinhos de um dia para um

Senhor, que eu nem conhecia, outra

Vez já estava vendendo batatas, cebola...


Eu, mesmo em pouca idade, queria ter

Um dinheirinho para comprar minhas

Pipas, carrinhos, e claro, doces e picolés!

E era ali no mercado velho, velho mercado

Que eu tentava conseguir, sem muito êxito.


Hoje, já faz trinta anos que eu deixei tudo

Por lá e nem sei mesmo como e que esta

Muitos e muitos já partiram, isso eu sei

Mas o rio Parnaíba está lá... O mercado

Velho, o velho mercado ainda resiste...

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 03.02.09

Mentiras

 Sou alegre, triste, sorrio e choro

Ou faço ao mesmo tempo, tudo

Se estou solteira, logo eu namoro

Faço cara, boca, falo, fico mudo.


Homem ou mulher, qualquer papel

O que vier eu topo, toco, eu danço

Sou palhaço, rico, pobre, menestrel

Mocinho, bandido, bravo e manso.


Até bicho lá do mato arrisquei e fiz

Mentir e o meu forte eu sou um ator

Às vezes sou vilão, outras um doutor


Claro, com mentiras, fazer alguém feliz

Mesmo que para isso eu seja tão infeliz

E a vida e a minha profissão, sou atriz.

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 24.04.09

Mendigo

 Pedinte do tempo

Mendigo a vida

Numa saia rasgada

Embolorada

Ensanguentada

Parida de alma

Morta de fome.

Sem nome,

Sem lida,

Sem salvação.

Salvando a pele

Que não tem,

Muito menos,

Vontade de viver.

De ver

Sofrimento,

Lamento...

E escrever

Numa pedra

A dor que da

Ser pobre assim.

Mendigo o gosto

No desgosto

De quem não vive

Só passa...

Pelos mundos

Imundos de todas

As áfricas.


Pedinte do espaço

Passo a passo

Vou pelos

Planetas e sois

Na vã esperança

Que nunca

Se concretiza.

Mendigando a

Alegria de quem

Sorrir de barriga

Vazia de pão,

Mas cheia

De lombrigas e os

Olhos esbugalhados.

Vai pedinte,

Pede mais!

Já te apelidaram

De pidão mesmo...

Peco uma esmola

Numa sacola

Cheia de preconceito.

Não aceito não

Como resposta.

E o apocalipse?

Pedinte, não estas

Sozinho nessa

Tarefa de pedir

Pra se matar de fome.

Mendigo um dia

A mais para pedir...

Testar os corações.


Pedinte do tempo,

Pede a alma,

A calma e a

Chama do amor.

A dor? Que peca.

Mendigo a água

Do poço sem fundo,

Dos corpos em brasa

Dos nordestes sem fim,

De marte ou vulcão,

Da boca da noite.

Quero sim pedir,

Algo não

Diferente,

Que a todos vem

Sem ninguém querer,

A qualquer hora

Sem nada dizer.

Pedinte no tempo

Sem tempo

Para pedir...

Lá vem ela

De qualquer Norte,

Que venha agora...

A boa morte.


Poeta Camilo Martins

Meio...

 Meia Noite

Meia Hora

Meio Quilo

Meio Sujo

Meio Irmão

Meio Dia

Meio Tempo

Meio Feio

Meia Cara

Meia Verdade

Meia Palavra

Meio Pálido

Meio Trêmulo

Meio Chuvoso

Meio Quente

Meio Pedaço

Meio Frio

Meio Sim

Meio Não

Meio Dono

Meio Cheio

Meio Seco

Meio Molhado

Meio Vazio

Meio Branco

Meio Coração

Meio Tempestuoso

Meio Preto

Meio Nada

Meio Eu

Meio Você

Meio Nós

Meio Mistério

Meia Vida

Meio Morto

Medo

 Não, não tenho medo da velhice,

Que me ronda feito uma praga...

Ou da solidão em plena meninice!

Da mente insana ou a que vaga.


Não tenho medo da feroz morte,

Que enfim a todos sempre levará!

Traição, que há quem não suporte,

Ou um segredo, quem o guardará?


Tenho medo apenas de mim mesmo,

Que grito, feito um louco, em deserto...

Vagueando assim, sem rumo, a esmo!


E nas insônias, duvido do que é certo...

