quarta-feira, 8 de maio de 2024

A Novinha, era...

 

À minha prima Marinalva Martins

 

Não era novinha... Era navinha,

Pois o seu nome é Marinalva!

E o diminutivo logo vinha...

Minha eterna estrela d’alva!

 

Éramos bem criança, eu sei,

Minha prima menina ainda,

E ao querê-la, logo dancei...

Para mim era muito linda!

 

Amava o seu jeito de ser,

O cabelo castanho e cacheado,

Refletindo o seu modo de viver!

 

Vai pulando no corredor ladrilhado,

E eu ali, olhar firme e observador,

Seguindo os passos do meu amor!

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 14.10.09

A Noite Fria

 

Não pude esconder de ti o meu corpo quente,

Éramos tão ingênuos e sem nenhum segredo,

E até certo ponto fui tolo, um inconsequente,

Depois, como defesa, fiquei com muito medo.

 

Uma noite diferente, nós aquecidos, ela fria,

E pensar que em alguns momentos eu chorava,

Enquanto tu, encantada pelo momento, sorria...

Num misto louco de quem se traía, mas amava!

 

Pelo simples prazer de mostrar que era poderosa...

E que fazia o que te parecesse bem fazer e amar,

Nem que passasse a vida pelos cantos, chorosa...

 

Depois daquela noite fria, mas de corpos ardentes.

De alma leve, estavas feliz da vida, no ar a flutuar,

A encontrar em outras dimensões astros reluzentes!

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 27.07.09

A Música

 

 Era um som que eu nunca tinha ouvido,

Vinha lá da cachoeira aonde eu sempre ia,

Música suave e triste, de coração partido.

Acalmava qualquer alma que a ouvia...

 

Fiquei parado próximo aquele belo lugar,

Fitei o meu olhar aguçado atrás das águas...

Lá estava aquela que cantava pra encantar,

Os corações perdidos de tantas mágoas...

 

Linda mulher! Como canto de sereia no mar,

Estava ali bem perto de mim a me acalmar...

Naquele banho, como nasceu... Maravilhosa!

 

Parei no tempo e olhei para o céu, o espaço...

Desejei por tudo no mundo, seu beijo e abraço!

E fui ao encontro de minha visão, daquela rosa.

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 22.07.09

A Montanha

 

Eu vejo o horizonte

         até onde a vista

não vê mais nada,

         fumaça, névoa

[vi-são] sentimental

         no centímetro da vida

ao quadrado do círculo

        [vi-cioso] ou não do outro

lado da vida, realidade

        nua, crua, adversa, no

verso ou anverso em

       todo o [uni-verso] que

não une as vidas em

       constante [ou in-constante]

guerras de sangue a sangue.

       Satisfaz-se no verter ou

beber a lida, a vida do

       outro, no outro lado

[ini-migo] fazendo chorar

       ou não tendo ou não

dor, angustia, no prazer

       de ver e não sentir o

quanto a dor dói ou não,

      languida respiração da

alma sentida à distância,

      vem vindo o [mau] cheiro

lá da montanha, que cobre

      encobre e não cobra

em tempo algum nada

      do que subiu e não desceu,

e, se foi, para todo o sempre, [amém]

      na montanha da visão da vida

da gente que sobe, sobe e

      depois se vai para debaixo da

terra quer seja montanha

      ou não, mas, se vai e se vai.

Sem sombra ou dúvida, sempre

      vai, pra sempre e sempre.

A Minha Conquista

 E muito mais até do que um turbilhão

Do mais profundo de todos os oceanos

Este passar dos meus vis e tristes anos

Preso na cela número um, nono pavilhão.


De lá sai para a mais pura liberdade

Do pesadelo mau daquela escravidão

Acorrentado as grades do teu coração

Quase perdi a vida na primeira idade


A minha conquista e um grande marco

De quem na vida pensa viver em paz

Mas tem a ciência que o recurso e parco


Mas vale mais ser livre e ser assim capaz

De lutar tranquilo pelo que se quer ter

Do que ser escravo na vida e não viver.


A Menina e a Boneca

 

Ela brincava à porta

à porta da sua casa.

