quarta-feira, 8 de maio de 2024

A Cobra, Eu e Outra...

 

Essa quem me contou foi o cumpade

Luiz dicosa. Ele disse qui uma veiz

Foi pescar la na lagoa das negas

E quando chegou si instalo muito

Bem reparou pur todo canto, tava

Tudo tanquilo, sigundo eli mermo...

La pelas tanta, trinta e três vara di

Anzol cum isca pra dento da água

Viu um galho de arvore qui era

Uma belezura pra modi subi e joga

Di la mais um anzor pra modi vê

Si cunsiguia visga uma traira...

Então ele foi inte la, verifico e

Tava tudo nus conformi, la ficou...

Obiservava as vara e dali jogava

A sua isca... Cunversa vai e

Cunversa vem uma daquelas

Traira grande visgo e ele deu

Um baita dum puxão qui a linha

Deu trinta e três volta no galho

Dirriba e foco a bicha si debatendo

E pindurada emrriba dele, coitado!

Fico mei sem ação, mais dispois

Arrisco tira a danada do anzor.

O tempo já iscurecendo, as vara

Tudo invergada, dizendo qui

Tinha outros peixe já nos anzors,

Mais ele tinha qui resorve aquela

Parada qui num era mole não!

Fico impe no galho qui ele istava

Pescando imrriba e si iquilibrando

E tremendo mais qui vara verde,

Foi si erguendo e assim chego

Inte onde tava o anzor cum a

Taira... era uma inorme! Se

Debateu na cara dele, mais ele

Guento firmi ali sigurando no

Galho e cum a outra mão tentava

Tira a bicha. Di repente, gelo

Vinha descendo pelo galho

Uma cobra qui era uma danada!

O cabra si mixo di medo e cumeco

A rezar pra todos os santo das

Santíssimas congregação dos

Camilinos di Jesuis e otros mais.

Fico quetin qui nem uma estauta.

E a sanguinolenta e venenosenta

Cobrasenta si aproximandu...

A cascarenta da peçonhenta da

Cobra deu um salto, pegou uma

Perereca qui tava na ponta do

Galho e tibumm dento da água.

A bicha tava mirando era na

Perereca e nem num tava vendo

Luiz dicosa, cabra di muita sorti!

Tiro a traira do anzor, quebro a

Linha, desceu cum mais di mil

Recolheu as trinta e duas vara

Cada uma com uma traira maio

Qui a outra e quando foi tira

A ultima, adivinha? Enroscada

Uma perereca com a metadi

Dento da boca de uma cobra!!!

Vê si pode? Dexo pra la e si

Mando apavorado gritandu

Valei-mi minha santa perereca

Das cobra dento, vai-ti pra la.

Chego in casa pidindo pra

Cumadi dicosa ajuda a limpa

Os pexe... e ali fazendu o

Sirvico contava a istora e dava

Risada... Vai minti assim pro

Inferno cabra da peste!!

Mais nu outro dia tava la

As trairona cortadas ao mei,

Salgada e nu ponto di assar...

Eu nem dava bola, purque

E mio cume traira assada

Du qui dize qui era tudo

Mintira e fica di fora da farra!

 

Poeta Camilo Martins

Aqui, hoje, 16.12.08

 

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