Pra depois me arrepender de ter medo,

Mas prometo esquecer... Amanhã cedo!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 30.10.2012

06:45 [Manhã]

Estilo: Soneto

Me Liga – nos

 SE LIGA

TE LIGA

NÃO LIGA

LIGAIS

LIGARÁ

LIGANDO

LIGUE-ME

LIGA-TE

LIGADO

DIZ QUE LIGA

MAS NÃO LIGA

SE LIGA

NÃO TÁ LIGADO

NÃO DIZ

SÓ DIZ QUE TÁ

MAS NÃO SENTE

SE SENTE

ME SENTO

ESCUTO

NÃO FALAS

LIGAÇÃO

ENTRE NÓS

ESPECIAL

ATENÇÃO

LIGA, LIGA

VAI QUE VAI

MAS NÃO ESTÁS

FICA E LIGA

NÓS DOIS

LIGADOS

LADO A LADO

OMBRO A OMBRO

VISTA À VISTA

ÉS A VISTA

DA BELA

QUE LIGA

ME LIGA

E LIGADO

VAMOS AO

IN-FINITO

DO SER OU

VISÃO

ÉTERO ESPACIAL

COSMOPOLITA

SIDERAL

TÁ LIGANDO

VAMOS

LIGANDO

TÁ, TÁ, TÁAAAA


TUDO EM CIMA

DO TELHADO

TÁ LIGADO

ME LIGARÃO

ATENDEREI

SEREI EU?

SERÁS TÚ?

VEM QUE TEM

TUM, TUM, TUM...

QUEM BATE???

QUEM ÉÉSS??

LIGA ANTES

NÃO VENS

DISTANTE

OU VENS NO TREM

DA VIDA DO MUNDO

DA GENTE QUE TEM

UM TANTO DE

COISAS PRA

DIZER, OBSERVAR...

VÁ, NÃO, VEM

MAS LIGA

SEM INTRIGAS

COM TEU JEITO

DE LIGAR

FICA LIGADA

VENS LIGANDO

VAMOS JUNTANDO

NOSSAS HISTÓRIAS

E VAMOS ASSIM

PRO INFINITO

AZUL OU NÃO

FUNDIRMO-NUS

NUM SÓ E SÓS...

AH! GIRASOIS...

DESLIIIGAAA...

Maybe

 Talvez a minha dor tenha sido não ficar,

Como Madalena, aos pés de Jesus Cristo!

Ter adormecido, quando Ele disse: Orar,

E odiado, quando Ele disse: Amar é isto,


Não perdoar quem nos faz mal, machuca!

Talvez a minha dor, foi negar a dEle, sim,

Ficar num paraíso só meu, cego com burca!

Perguntar ao céu: Por que pirlim-pimpim?


Talvez essa minha dor, seja simplesmente,

Apenas coisa da minha fantasia imaginária,

Que um dia, plantei como singela semente...


E hoje, muito tempo depois, mente ordinária,

Não me deixa viver em paz e me faz chorar!

Mas, meu aliado é o tempo, tudo isto vai passar.

Poeta Camilo Martins


Aqui, hoje, 04.01.2013

20:27 [Noite]

Estilo: Soneto

Maurícia...

 Deus, que maldade de Maurícia!

Da minha vida de outrora...

Quando eu não tinha malícia,

No tempo que o amor aflora!


Maurícia era na minha vida,

De luar tão cândido, uma deusa,

Pois minha alma por ela era lida,

Que ficava vulnerável e indefesa...


Maurícia, o coração grita teu nome!

Até hoje não esquece teus assovios...

Essas lembranças alimentam a fome!


Fome de um viver que jamais voltará,

Saber que me controlava com elogios...

E eu, Maurícia, sempre cego ao teu olhar!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 16.10.10

18:39 [Noite]

Estilo: Soneto

Masibindi


É um mistério, depois de todos esses anos,

Viver para um amor que eu desconhecia!

Os terremotos do meu ser fogem os planos,

E na noite sem luar, todo o meu ser esfria.


Choro todo dia tentando o tempo segurar!

Em vão! E os cruéis pássaros da solidão...

Infernizam minha triste vida, sem parar,

Olho o céu, estrelas... Lamentos, amplidão!


Ah! Infinito sussurrar de uma flor em dor,

Morrendo ao calor do desprezo no deserto!

De uma imensa culpa que não tem e o olor,


Esvai-se como perfume de sangue... É certo!

Oh, África! Masibindi, Zulu, mãe coragem,

Há de se ter, ao seguir na vida esta viagem!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 23.05.2012

19:53 [Noite]

Estilo: Soneto

Mas...


Verdes sonhos... Estranhas visões do anoitecer!

Numa inocência infernal sem noção do amanhã...

Como eras bela! Luz que irradiava todo meu ser!

E a incomensurável sensação de te ter... Talismã.


Verdades que meus olhos jamais viram... És a lua,

Raios penetrantes, veneno mortal, desfigurante...

E a eternidade como castigo, ao relento, na rua,

Lamentações Jeremísticas... Lágrima borbulhante!


Imensidão! Mar sem portas, janelas ou varanda...

Um eco! E só a escuridão do ser como resposta!

Amarga dor, vida de um vazio intenso, desanda...


A própria intenção de ser bom, de amar e viver,

Olhos vivos e ver, a mesa da desgraça é posta...

Mas há uma saída, mesmo sem querer... Morrer!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 11.10.2013

20h11min [Noite]

Estilo: Soneto

domingo, 18 de maio de 2025

Martírio


Oh, vós que perambulais pelo mundo,

Das vis entranhas da terra oriundo...

Não mintais à minha doce amada,

És da má sorte a eterna namorada!?