 

Sorria, piscava, beijava

sua boneca querida.

 

Cabelos dourados, pretos

e até cabelos lilás.

 

Cheiro da roça, a menina

e a boneca também.

 

A roça era no quintal,

no quintal da sua casa.

 

Mas ela amava a boneca

e aproveitava o que podia.

 

Antes mesmo do cheiro se ir

no final daquele dia.

 

A boneca não era uma Barbie,

nem qualquer outra conhecida.

 

Tão pouco era de material,

como todas as bonecas são.

 

Ah, que boneca linda e cheirosa,

dizia feliz a menina!

 

Obrigada, papai, pela minha

boneca novinha e limpinha.

 

Com aquele banho de chuva,

ela ficou bem contente.

 

E a menina sempre feliz

e palpitante o coração.

 

Admirava sua boneca quietinha,

feita de uma espiga de milho.

A Maria

 

 

Maria concebida pro pecado

Madalena dos becos desta vida

Dar e recebe um mau bocado

E é por isso de todos conhecida.

 

Fica nos trilhos ao lado do cemitério

Se junta a tantas Joanas, Zélias...

Não tem prazer e tudo um mistério!

Pensativa não e como as Amélias...

 

Ah! Maria, mil desculpas só para

Se prostituir... E com coragem na cara

Faz de cada cliente uma fantasia

 

Levando uma vida de melancolia

Comendo o pão que ela não amassou

Abriu-se uma porta! Mas ela não entrou...

A Magrela (Era Ela)

 

À amiga Fabiana Verdeiro

 

 

É SINGELA

É BELA

É FERA

ESPERA

NA DELA

A HORA

CHEGAR

 

É DELA

CHEGAR

ESPERAR

FICAR

NA DELA

A BELA

MAGRELA

DECIDIDA

DIVIDIDA

MERECIDA

(POBRECITA)

 

LÁ VAI ELA

BRANQUELA

REQUEBRA

SE QUEBRA

NÃO LIGA

É ELA EU SEI

É FÁCIL SABER

SILUETA

SEIOS FARTOS

VÊ, QUE BLUSA!!??

PERNAS FINAS

FIU, FIU... !!!!!

 

VAI QUE VAI

A BELA

NÃO FERE

SE FERE

NÃO SENTE

SANGUE AZUL

A BRANQUELA

BANGUELA(?)

 

A FABI (OLÁ)

ANA BELA

FALA BEM

A BELA ERA

OLHOS VIVOS

FARO BOM

ENVOLVES

TE VOLVES

RESOLVES

 

VAI OU VEM

A MAGRELA

NÃO SE SABE

DE FRENTE

OU DE COSTAS,

NÃO SE SABE

DE PERFIL, FIIUU...

DE(U)SA – PARECE!

A Lua

 

Penso

Olho

Espiando

Vendo

Pensando

Na lua

 

Bonita

Provocante

Sufocante

Brilhante

A vejo

Olhando

Vendo

 

Sendo

Assim

Tão bela

Serás

Para

Sempre

 

Meu astro

Ou vida

Vivida

Sabida

Que és

Linda

 

É a lua

Da vida

Da gente

Tão bela

Que vela

Por nós.

A Linguagem do esq

 

Todaesq

Vezesq

Queeuesq

Pensoesq

Emesq

Meuesq

amigoesq

Ribaesq

Mevemesq

Naesq

Mentesq

Aesq

Liguaesq

Doesq.

Podeesq?

Issoesq

Jaesq

Fazesq

Trintaesq

Anosesq

Qundoesq

Euesq

Estudavaesq

Laesq

Noesq

Enaesq

Emesq

Pernambucoesq.

Euesq

Soesq

Conversavaesq

Comesq

Ribamaresq

Assimesq.

Coisaesq

Deesq

Loucoesq!

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 09.01.09


A Lágrima

 

Vertendo é fonte

Caindo é dor

Com riso é amor

Na face vulcão.

 

Na terra é cratera

Tsunami no coração.

No lamento profundeza

E em vão rega o chão.

 

Chorar sem ela

É possível sim...

