Essa quem me
contou foi o cumpade
Luiz dicosa.
Ele disse qui uma veiz
Foi pescar
la na lagoa das negas
E quando
chegou si instalo muito
Bem reparou
pur todo canto, tava
Tudo
tanquilo, sigundo eli mermo...
La pelas
tanta, trinta e três vara di
Anzol cum
isca pra dento da água
Viu um galho
de arvore qui era
Uma belezura
pra modi subi e joga
Di la mais
um anzor pra modi vê
Si cunsiguia
visga uma traira...
Então ele
foi inte la, verifico e
Tava tudo
nus conformi, la ficou...
Obiservava
as vara e dali jogava
A sua
isca... Cunversa vai e
Cunversa vem
uma daquelas
Traira
grande visgo e ele deu
Um baita dum
puxão qui a linha
Deu trinta e
três volta no galho
Dirriba e
foco a bicha si debatendo
E pindurada
emrriba dele, coitado!
Fico mei sem
ação, mais dispois
Arrisco tira
a danada do anzor.
O tempo já
iscurecendo, as vara
Tudo
invergada, dizendo qui
Tinha outros
peixe já nos anzors,
Mais ele
tinha qui resorve aquela
Parada qui
num era mole não!
Fico impe no
galho qui ele istava
Pescando
imrriba e si iquilibrando
E tremendo
mais qui vara verde,
Foi si
erguendo e assim chego
Inte onde
tava o anzor cum a
Taira... era
uma inorme! Se
Debateu na
cara dele, mais ele
Guento firmi
ali sigurando no
Galho e cum
a outra mão tentava
Tira a
bicha. Di repente, gelo
Vinha
descendo pelo galho
Uma cobra
qui era uma danada!
O cabra si
mixo di medo e cumeco
A rezar pra
todos os santo das
Santíssimas
congregação dos
Camilinos di
Jesuis e otros mais.
Fico quetin
qui nem uma estauta.
E a
sanguinolenta e venenosenta
Cobrasenta
si aproximandu...
A cascarenta
da peçonhenta da
Cobra deu um
salto, pegou uma
Perereca qui
tava na ponta do
Galho e
tibumm dento da água.
A bicha tava
mirando era na
Perereca e
nem num tava vendo
Luiz dicosa,
cabra di muita sorti!
Tiro a
traira do anzor, quebro a
Linha,
desceu cum mais di mil
Recolheu as
trinta e duas vara
Cada uma com
uma traira maio
Qui a outra
e quando foi tira
A ultima,
adivinha? Enroscada
Uma perereca
com a metadi
Dento da
boca de uma cobra!!!
Vê si pode? Dexo pra la e si
Mando
apavorado gritandu
Valei-mi
minha santa perereca
Das cobra
dento, vai-ti pra la.
Chego in
casa pidindo pra
Cumadi
dicosa ajuda a limpa
Os pexe... e
ali fazendu o
Sirvico
contava a istora e dava
Risada...
Vai minti assim pro
Inferno
cabra da peste!!
Mais nu
outro dia tava la
As trairona
cortadas ao mei,
Salgada e nu
ponto di assar...
Eu nem dava
bola, purque
E mio cume
traira assada
Du qui dize
qui era tudo
Mintira e
fica di fora da farra!
Poeta Camilo
Martins
Aqui, hoje,
16.12.08