Vida dividida entre o amor e a razão,

Que por maldade faz a clara divisão,

Entre a paz do acariciar e a guerra,

Mata todos que encontra pela terra.


Vós sois mal e não tens nem compaixão,

De almas apaixonadas, de amores eternos,

Da infinita dor que estraçalha o coração,


E como um relâmpago, trazes os infernos.

Apanha assim todos em todas as idades,

Tirando toda chance de se ter felicidades.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 12.03.2011

Mariluce


M inha irmã querida

A primeira de nos seis

R enascer do amor de papai

I luminacao da vida de mamãe

L uz do alvorecer de todos nos

U m encanto de menina, eu lembro

C enas da infância me encantam

E vez em quando me acalma o ser


L i nos teus olhos já faz tempo

I nfelizes momentos vividos

M agoas e sofrimentos até passados

A calma o ser... Tudo passa, eu sei.


M ais do a vida de dor aqui

A livio de toda a tempestade

R aios e trovoes que enfrentamos

T antas desavenças e descrenças

I nfinita e a graça de Jesus que

N os faz ter esperança e andar na luz

S empre e eternamente, tem fé, irmã.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 01.12.08

Marilene


Passava pela pequena rua

Olhava a face sua...

Era Marilene, a linda!

O belo rosto enquadrado

No quadro feito do portal

Da janela, onde ela ficava

Lindamente debruçada.

[Todas as manhãs... e tardes]

Um sorriso muito mais

Bonito e suave do que o de

Monalisa, de Leonardo!

Cabelos longos, pretos,

[nada de Rapunzel, pelo

amor de Deus!],

Olhos sem definição,

[[Pela distância que eu

os via]], mas, olhar de

De quem busca algo

No infinito...bochechas

Rosadas como maçãs...

E eu a pensar: como

Seria aquele “pedaço” do

Corpo, [o que eu não via],

Pois faltava no quadro!

Um dia me atrevi, queria

Conhece-la. Cheguei

De mansinho, perguntei

Seu nome e quis ficar

Bem perto, o suficiente

Para vê-la toda, e vi!

Contou-me sua vida,

E como perdera as duas

Pernas em um terrível

Acidente! Estava ali,

Agora, presa a uma cadeira

de rodas, pra sempre!

[Cá estou eu que nem o

Teófilo, afinal a Marilene

Existiu, existe ou existirá?]

Maria do Nelo II


Tempos, quando me entendi por gente,

nas ruas da nossa Feitoria... Olhar singelo,

Já perambulava simples e tranquilamente,

essa figura meiga, amada... Maria do Nelo!


Maluca de cabeça, mas doce de coração...

É filósofa por natureza, coisa a se refletir:

“Se a gente não cuida do que é nosso, então,

o diabo vem e carrega, sem mesmo dividir!”


Verdade, quando criança tinha medo dela!!

A sua roupa impecável de volta ao mundo...

Me deu uma carreira, escorreguei na gamela!

Equilibrei, corri sem perder um só segundo...


Hora jogava pedra na gente, outra carregava

gatos mortos em um saco e cuidava do Nelo!

Eu a vi no telefone do orelhão, conversava...

Talvez tivesse alguém, ela chamava de Belo!


Caminha pelas ruas, conversa, corre e pede...

está sempre com suas “joias” penduradas!

Ninguém para ela é tão ruim, cheira ou fede...

Apenas vive, horas alegres outras chateadas!


Hoje, vejo a mesma figura da minha infância,

parece até que para ela, o tempo não passa!

Maria do Nelo... Sem preocupação, ganância,

É a pura flor da inocência que nos abraça!!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 09.01.2013

10:02 [Manhã] – Estilo: Trova

Maria do Nelo


Era maluca que vivia pela rua,

E eu menino levado da breca,

Gritava: olha a louca, perua!

E corria e caía, preso pela cueca.


Andava com uns gatinhos mortos,

Dentro de um saco em suas costas,

Muitos pedaços de ferros tortos,

E de cavalos e bois, as bostas...


Ou estrume, como dizia a maluca.

Era a Maria doida, de olho no Nelo,

Falava como se fosse boa da cuca,


“É bom cuidar do que é da gente, belo,

Senão o diabo vem ligeiro e carrega.”

A maluca filosofando não escorrega!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 14.11.09

Maria das Dores Lima - Minha Mãe

 *Minha doce eterna que sempre há de ser

*Aquela que nunca hei de esquecer

*Rima dos versos que eu posso fazer

*Irmã dos raios que me viu nascer

*Alma da vida de todo o meu ser.


*Das muitas Marias que eu conheci

*Antes, durante e depois daqui

*Santa nenhuma se compara a ti.


*Deus te pôs em meu caminho um dia

*Ou eu que desse mundo nada conhecia

*Reconheço que sem ti eu nada resolvia...(?)

*Esse raro momento sem melancolia

*Só você mãe me traz tanta alegria.


*Lembro anos que passados são,

*Imagino sempre qual a lição,

*Máxima hoje da minha canção,

*A embalar esse pobre coração.