Mas, há um lamento

Sem nenhuma dor?

 

Na tristeza da vida

É a manifestação.

Na miséria da vida

Pouco é consolação.

 

No peito soluçando

Vai na face escorrendo

Para comprovar sempre

Como se está vivendo.

 

Aqui, hoje 29.01.07

A lagoa da baixa

 

Na passagem para o alto fresco, a lagoa!

Eu nunca quis naquela água mergulhar,

Era barrenta, suja, para banho se tomar,

Esperava sempre se tornar uma água boa.

 

Mas todos esses anos e nunca aconteceu,

Está do mesmo jeito que sempre a conheci!

Bois, bodes, porcos bebendo e o bem-te-vi,

Um tempo até a água em meu nariz fedeu!

 

E é assim, ora está cheia e água vai embora,

Renovando, fica linda e passeamos ao redor,

Numa paisagem deslumbrante! Ah, que amor!

 

No verão a água quase acaba e seca a flora!

A lagoa lá da baixa é como o meu coração...

Falta é morrer de tanta saudade nessa estação.  

A Janela

 

Para Marinalva Martins

 

Lembro assim de mamãe, minha querida!

Noite escura e ela tão preocupada, tadinha...

Vem ao meu quarto e pede, filha, minha vida,

Fecha a janela, é perigosa aberta, queridinha!

 

Traz-me uma fina dor no peito esta lembrança,

Um certo remorso até, à minha mãe recordar,

Porque não atendi dela aquele pedido? Só amar

Era o que queria, apenas proteger, desde criança...

 

Mamãe já se foi, olho hoje aquela janela aberta,

Guardo na memória o seu doce pedido de alerta!

Agora entendo a sua preocupação, seu cuidado...

 

Na extensão da simbólica cena de céu enluarado,

Está a janela do coração para se cuidar redobrado,

Se mamãe vivesse ainda, o trato seria mais refinado.

 

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 28.08.2021

19h05mim [Noite]

Estilo: Soneto

A Igrejinha da Baixa

 

Ali ao lado tinha um pé de juá bonito e frondoso,

A feira livre começou ali embaixo, espaçoso lugar,

O pé de juá de tão grande sombra era bem bondoso!

Depois da missa, da reza, que fosse, todos iam lá.

 

Caminhada à toa, comidas gotosas e uma boa prosa,

Ali na baixa, nas manhãs felizes da minha infância,

Vovó tranquila sentada em sua cadeira preguiçosa!

Olhar perdido a observar a rua, o povo lá da estância.

 

Hoje, vejo com os olhos de antigamente aquilo tudo,

E me vem à mente tudo o que via quando era menino,

Paro, deixo cair algumas lágrimas e, claro, fico mudo...

 

Aquela igrejinha, que ainda está lá, onde eu brincava,

De escalar a grande parede e tocar lá em cima, no sino!

Deus! Que tempo aquele maravilhoso e que eu amava...

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 26.08.09

A Gruta da Saudade

 

Tantas vezes te olhei naquela gruta,

Com a cuia da cabaça te banhavas!

Debaixo daquela árvore sem fruta...

Num gesto magnífico te abaixavas.

 

Água límpida, quem dera, cristalina,

E o brilho que saia dos olhos teus...

Com certeza tu sabias, oh, menina,

Que eu te espiava com olhos meus.

 

Mas sabes que até hoje eu choro...

Fui um covarde e não tendo coragem,

E por não revelar o meu amor, imploro,

 

Perdão te peço junto à tua imagem,

Naquela gruta não volto nunca mais!

E não tiro da lembrança o que ela traz.

A Folha Seca

 

Eu vi uma folha seca na estrada

E a carregá-la, um forte vento,

Ia para todos os lados sossegada,

Meditei um pouco, fiquei atento,

 

Folha seca, pelo vento carregada,

Sem vida, amor, triste essa sina!

Sem nenhum porto para a chegada,

E o vento logo ao fogo lhe destina.

 

Eu sou tal qual aquela folha seca,

Caindo do galho verde e frondoso,

Não senti da manhã a brisa fresca,

 

Mas jogado ao léu, o Deus bondoso,

Na Sua infinita, boa e bendita graça,

Livrou-me do fogo daquela sarça.

