quarta-feira, 8 de maio de 2024

A Montanha

 

Eu vejo o horizonte

         até onde a vista

não vê mais nada,

         fumaça, névoa

[vi-são] sentimental

         no centímetro da vida

ao quadrado do círculo

        [vi-cioso] ou não do outro

lado da vida, realidade

        nua, crua, adversa, no

verso ou anverso em

       todo o [uni-verso] que

não une as vidas em

       constante [ou in-constante]

guerras de sangue a sangue.

       Satisfaz-se no verter ou

beber a lida, a vida do

       outro, no outro lado

[ini-migo] fazendo chorar

       ou não tendo ou não

dor, angustia, no prazer

       de ver e não sentir o

quanto a dor dói ou não,

      languida respiração da

alma sentida à distância,

      vem vindo o [mau] cheiro

lá da montanha, que cobre

      encobre e não cobra

em tempo algum nada

      do que subiu e não desceu,

e, se foi, para todo o sempre, [amém]

      na montanha da visão da vida

da gente que sobe, sobe e

      depois se vai para debaixo da

terra quer seja montanha

      ou não, mas, se vai e se vai.

Sem sombra ou dúvida, sempre

      vai, pra sempre e sempre.

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