*Martírio hoje de minha clara alma,

*Anos perdidos sem sua doce calma,

*Razão que a vida nunca bate palma...

*Terei mistério sempre e eternamente,

*Irei partir, mas tenho em minha mente,

*Nada e melhor para mim tão docemente,

*Serei seu filho sempre, sou sua semente!


Poeta Camilo Martins - Aqui, hoje, 16.10.08

Marcas


À Norma Sueli [do meu tempo de menino na escola

primária e que nunca mais na vida eu vi]


Sim, tu marcaste a minha vida para sempre... Enfim,

Descobri que não marquei a tua pra toda eternidade!

És uma marca... Como uma ferra de boi em mim!

Mas em ti, fui apenas um relâmpago na tempestade.


Somente clareou, e se foi perdido no esquecimento...

Luz que imaginei seria para além tempo e infinito

Espaço eu nunca teria, só pra depois vir sofrimento!

Muito menos separado assim por mármore e granito.


Realidade cruel em minha triste vida, hoje eu sei...

Passe séculos e milênios... Apenas a marca terei!

Passaste pela minha vida, pela tua eu não passei...


Olho a marca, o tempo e o espaço, mas não te vejo!

E penso se desisti, se morri ou se mesmo só cansei...

Fico a sonhar com teu abraço, teu sorriso e teu beijo.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 24.01.2015

19h03min [Noite]

Estilo: Soneto

Maravilhosa Rosa

 

Eu não a tive em meus braços,

Mas segui sempre os seus passos,

E a quis bela e maravilhosa,

Para amar sempre aquela rosa...


Fitei-a no banho ao amanhecer;

Infernal conflito em meu ser:

Dizer a ela de todo o meu amor,

Ou apenas admirar aquela flor?


Oh! Rosa maravilhosa de se ter!

Pétalas, perfume... E ao chover,

As gotas escorrendo pelos galhos...


E eu procurando entre atalhos...

As visões de tudo aquilo, pra mim,

Num delírio alucinado e sem fim.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 17.06.09

Mar Misterioso


Sábios tentam desvendar

O que se passa

No fundo do mar...


Cores, plantas, corais

Formas estranhas

Vidas sem formas...


O que faz o vai e vem?

Das ondas

A balançar e ir...


Para onde vão as águas

Quando a maré

Baixa? E vem...


O sal que nunca acaba,

E quando então

Se revolta e volta...


Oh, mar que não será

Eterno que eu sei

Para onde iras?


Mar misterioso... teus

Segredos um dia

Serão revelados!


Poeta Camilo Martins - Aqui, hoje, 11.11.08

Maquiorum

 És louca, agora eu creio,

Receio,

Que no teu seio,

Magoado,

Suado,

Cansado

Do sofrer

E ter

Medo do perdoar...

E de se dar!

Oh! Abalo sísmico

Do coração,

Doação

De vida que

Não se faz e um

Grito surdo

Mudo,

Pairando no firmamento

Num momento,

Em pensamento!

Ah! Ensanguentada alma,

Que não acalma,

Nem se cala...

Na revoltosa dor

Que se agiganta,

E na garganta,

O amargo fel

Da traição!

Quem, mesmo no céu,

Há de suportar?

Sofrimento eterno

Que o puro ser, tenta

Esquecer...

E aquecer

A vida,

A lida...

Com a liberdade,

A verdade

E o simples desejo

De paz!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 07.05.2010

Mãos

 

Foram as dela que me comoveram mais,

Tocando-me com amor em seu momento

Mais indesejado, o que não quero jamais!

Momento de dor, angustia e sofrimento.


As mãos que me acariciavam com emoção

Que me transformava em criança outra vez

Amenizavam as minhas dores de coração

Hora a hora, dia a dia, ano a ano, mês a mês.


Lembro aquelas mãos, como lembro a vida,

Que vivia perto dela lá no sertão, ao luar...

Ela a me olhar, a me amar... Sempre dividida!


Entre um beijo e um afago e eu a escutar...

Os segredos da noite, o barulho do vento!

E ouço Deus, ainda, ela vindo em passo lento.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 01.10.09

Mania de Chico


Chico Bíblia

    Chico Vaqueiro

Chico Chulé

    Chico Bené

Chico Buarque

    Chico Maia

Chico Science

    Chico César

Chico Moura

    Chico Miguel

Chico Mel

    Chico Serra

Chico Anísio

    Chico City

Chico Show

    Chico Pinheiro

Chico Alencar

    Chico mané

Chico Filho

    Chico Neto

Chicão, Chiquinho,

    Chico, chiquito

Chico chimarrão

    Chico, Chico, Chi...

Tudo é Chico

    tá na moda

E o rio, também?

    Não, ele não!

É São Francisco

    é de Assis

Tá na moda

    é ser santo!

(santa água nossa!)

Malibu


Por que me perguntas, se eu choro um choro sentido,

Se quando eu choro, todo o sentido se vai ao vento?