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 12.10.09

A Festa dos Santos

Era madrugada

Eu dormia profundamente

Mas, de repente!

Uma cantoria infernal...

Ai, meu são Francisco

Ai, meu são Cosme

Ai, são Damião

Ai, são Sebastião

Ai meu são Benedito.

Ai, meu são Camilo

Daí eu acordei aflito...

Ainda atordoado

Olhei rápido pro lado

Estão me chamando

O que foi?? O que foi?...

Psiu...psiu... que é isso

Olha o respeito!

Num tá vendo que

E a reza?... Psiu.

Ai, meu são Jerônimo

Ai, meu são Cipriano

Ai, meu são João batista

Ai, meu santo Antônio

Ai, meu santo Agostinho

Ai, meu são Jorge

E a reza vai entrando

De casa adentro...

Opa! Pêra aí... Vamos

Devagar! Vocês ficam

Chamando o diabo desses

Santos todos aí... A casa

Num cabe, não, pera aí...

E o pior... só santo macho!

Que é isso, e uma reza gay??

Psiu...psiu! Isso são modos

Como e que você trata

Assim os nossos santos?

Olha o castigo, hein!

Ai, santa Maria

Ai, santa Isabel

Ai, santa Quitéria

Ai, santa Gertrudes

Ai, santa Teresinha

Ai, santa Filomena

Alguém pode me dizer

Porque só falam

Ai, ai, ai... Tá doendo

Alguma coisa, tá?

...Valei-me santo Onofre

Valei-me santa Marta

Valei-me são lazaro

Valei-me santa helena

Valei-me são Tomé

Valei-me são Paulo

Paro! Valei-me todos

Vocês! Tenham santa

Piedade... de mim.

Chega! Chega de tanta

Santa e santo e o que for!

Porque vocês não dizem

Ai, todos os santos?

Daí já vem tudo de uma vez!

Psiu! Psiu... Essa e a questão

Hoje é dia de todos os

Santos!!  Temos que invocar

Um por um...

E, já vi que vai a noite

Toda!...

Ai, São Pedro do Piauí... 

Ai, São Gonçalo

Ai, São...

São...

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 16.01.09 

A Dor

 

Na vida cá desse lado

Do que se sabe em desamor

Se grita ou fica calado

De pior que se tem e a dor.

 

A dor boa, a de dar à luz

Colocar no mundo uma criança

Como Maria fez com Jesus

Trazendo assim a esperança.

 

A dor ruim, as pessoas ficam mudas

Aquela do final, da terrível traição

Do discípulo de Jesus, o amigo Judas

Entregando-o a turba enfurecida da nação.

 

A dor de Madalena, a do arrependimento

E lava agora os pés de seu amado senhor

Não só em honra, mas em agradecimento

 

Mas, nenhuma dor foi maior, sem amor

Do que a que Jesus sentiu na rejeição

Pois foi a dor que lhe parou o coração.

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 16.01.09  

A Cuia

 

Pegue um coité ou cabaça,

Rasgue no meio certinho...

Cada banda vira cuia, faça,

Furo bem fininho, pertinho!

 

Logo tenha assim uma peneira.

Massa de cuscuz... Quietinho!

Pra saborear de toda maneira.

 

Meu grande amigo, o Betinho,

Gosta muito de comer na cuia!

E o que faz na cuia, lá na tuia?

Furo bem fininho, pertinho!

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 20.03.2012

21:17 [Noite]

 

[Estilo: Poesia em Roundel] * Roundel. * Origem: Inglaterra. * Significado: Redondo. * Início: Século XIX. * Título: Obrigatório. * Rima: Primeira estrofe, alternada (abaB). Segunda estrofe, emparelhada (cbc). Terceira estrofe, entrelaçada (bddB). O quarto verso da terceira estrofe é a repetição do quarto verso da primeira estrofe. As letras maiúsculas representam os versos que se repetem na poesia. * Métrica: O rondel, em geral, deve ser heptassílabo ou octossílabo. Porém, há autores que se utilizam de outras construções. * Momento: Passado, presente e futuro. * Tema: Livre.* Estrutura: O roundel é formado por três estrofes. A primeira com quatro versos, a segunda com três e a terceira com quatro versos, num total de 11 versos. O quarto verso da terceira estrofe é a repetição do quarto verso da primeira. * Características: As características principais do roundel são: canto aos amores, às paixões e o uso de figuras de linguagem. No roundel, como em outros gêneros de poesia, também são obrigatórios ritmo, acentuação tônica e medida silábica.