Lá se vão meus passos na areia em nada convertido,

Não me siga por eles... Falsas marcas de momento!


Meu grito, hoje, é apenas um ecoar inconsequente...

Que o choro traduz em raios de luar sereno ao chão!

De minha boca nunca ouvirás os suspiros da mente,

No compassado tilintar... Qual sino velho, do coração!


Olhe o céu, repare o mar, nas praias da minha alma...

Lá tu estás, linda como Malibu! Num reflexo intenso!

E meu peito, sempre, impregnado de um amor imenso,


Aquele pôr do sol, na tarde quente, assaz bem calma...

A vida a nos levar, nas canoas frias, de nossa fantasia!

Agora, apenas olho para Malibu... Sem a tua companhia.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 02.08.2012

21h40min [Noite]

Estilo: Soneto


Manelim, memental? Nunca!


Manelim era meu primo, gente boa...

Nunca foi passado para trás à toa...

Deu uma de louco para se aposentar,

Quando conseguiu saiu a comemorar!


Bebia cachaça e dizia, sou louco, louco,

Pra matar um agora falta muito pouco!

Eu e meus irmãos dentro de casa chorando,

Morrendo de medo ficávamos ali orando...


Depois se revoltou porque o dinheiro vinha

Mas ficava com sua mãe, era uma coitadinha!

Mas ele quebrou o pau, queria era na sua mão,


Deu uma de mais louco ainda pra conseguir,

E, claro, a mãe não aguentou e assim então...

Passou a grana pra ele! Ficou bom e a sorrir!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 16.10.09

Maldito ciclo de vida...

 Olho o pai a levar o bebê para a creche...

Olho o pai a levar o menino para a escola,

Olho o pai a levar o filho para a universidade,

Olho o pai a levar o filho para o casamento...


Olho o pai a olhar o filho levar o filho para a creche...

Olho o pai a olhar o filho levar o filho para a escola,

Olho o pai a olhar o filho levar o filho para a universidade,

Olho o pai a olhar o filho levar o filho para o casamento...


Olho o filho a levar o pai para o médico...

Olho o filho a levar o pai para a terceira idade,

Olho o filho a levar o pai para o asilo de velhinhos,

Olho o filho a levar o caixão do pai para o cemitério...


Olho o pai, o filho, o neto e o pai outra vez...

Olho a vida, a vida da vida e a morte...

Olho o mundo, o maldito ciclo da vida!

Olho e me pergunto: O que é a loucura?


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 28.11.10

Málaga


Eu juro, pelos teus olhos lindíssimos,

Duas verdes esmeraldas ao pôr do sol,

Que mesmo que te amasse, puríssimos

Sentimentos meus, jamais, meu girassol!


Nunca te daria uma estrela que fosse,

Do meu infinito céu de amor e solidão!

Assim quando tu acordasses, meu doce,

Serias a própria Órion na amplidão...


Ao sul de Málaga, existe um oceano azul...

Ali há um tesouro... É onde está escondido

Nosso mais íntimo segredo não confundido!


Foi lá, num dia de amor... Feliz e tão taful...

Que me perdi loucamente em ti! Indescritível!

Ah, Málaga! Sensação para a mente inacessível.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 23.04.2012

21:18 [Noite]

Estilo: Soneto

Mais distante...

 Tudo enfim

indelével

grudado

gravadas

imagens

na mente

não sai

não vai

com o

tempo

não tenho

tempo para

esquecer

nem a

distância

nem a vida

passando

não leva

não destrói

não corrói

nem apaga

nunca

pássaros

borboletas

catirinas

Maria-

Quen-Quem

nas caixas

de fósforo

fisgo

grudando

o pássaro

747

bigode

papa-capim

canário

colerinha

e no açapão

pipiras

chico preto

cai não cai

o currupião

arapuca

rolinha

nambu

faz isso

não

deixa as

bichinhas

todos

precisam

viver...

Mahatma


Ao amigo farmacêutico José Antônio Mauro, dedicado homem da sociedade nogueirense – (Artur Nogueira/SP)


Das muitas almas que nesta vida já conheci,

Eis a que mais admirei desde o dia que nasci!

De semblante sempre calmo e em tranquilidade,

Transmite a paz, sabedoria e olhar de bondade!


Com passos firmes, atravessa as ruas e avenidas,

O olhar vai cobrindo todos os espaços e colhidas

As imagens vai guardando no seu peito com amor!

São pessoas, pássaros ou mesmo uma simples flor...


Aguçado ouvido e experiência no trato com pessoas,

Indica o remédio certo e todos saem lhe tecendo loas!

Merece elogios que à vida do próximo se dedica!


Sua fé inabalável em Jesus Cristo que se santifica!

És “Mahatma”, a grande alma, Deus assim te escolheu,

Pra testemunho aqui na terra, desde que você nasceu.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 01.11.2019

13h25min [Tarde]

Estilo: Soneto

Mágoa


Noutros tempos, éreis a mais linda menina do mundo...