A Cobra, Eu e Outra...

 

Essa quem me contou foi o cumpade

Luiz dicosa. Ele disse qui uma veiz

Foi pescar la na lagoa das negas

E quando chegou si instalo muito

Bem reparou pur todo canto, tava

Tudo tanquilo, sigundo eli mermo...

La pelas tanta, trinta e três vara di

Anzol cum isca pra dento da água

Viu um galho de arvore qui era

Uma belezura pra modi subi e joga

Di la mais um anzor pra modi vê

Si cunsiguia visga uma traira...

Então ele foi inte la, verifico e

Tava tudo nus conformi, la ficou...

Obiservava as vara e dali jogava

A sua isca... Cunversa vai e

Cunversa vem uma daquelas

Traira grande visgo e ele deu

Um baita dum puxão qui a linha

Deu trinta e três volta no galho

Dirriba e foco a bicha si debatendo

E pindurada emrriba dele, coitado!

Fico mei sem ação, mais dispois

Arrisco tira a danada do anzor.

O tempo já iscurecendo, as vara

Tudo invergada, dizendo qui

Tinha outros peixe já nos anzors,

Mais ele tinha qui resorve aquela

Parada qui num era mole não!

Fico impe no galho qui ele istava

Pescando imrriba e si iquilibrando

E tremendo mais qui vara verde,

Foi si erguendo e assim chego

Inte onde tava o anzor cum a

Taira... era uma inorme! Se

Debateu na cara dele, mais ele

Guento firmi ali sigurando no

Galho e cum a outra mão tentava

Tira a bicha. Di repente, gelo

Vinha descendo pelo galho

Uma cobra qui era uma danada!

O cabra si mixo di medo e cumeco

A rezar pra todos os santo das

Santíssimas congregação dos

Camilinos di Jesuis e otros mais.

Fico quetin qui nem uma estauta.

E a sanguinolenta e venenosenta

Cobrasenta si aproximandu...

A cascarenta da peçonhenta da

Cobra deu um salto, pegou uma

Perereca qui tava na ponta do

Galho e tibumm dento da água.

A bicha tava mirando era na

Perereca e nem num tava vendo

Luiz dicosa, cabra di muita sorti!

Tiro a traira do anzor, quebro a

Linha, desceu cum mais di mil

Recolheu as trinta e duas vara

Cada uma com uma traira maio

Qui a outra e quando foi tira

A ultima, adivinha? Enroscada

Uma perereca com a metadi

Dento da boca de uma cobra!!!

Vê si pode? Dexo pra la e si

Mando apavorado gritandu

Valei-mi minha santa perereca

Das cobra dento, vai-ti pra la.

Chego in casa pidindo pra

Cumadi dicosa ajuda a limpa

Os pexe... e ali fazendu o

Sirvico contava a istora e dava

Risada... Vai minti assim pro

Inferno cabra da peste!!

Mais nu outro dia tava la

As trairona cortadas ao mei,

Salgada e nu ponto di assar...

Eu nem dava bola, purque

E mio cume traira assada

Du qui dize qui era tudo

Mintira e fica di fora da farra!

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 16.12.08

 

A Chuva...

 

 

A chuva está a cair

a cair está a chuva

do céu vem a terra

da terra vai ao céu.

 

Pingo por pingo

enche rios, açudes

e lagos, forma

poços e riachos...

 

Chuva bela, bela chuva

do seco faz o molhado

ao cair no

chão rachado.

 

Rachado de tanto sol

faltou a chuva então

rachou, chegou a

chuva normalizou.

 

Chuva faz bem,

faz muito bem a chuva

sem chuva seria ruim

seria muito ruim sem chuva.


 

A Chuva

 A Chuva Choveu Na Roça

Em Que Roça Choveu A Chuva?

Não Foi Na Roça Da Minha Terra

Que Choveu Essa Chuva Falada.

 

Plantou-Se Na Terra Seca

Sementes Que Não Nasceram

Porque A Chuva Não Choveu

E Todas Elas Morreram.

 

As Aves Também Comiam

Mas Como Estavam Envenenadas

As Coitadinhas Então Morriam

E Não Choveu; Ah! Se Chovesse...

 

O Bichos Do Mato Comiam As Aves

Pensando Delícias Comer E Então

Envenenadas Estavam E Todos

Eles Morreram, E Nada De Chuva.

 

E Assim, Como Não Chovia...

Ossos E Ossos Foram Ficando

Assim Foi Aumentando E O

Homem Também Morreu.

A Chica...

 

A Chica que eu conheci...

Era desdentada e careca!

Fiquei com medo e corri,

Ela era levada da breca!

 

A Chica que eu conheci...

Chegou na minha cidade,

Com um circo, isso eu vi!

E só aprontava maldade...

 

A Chica que eu conheci...

Cuidava mal dos macacos!

E num belo dia eu sorri...

Ela com eles aos sopapos!

 

A Chica que eu conheci...

Se travestia de mulher!

Mas por baixo da roupa ali,

Não se sabe até hoje o que é!

 

A Chica que eu conheci...

Morreu assim, engasgada,

Com caroços de murici...

Junto com a macacada!

 

A Chica que eu conheci...

Deixou apenas a história,

Que no peito cedo eu verti...

Nesse mundo, não há glória!

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 15.08.2011

A Casa de Palha

 

Eu olho enternecido aquela casinha...

À beira da estrada, que não existe mais!

Lembrando daquela doce velhinha...

Minha avó, acendendo o lampião a gás!

 

Fiz de tudo para aquela casa conservar...

E ficar com ela para minhas recordações,

A circunstancia, o tempo e o observar...

Pensei comigo, dividiria muitos corações!

 

Assim a casa de palha fica só na lembrança,

Do tempo em que à beira do fogão à lenha,

Com muito cuidado do cabelo, da sua trança,

 

Vovó mudava as brasas, sem que medo tenha,

De queimar a mão, pois com ela passava a brasa...

E eu sorrindo de emoção, naquele dia em sua casa.

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 27.11.09

A Bicicletinha Vermelha

 

Ah! Hoje quando eu me lembro

Daquela bicicletinha vermelha

Que papai de presente me deu...

Era bem pequenininha, mas cabia

Minha irmã, meu irmão e eu!

 

Andava rua acima e rua abaixo

A toda velocidade, nas avenidas

Movimentadas, meu Deus! Íamos

Por toda a cidade, na bicicletinha

Vermelha... Era muita felicidade!

 

Ia pela avenida Alameda Parnaíba,

E pegava a rua Rui Barbosa e depois

A Pernambuco, buracos aos milhões...

Um vuco-vuco só... E na bicicletinha

Vermelha eu pedalava quarteirões!

 

O destino, a igreja no bairro São Jose...

Todos ficavam olhando a nossa chegada,

Como que a bicicletinha vermelha, meu,

Podia com minha irmã, meu irmão e eu? 

Nem eu sei explicar, mas, sabe com e...

 

A bicicletinha era pequena, com um

Varão bem curtinho, um celim pequenino

E uma garupa menor ainda... E nos três

Iguaisinhos a bicicletinha vermelha...

Um pequeno, um menor e um menorzinho!

 

Que saudade da linda bicicletinha vermelha...

Da minha querida irmã Egídia e do meu irmão

Gregório querido! Nos tempos bons da infância!

Hoje guardo apenas uma centelha... Da minha

Bicicletinha vermelha, na mente como lembrança.

 

My Heaven

                                    A Minha amiga Giovanna Vieira Quando me dei conta, já estava envolvido, E os sentimentos todos em partes...