Pensava em ti como quem mergulhava em mim mesmo,

Pra encontrar minha preciosa pérola, andando a esmo...

E sonhava sempre encontra-la, em meu sono profundo!


Por toda a minha vida era em ti todo o meu doce sentido,

Como se fosse no meu ser a própria pulsação da alma...

Mas, te perdi na névoa do tempo... E choro arrependido,

Posto que queria descansar em ti, última morada calma!


Malditos fantasmas, não deixam meu coração em paz...

Vinho amargo do desprezo que em teu colo experimentei,

E pensar que o cheiro da terra molhada não mais sentirei!


Se imaginásseis que só o pensar em ti tanto mal me faz!...

Hoje, és apenas cinzas, dessas que eu nunca guardaria,

Pra não ter jamais nenhuma lembrança tua, velha feitoria.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 22.01.2023

17h05min [Tarde]

Estilo: Soneto

Mágoa


Para arutsiM anailuJ avlaD


A minha agonia, lindinha, é ver a tua mágoa, tua dor!

Na paz que a tua imagem me transmite, minha flor...

Sinto que o mesmo sentimento que hoje me alcançou,

Pelo teu simples coração de beija flor também passou!


Tentei até não chorar, mas olhei na tela a tua fotografia,

Com sorriso de Monalisa... Olhar perdido na imensidão,

O que queres disfarçar com esta tua alma assim tão fria!

Ouvi o teu puro desejo através da tua intensa pulsação...


Já vivi tanta mágoa que hoje nem sequer lágrima existe,

E minha vida que há muito tempo atrás era assim triste,

É hoje a mais pura alegria... Uma felicidade renascida!


Foi porque te conheci, bálsamo, cicatrizou a minha ferida!

O que será do meu futuro eu não sei... Vivo o presente!

É importante que neste momento a mágoa esteja ausente.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 08.04.2016

13h01min [Tarde]

Estilo: Soneto

Magnético


Eu que nem imaginava um sentimento,

Tive que, ao nascer, logo chorar!

Não sabia ao menos o que era alimento,

E a seguir, com fome, fui mamar!


Mãe Das Dôres, mãe Iza, mãe do céu!

A me olhar profundo, já me amava...

Eu não! Olhava tudo, assim, ao léu!

Não sabia ainda amar, mas já admirava!


Tristeza, pra mim, nunca, jamais existia...

Pobreza ou riqueza, não, nada tinha valor!

Apenas o olhar de minha mãe, eu via...


Uma angústia e a rezar ali, com amor...

Pensando qual seria mesmo meu destino...

Eu, apenas sorria, ao ouvir longe, um sino!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 26.01.2012

Magalhães Costa


(Em saudosa memória)


Das boas terras do “peixe que ronca”, Piracuruca, dos índios tocarijus,

Veio esta boa alma, com semblante tranquilo, de presente ao mundo...

Labutou na área do direito, se tornou desembarcador e pra lhe fazer jus,

A vida lhe presenteou com o dom da escrita e foi conhecedor profundo!


De estilo clássico, agradável e envolvente, com seu puro regionalismo,

Escrevendo fatos do dia a dia, contava com precisão e sem misticismo!

Descrevia os casos com leveza, sem perder a linha, fiel sempre à realidade,

Maravilha sem igual da literatura, pois toda a sua grandeza é boa verdade!


Trilhar esse caminho da intelectualidade é deveras custoso e fantástico!

Uma mistura de pensamentos, que traz a alma um sentimento enigmático,

O que Magalhães da Costa, com sua genialidade, conduziu magnificamente!


O que é bom nessa vida, engrandece e nos deixa marca permanente,

Pessoas iluminadas, que merecem todas as homenagens até a eternidade,

Pois alcançaram a glória de serem sempre lembradas, isso é imortalidade.

Mabungalion


Se for preciso renascer, eu morrerei...

Nesta hora de pura e simples nostalgia

O veneno mais puro do prazer eu beberei

Mergulhado nesse doce encanto da poesia.


Razão eu tenho se sobra pra esquecer

Esses momentos tormentosos que eu passo

E se a alma morre certamente eu vou morrer

É a consequência do destino que eu traço...


Pois há tempos me fugiu a doce alegria

Nunca me encontrei com a tal felicidade

Somente a poesia no meu triste dia

Penso em levar para toda a eternidade.


Três coisas descobri, desde menino,

- Amar não se pode só por brincadeira

- Dizer que não acredita no destino


- Perder a esperança na hora derradeira.

Assim, vivo, porque estou aqui para viver,

Mas logo em breve, verei outro sol nascer...


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 30.03.09


Mãe Pêda


Eram as de mãe Pêda as mãos

que sempre todos viam primeiro


foi a maternidade de centenas

na nossa pequena e bela feitoria


Não tinham outras não eram as dela

duas mãos grandes e macias


Doces mãos que recebiam todos e com

um grande sorriso nos lábios


Era quem dizia para o pai preocupado

é homem ou mulher aqui está o/a danado


E o pai feliz queria dizer a todos

da felicidade que chegara


E depressa pegava os fogos

e ia soltar no terreiro


Se fosse mulher era um tiro só

se fosse homem a alegria triplicava


Mas mãe Pêda tava ali, não arredava o pé

dava o primeiro banho com jeitinho bom


e depois que estava tudo muito bem

ia pra casa para o descanso merecido


Nós todos que fomos recebidos por ela

somos muito gratos por este ato de amor


Luz que brilha


Quanto mais caminho rumo ao destino escuro,

Tanto mais brilho trago em minha mente...

Na clareza dos fatos da vida antigamente,

Quando eu menino de alma e coração tão puro!


Transcorriam dias, meses e anos sem melancolia,

Na corrida maluca desse tempo abstrato e incerto,

E na minha infância bela não percebia quão perto,

Estava o fim desde o começo de quando se nascia!


Ah! Cometa ligeiro que é a vida nesta terra santa!

Lembrar as coisas que já se passaram em agonia...

Traz para a alma o doce engano e a vil fantasia,


De que, aqui não se colhe o que a gente planta.

E vem a morte e colhe o desgraçado e triste...

Vai-se tudo! Em pouco tempo, nada mais existe!


Poeta Camilo Martins

03.04.2010

Luz


No caminho da vida

Não sei explicar,

A dor que é sentida,

E o só lamentar!


O tempo que passa,

A linda luz da lua,

Não alumia a raça,

E você fica nua...


Que luz será essa,

De um brilho eterno?

Será que interessa,

Se é verão ou inverno?


Luz da minha alma,

Chama de amor,

Que sempre acalma,

Meu ser sofredor.


É um mistério de luz,

Que não vejo acesa,

Certamente é Jesus,

Amando me beija.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 05.10.09

Lúcia Ana


Quando se encontra uma pedra preciosa, há felicidade,

Lúcia Ana é dessas opalas de Pedro Segundo, raridade!

Nascida para brilhar sempre, isso faz em qualquer lugar,

com seu puro talento para a escrita, cria, é só imaginar!


Contista e cronista de mente cheia, ama a arte literária,

pensa em deixar um grande legado, tirando da memória

o que puder, pra engrandecer o seu povo e a sociedade,

em claras políticas que prega união, paz e solidariedade!


Tem coração e alma na leitura, na família e na literatura!

Com sua boa formação acadêmica serviu na casa de lei

do nosso Brasil, câmara dos deputados, galgando altura!


Chegado o tempo certo, no seio do seu povo disse: voltei!

Assim, segue o seu destino, assinando o nome na galeria

dos vencedores e na história da humanidade, com alegria.


Luciana Kraieski


La petite seréne da arte cultural do nosso amado Piauí,

unindo sabores, em pétalas literárias, gosto de bacuri!

Reza uma antiga lenda, que, quem nasce às margens

do rio marataoan, fica encantado com suas imagens!


Com olhar profundo, esverdeados olhos de um felino,

a enxergar no horizonte, a doce glória do seu destino!

Na arte do direito, construiu uma bela e sólida carreira,

destaca-se na área criminal, transpondo toda barreira!


Uma empreendedora de visão clara e objetivo concreto!

No caminho da literatura, fixando o olhar na imortalidade,

constrói com fortes blocos literários, seu perfil completo!


De ascendência materna polonesa, tem grande felicidade,

por ter a escritora Agnieszka Osiecka, como inspiração!

Seja feliz, Luciana, siga as batidas certas do seu coração.

Loucura...


Deixa eu penetrar em ti, por caminhos nunca explorados,

Pra eu sentir o gosto do teu prazer profundamente assim,

Nos becos, nas vielas, nas veredas do corpo impenetrados!

Para sempre ter o teu cheiro, tua essência dentro de mim...


Minha doce loucura é esse sentimento de amar, meu amor,

Na minha solidão, no vazio da alma, tudo tu preenches, flor...

A luz que vem do teu interior, aquece-me assim, inteiramente,

E é o que me mantém vivo e a te amar mais e intensamente...


Essa minha loucura, me faz morrer cada dia para mim mesmo,

Vagando pelo espaço, em pensamentos desconexos, a esmo...

E em cada amanhecer, vais renascendo em mim, dominando,


Corpo, espirito e coração, nesse meu cometa, chamado vida!

Sigo, paro, espero, ando, escuto... É a loucura me chamando!

Não tenho saída, é por ti que eu vivo eternamente... Querida.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 29.06.2022

12h26min [Tarde]

Estilo: Soneto

Longe, porém...


Estou há milhões

De quilômetros

De mim...

A milésimos

De milímetros

Dentro

De ti...

Desvio de sois

Girassóis

Desvio de tudo

Até de nós.

Na constelação

Dos teus

Átomos

Teimo em ir

Na profundidade

Do teu

Pré-sal... vai...

No núcleo

Arrebatável

De tua

Cavidade

Triangular

Não me

Encontro...

Longe, porem

In... this is

My older dream!

Let-me see

Your hands,

Face...where are

You...love?

Come here!

Lets go. We

Are the power.

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 15.12.08

Logos


Não sei qual a razão dessa solidão que me invade,

Pobre alma em desalento, soluçando aos prantos!

Vai se pelas vielas da vida, lágrimas pelos cantos...

E ouço, Deus, os cantos de minha terra na saudade!


As festanças, os festejos, as tertúlias lá no Zé Vaniz...

E eu a paquerar as lindas meninas de minha cidade!

O tempo vai passando e eu com ele, é bem verdade,

Sigo rumo ao (des) conhecido... Sem nada do que fiz!


Hoje, só a dor me acompanha! Ainda em juventude...

Amei, amei até a exaustão! Pode ter sido uma virtude!

Mas, adianta amar, se mesmo assim caí no esquecimento,


E me aguarda sete palmos de terra, selados com cimento?!

Oh! Visão matinal dos meus dias azuis, estrelas do meu céu,

Socorrei-me, tendes piedade! Não me cubras com este véu.


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 03.12.2011

Locutor de Rádio...


Foi uma experiência e tanto

Nem é preciso fazer espanto

Rádio primeiro de julho

E eu conto com orgulho.


Programa poesia, amor e vida

Em Água Branca cidade querida!

Quando eu chegava, lá estavam

As cartinhas que me aguardavam.


Camilo Neto - dizia uma com carinho

“Escrevo-te aqui do meu cantinho

Para pedir uma música muito especial

Eu quero ouvir na minha noite nupcial”.


Já outra dizia sem nenhuma rima “vai

Cartinha, vai na rádia Primeiro de Julho(ai)

E diz pro Camilo Neto que não esqueça

Nunca de mim” - (Embora ela mereça) ...


Numa muito bem escrita a moça dizia

Que já havia mais de um ano não via

Mesmo, mais nenhuma razão para viver

E assim só estava pensando em morrer...


Um outro ouvinte, na carta, sempre pedia

Para tocar a mesma canção, todo dia...

A música – “Morto por dentro” de Barrerito

E o Marcelo, técnico de som ouvia o grito...


Esse cara é gay, com certeza! Oferecia

A música só para machos e se derretia...

Depois descobri o homem era maluco

Os machos eram filhos dele e o matuto...


Oferecia para mim e para o doutor Calado

Eu, o locutor e ele um emprego tinha dado.

Era muito legal! Eu ia do choro ao riso...

Isso muito longe do chão que hoje eu piso.


Não sei o que se deu, com toda aquela gente

Que me ouvia e me amava, foi muito de repente

Que deixei tudo por lá... Hoje já faz vinte anos...

E no saudoso coração ainda tenho mil planos!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 13.01.09

Lisete Napoleão


Vens da doce princesa do sul, com sangue literário nas veias,

Como belíssima aracnídea, fostes tecendo tuas nobres teias!

Hoje o Piauí, Brasil e o mundo, conhecem tua arte e o teu dom...


Posto que a cada cor do arco íris da poesia, destes mais um tom!

Tens a grandeza de dourada águia, na essência do teu labutar,

E a admiração de todos, no teu jeito simples e sincero de amar!


Amar a arte, a cultura literária e amar ao teu redor, as pessoas...

Feito Atenas, deusa grega da sabedoria, tens para ti muitas coroas!

Contando em belas crônicas a vivência do nosso povo do Piauí,


Ou falando das coisas do amor, agregando valores, aqui e ali...

Fazendo o ajuntamento em agremiações literárias mui especiais,

És a própria extensão da poesia, na prossecução de hinos joviais!


Engrandeces a história da nossa terra e te tornas pra sempre imortal!

Cravar o teu nome na galeria dos benfeitores da humanidade, é vital.


Lobo


As trêmulas mãos, tenho agora,

Do nada veio a mansidão do dia...

Tudo o que eu queria, joguei fora!

Não há mais pedras no caminho,

Existe, sim, o que eu mais temia!

A dor, o olor, meu amargo vinho...


Por que, Deus, a vida é tão cruel?

Pouquíssimo tempo para sorrir...

Muito mais para sofrer e chorar!

Não há trégua, não há um revel...

Muita gente por aí, só a mentir,

Dizem que seu desejo é o amar!


No entanto o que se ver nas ruas,

São milhões de sofredoras nuas...

Almas sem alento, tristes, famintas!

Por cobertor, a própria pele, cintas...

Apertam o estômago vazio e a fome,

A matar um a um... Claro, não come!

Vai-se a noite e vem o amanhecer...


Não há nada novo, a não ser o dia,

Trazendo aquela velha conhecida...

Não há mais um bom envelhecer,

Felicidade se quis, mas já é tardia...

A boa alma já se encontra falecida!


Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 25.05.2013

17h33min [Tarde]

Estilo: Sexteto em rima livre

My Heaven

                                    A Minha amiga Giovanna Vieira Quando me dei conta, já estava envolvido, E os sentimentos todos em partes...